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Alunos do ensino médio pesquisam símbolos pós morte e frases em lápides de cemitério de Santarém

Alguns alunos entraram no cemitério localizado no Centro da cidade pela primeira vez. A experiência segundo eles tem sido enriquecedora.

 
 -  Turma de 38 alunos se dividiu em duplas para a pesquisa de símbolos e frases nos túmulos do cemitério Nossa Senhora dos Mártires  Foto: Alenilson Rib
Turma de 38 alunos se dividiu em duplas para a pesquisa de símbolos e frases nos túmulos do cemitério Nossa Senhora dos Mártires Foto: Alenilson Rib

Visitar cemitérios não é um programa que faça parte da rotina dos jovens. Mas para 38 alunos do 1º ano do ensino médio da Escola Estadual Madre Imaculada, de Santarém, oeste do Pará, um trabalho de pesquisa sobre símbolos pós morte e frases em lápides, foi o ponto de partida para uma “viagem” entre os túmulos do cemitério Nossa Senhora dos Mártires.

A primeira visita dos alunos para o levantamento das informações, registros fotográficos e anotações de frases foi realizada nesta terça-feira, 15. A turma foi acompanhada pelo professor Alenilson Ribeiro, que foi quem propôs o tema da pesquisa a partir do estudo dos povos egípcio e romano, e como eles encaravam a morte.

“Trabalhando esses dois povos a gente tá buscando trazer essa questão nos dias de hoje. E os cemitérios de Santarém são muito ricos de histórias. E aí eu propus aos alunos a gente fazer essa pesquisa sobre morte, com foco no cemitério que é próximo da escola. Às vezes as pessoas pensam que o cemitério só tem a cruz, mas na verdade tem vários outros elementos”, explicou professor Alenilson Ribeiro.

Os alunos vão fazer a pesquisa dos significados dos símbolos que eles escolheram. A ideia é trabalhar com os significados e as frases e transformar o resultado do trabalho em um livro. “A gente vai falar sobre o cemitério, da escrita em lápide e das obras de artes, muitas até vieram de fora do Brasil, como Itália e Alemanha. Também estamos vendo como essa arte dos túmulos está sendo feita nos dias de hoje”, contou.

O anjo apontando para baixo e a frase na lápide de 1928 são objetos de pesquisa dos alunos (Foto: Alenilson Ribeiro/Arquivo pessoal) O anjo apontando para baixo e a frase na lápide de 1928 são objetos de pesquisa dos alunos (Foto: Alenilson Ribeiro/Arquivo pessoal)

O anjo apontando para baixo e a frase na lápide de 1928 são objetos de pesquisa dos alunos (Foto: Alenilson Ribeiro/Arquivo pessoal)

Segundo o professor, no primeiro momento, quando ele propôs a pesquisa, a reação dos alunos foi de estranheza. Alguns nunca tinham ido ao cemitério. “Quando a gente pensa em cemitério, nos remete à tristeza. Mas durante a pesquisa, a gente pôde também refletir sobre o sentido da vida, sobre os túmulos, as frases, o silêncio, o caminhar sozinho ou em dupla. Acho que tudo isso foi importante para a formação desses alunos. Sair da correria da cidade e dá uma parada e reflete, porque a gente viu as lápides contando as histórias e os símbolos que são muito fortes”, analisou.

Experiência enriquecedora

Elieder Cohen, professor Alenilson Ribeiro e Lucas Gabriel estão entusiasmados com a pesquisa sobre os símbolos pós morte (Foto: Sílvia Vieira/G1) Elieder Cohen, professor Alenilson Ribeiro e Lucas Gabriel estão entusiasmados com a pesquisa sobre os símbolos pós morte (Foto: Sílvia Vieira/G1)

Elieder Cohen, professor Alenilson Ribeiro e Lucas Gabriel estão entusiasmados com a pesquisa sobre os símbolos pós morte (Foto: Sílvia Vieira/G1)

Embora já tivesse passado inúmeras vezes pela frente do cemitério, Elieder Cohen, 15 anos, alunos do 1º ano do ensino médio da Escola Madre Imaculada, nunca tinha entrado naquele local. E apesar de ter aprendido muito com a pesquisa, ele confessa que o primeiro sentimento foi de querer ir embora. “Na hora que eu entrei, não me senti muito confortável. Mas o professor me chamou, conversou comigo e começamos a fazer a pesquisa. A partir de quando fui vendo alguns símbolos e frases, fui me interessando pelo trabalho”, contou.

Das muitas frases escritas nas lápides, uma chamou a atenção de Elieder: “Não morre quem semeou para a eternidade”. Para o aluno, a frase quer dizer que a vida não encerra com a morte do corpo físico.

Para Lucas Gabriel, 14 anos, também aluno do 1º ano do ensino médio da Escola Madre Imaculada, a ida ao cemitério para o trabalho de pesquisa está sendo uma experiência enriquecedora. “Eu nunca tinha ido ao cemitério. Quando eu era criança, tive perdas na família de avós e tias. Então, eu nunca tive vontade de ir até lá. E quando eu cheguei lá eu senti uma tristeza, mas segui firme no propósito de fazer a pesquisa e depois de algum tempo lá dentro, comecei a me interessar pelo tema proposto pelo professor. Nunca tinha visto ninguém fazendo um trabalho sobre os símbolos dos cemitérios de Santarém e estou achando muito interessante”, relatou.

Lucas Gabriel escolheu como objeto de estudo a frase: “É interessante passar por um cemitério e imaginar que cada lápide representa uma história que ganhou um ponto no final”.

Os alunos observaram que nos túmulos mais antigos, raramente há cruz. Os símbolos mais comuns são: ampulheta de asas, chama, caveiras, anjos e serpente.

Símbolos pós morte chamam atenção pela riqueza de detalhes e seus significados (Foto: Alenilson Ribeiro/Arquivo Pessoal) Símbolos pós morte chamam atenção pela riqueza de detalhes e seus significados (Foto: Alenilson Ribeiro/Arquivo Pessoal)

Símbolos pós morte chamam atenção pela riqueza de detalhes e seus significados (Foto: Alenilson Ribeiro/Arquivo Pessoal)

Livro

Outras visitas ainda serão realizadas pelos alunos sob monitoria do professor Alenilson Ribeiro no cemitério Nossa senhora dos Mártires até o final de maio.

Após a conclusão da pesquisa sobre o significados dos símbolos escolhidos por cada dupla de alunos, a ideia é socializar o trabalho com a comunidade santarena em forma de livro, que pode ser em PDF ou impresso. Tudo vai depender do apoio que o projeto receber.

“A gente vê muitos trabalhos bons realizados pelos alunos ficarem restritos às paredes das salas de aula. Acho que isso acaba sendo frustrante para quem pesquisa. Por isso a nossa ideia de transformar essa pesquisa sobre os símbolos pós morte e frases em lápides, em um livro. Vamos correr atrás de apoio para viabilizar esse projeto”, finalizou o professor Alenilson Ribeiro.

Serpente mordendo o próprio rabo é um dos símbolos presentes em túmulos do cemitério Nossa Senhora dos Mártires (Foto: Alenilson Ribeiro/Arquivo pessoal) Serpente mordendo o próprio rabo é um dos símbolos presentes em túmulos do cemitério Nossa Senhora dos Mártires (Foto: Alenilson Ribeiro/Arquivo pessoal)

Serpente mordendo o próprio rabo é um dos símbolos presentes em túmulos do cemitério Nossa Senhora dos Mártires (Foto: Alenilson Ribeiro/Arquivo pessoal)

 

 

 

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