Cidades

Cidades

Fechar
PUBLICIDADE

Cidades

Levantamento aponta diminuição no desembarque de pescado em Santarém

Para os pescadores, sem o cumprimento do Defeso, a consequência a médio prazo será o desabastecimento do pescado nas feiras e mercados.

 
 -  Pesca na região do Tapará, em Santarém  Foto: Fábio Sarmento
Pesca na região do Tapará, em Santarém Foto: Fábio Sarmento

Monitoramento do desembarque de peixes em Santarém, no oeste do Pará, revelou que a quantidade de peixes trazida para o município vem caindo ano a ano, desde a suspensão pelo governo federal, do pagamento do seguro defeso em 2015.

O levantamento feito pela equipe do Laboratório de Geoinformação Pesqueira (LAGIS –UFOPA), mostrou que em 2015, foram desembarcadas 953 toneladas na Feira do Pescado. Já no ano passado, o número caiu para 666 toneladas.

“O que os dados estão mostrando é que ao longo desses anos, algumas espécies têm tendência de declínio, especialmente associado à falta de políticas e desregulação do defeso. Aracu e Pacu são espécies que a gente tem observado que tem uma diminuição”, analisou o professor e pesquisador da Universidade Federal do Oeste do Pará, Keid Nolan.

A diminuição da quantidade de pescado desembarcado em Santarém seria a interrupção do seguro defeso. É que durante o período de reprodução dos peixes, pescadores precisam parar as atividades em obediência à proibição da pesca.

Impactos

Em Santarém e região, a suspensão do defeso e do seguro coincidiram com os efeitos de uma seca extrema causada pelo fenômeno do El Niño, que deixou os estoques pesqueiros da várzea altamente vulneráveis devido à concentração em corpos de água cada vez menores, mais rasos e, consequentemente, com menor disponibilidade de oxigênio.

Escassez de espécies preocupa pescadores da região do Tapará (Foto: Fábio Sarmento) Escassez de espécies preocupa pescadores da região do Tapará (Foto: Fábio Sarmento)

Escassez de espécies preocupa pescadores da região do Tapará (Foto: Fábio Sarmento)

A liberação da pesca comercial com a suspensão do defeso legitimou a pesca predatória e contribuiu para invasões e conflitos. A pressão e os prejuízos foram maiores nos lagos com acordos de pesca funcionando e comunidades empenhadas no manejo sustentável dos seus recursos pesqueiros.

Em 2014, 21.696 pescadores e 11 Colônias do Baixo Amazonas foram beneficiados com o seguro defeso, recebendo um total de R$ 76.369.920,00 nos quatro meses do defeso. Esse pagamento já estava integrado no planejamento da economia familiar, permitindo a compra a prazo dos itens de consumo familiar e nos investimentos para renovar apetrechos e embarcações. Sem o recurso em 2015, os pescadores ficaram numa situação financeira complicada e não tiveram outra alternativa a não ser pescar.

Para o presidente da Sociedade para a Pesquisa e Proteção do Meio Ambiente (Sapopema), Fábio Sarmento, é preciso transformar o seguro defeso em uma política que incentive a participação do pescador no manejo sustentável dos recursos pesqueiros locais.

*Colaborou Sâmela Bonfim, Ascom Sapopema

Sapopema

saiba mais

  • Com fim do período do defeso, pesca é liberada para oito espécies na região

  • Período de defeso proíbe pesca de oito espécies em Santarém e região

  • Santarém

 

 

 

PUBLICIDADE

Curiosidades

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE