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Depoimento de deputado opositor preso causa reviravolta sobre suposto atentado contra Maduro

Deputado opositor exilado na Colômbia questiona depoimento: pessoa drogada ou ameaçada . Presidente diz que sofreu tentativa de assassinato, enquanto oposição questiona versão oficial.

 
 -  Imagem retirada de vídeo divulgado pelo governo da Venezuela mostra o deputado opositor Juan Requesens em declaração na prisão em que admite particip
Imagem retirada de vídeo divulgado pelo governo da Venezuela mostra o deputado opositor Juan Requesens em declaração na prisão em que admite particip

A investigação do atentado que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirma ter sofrido teve uma reviravolta nesta sexta-feira (10), após o depoimento de um deputado da oposição que, na prisão, teria admitido ter tido contato com um dos supostos envolvidos.

Madurou diz ter sofrido uma "tentativa de assassinato" durante um comício no dia 4 de agosto. Segundo o governo, drones carregados com explosivos voaram sobre o comício de Maduro no centro de Caracas. Os explosivos detonaram, ferindo sete militares e fazendo com que participantes do evento buscassem cobertura. No total, o governo assegura haver 20 envolvidos, dos quais 10 estão detidos.

Seguranças cercam o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, durante um incidente em Caracas (Foto: Xinhua / via AP Photo) Seguranças cercam o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, durante um incidente em Caracas (Foto: Xinhua / via AP Photo)

Seguranças cercam o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, durante um incidente em Caracas (Foto: Xinhua / via AP Photo)

Mas opositores ao governo questionam a versão oficial sobre o suposto atentado e pediram uma investigação imparcial sobre o caso. A transmissão oficial do evento do qual Maduro participava não mostra qualquer drone.

Em um vídeo divulgado pelo governo nesta sexta, o deputado Juan Requesens diz a um promotor: "Há várias semanas fui contatado por Julio Borges, que me pediu o favor de passar uma pessoa da Venezuela para a Colômbia. Trata-se de Juan Monasterios, fiz contato com ele através de mensagens".

Requesens, de 29 anos, foi detido na última terça-feira pelo serviço de Inteligência (Sebin), em Caracas, depois que a Assembleia Constituinte retirou a imunidade parlamentar dele e do também deputado opositor Julio Borges, que já foi presidente do Parlamento da Venezuela e hoje vive na Colômbia. Os dois são acusados por Maduro de estarem por trás do atentado.

Governo da Venezuela caça imunidade parlamentar de dois deputados

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Monasterios foi militar da Guarda Nacional e, depois de sua captura, admitiu ter ajudado a introduzir os drones durante um ato militar em Caracas.

O Primeiro Justiça, partido de Juan Requesens e Julio Borges, informou que na tarde desta sexta-feira Requesens foi levado a tribunais e que "não teve comunicação com seus advogados".

Pedido de captura à Interpol

Seu depoimento foi apresentado pelo ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez, que anunciou, ainda, que o governo pediu à Interpol a captura de Borges, exilado na Colômbia, pela tentativa de magnicídio contra Maduro.

"Estamos solicitando código vermelho para o senhor Julio Borges", afirmou Rodríguez em coletiva de imprensa, na qual informou que o pedido se estende a outros supostos envolvidos que moram na Colômbia e nos Estados Unidos.

"Não há, na história da Venezuela, um político mais covarde que Julio Borges, que dá ordens a Juan Requesens, mas ele se encontra em Bogotá, amparado pelo extinto governo de Juan Manuel Santos, vive em uma imensa mansão", declarou Rodríguez.

"O ex-deputado Requesens e Borges estão diretamente envolvidos no planejamento e na realização como cúmplice e como autor intelectual" do ataque, destacou o ministro.

Borges questiona vídeo

Borges ironizou a ordem de captura contra ele recordando que "os que têm alerta vermelho" são os funcionários do governo Maduro, procurados em vários países.

O deputado venezuelano Julio Borges questiona vídeo com depoimento de  Juan Requesens em vídeo postado em sua conta no Twitter (Foto: Reprodução/Twitter/ Julio Borges) O deputado venezuelano Julio Borges questiona vídeo com depoimento de  Juan Requesens em vídeo postado em sua conta no Twitter (Foto: Reprodução/Twitter/ Julio Borges)

O deputado venezuelano Julio Borges questiona vídeo com depoimento de Juan Requesens em vídeo postado em sua conta no Twitter (Foto: Reprodução/Twitter/ Julio Borges)

"São procurados em dezenas de países do mundo porque roubaram dinheiro dos venezuelanos, porque destruíram os direitos humanos e a democracia", disse o deputado nas redes sociais.

Borges considerou que Requesens foi ameaçado ou drogado para dizer o que o governo quer.

"Não é o Juan Requesens que conhecemos, não o jovem lutador (...) e sim uma pessoa drogada ou ameaçada para falar o que o governo quer. Vejam as pupilas dilatadas resultado do uso de drogas".

O deputado disse várias vezes que o plano de magnicídio é uma "farsa" para justificar a perseguição dos adversários de Maduro, confrontado com uma enorme rejeição popular devido à profunda crise econômica que o país vive.

Nesta sexta-feira, deputados opositores e dezenas de pessoas marcharam até a sede da OEA em Caracas, onde entregaram uma declaração, aprovada na quinta-feira, que pede que se ignore a ordem de captura contra Borges e exige a libertação de Requesens.

Governo desafia

No trecho de 47 segundos do testemunho apresentado pelo governo, Requesens diz que seu contato com Monasterios foi intermediado por Mauricio Jiménez, a quem ele e o governo de Caracas identificam como funcionário da imigração colombiana.

Imagem mostra um oficial com ferimento na cabeça devido a um incidente durante discurso de Nicolás Maduro em Caracas (Foto: Xinhua / via AP Photo) Imagem mostra um oficial com ferimento na cabeça devido a um incidente durante discurso de Nicolás Maduro em Caracas (Foto: Xinhua / via AP Photo)

Imagem mostra um oficial com ferimento na cabeça devido a um incidente durante discurso de Nicolás Maduro em Caracas (Foto: Xinhua / via AP Photo)

Segundo o parlamentar, Jiménez facilitou a entrada do ex-sargento à Venezuela a partir da Colômbia. Monasterios disse aos investigadores que tinha problemas com a imigração.

"Estava em San Cristóbal (Venezuela), nunca tive contato físico com Juan Monasterios, só o fiz o solicitado através de serviço de mensagem", afirma o deputado.

"Desafio Julio Borges a que desminta o ex-deputado Juan Requesens", disse o ministro.

Segundo o governo, os autores materiais do atentado foram treinados no povoado de Chinácota, no departamento (estado) colombiano de Norte de Santander.

Por causa disso e do papel de Jiménez, o governo de Maduro responsabiliza Santos pelo "atentado". Segundo Rodríguez, o ex-presidente colombiano manteve uma "infinidade" de reuniões com Borges. Santos já negou qualquer envolvimento no caso.

Depoimento de Monasterios

Monasterios, o militar da Guarda Nacional citado por Requesens, afirmou em seu depoimento que recebeu ajuda do deputado e do funcionário de imigração para se movimentar na fronteira binacional, parcialmente fechada.

"Ao chegar a San Cristóbal, recebi uma mensagem de texto do deputado Juan Requesens, dizendo que ele era o encarregado de me passar para o outro lado por meio de Julio Borges, que o tinha mandado fazer isto", afirmou o ex-militar em vídeo que também foi divulgado pelo governo venezuelano nesta semana.

Monasterios manifestou, ainda, que ajudou a inserir os drones na Venezuela, vindos da Colômbia. Na cidade de Barquisimeto "fizeram testes em uma casa, voltaram a ser desmontados e os trouxemos em 1º de agosto (para Caracas) para estar aqui nos dias em que eles iriam armar os drones para executar o atentado", afirmou o ex-membro da Força Armada.

Brasil condena repressão

O Itamaraty advertiu na última quinta para o "agravamento da repressão" na Venezuela, ao condenar a detenção de Requesens e a ordem de captura contra Borges.

"Com grave preocupação, o governo brasileiro tomou conhecimento da prisão - ao arrepio da institucionalidade democrática da Venezuela - do deputado Juan Carlos Resquesens e da ordem de captura do deputado Julio Borges, membros da Assembleia Nacional daquele país".

"Ao condenar ambas as medidas, o Brasil recorda as obrigações internacionais do Estado venezuelano com a democracia representativa".

O governo brasileiro considera que os acontecimentos do dia 4 de agosto em Caracas, "embora mereçam investigação independente e crível, não devem servir de pretexto para o agravamento da repressão - já intensa - à legítima e legal oposição política e parlamentar ao governo do presidente Nicolás Maduro".

 

 

 

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