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ANÁLISE: Como o encerramento da missão palestina em Washington sepulta os acordos de Oslo, 25 anos depois de sua assinatura

EUA de Trump abandonam papel de mediador no processo de paz entre Israel e os palestinos.

 
 -  Shimon Peres  centro  recebe o Nobel da Paz com Yasser Arafat e Yitzak Rabin  Foto: Israel/Government Press Office
Shimon Peres centro recebe o Nobel da Paz com Yasser Arafat e Yitzak Rabin Foto: Israel/Government Press Office

O governo Trump deu mais um passo na direção contrária do processo de paz no Oriente Médio, enterrando de vez os acordos de Oslo, assinados há 25 anos no jardim da Casa Branca, que consagraram Yitzhak Rabin, Shimon Peres e Yasser Arafat ao Prêmio Nobel.

Desta vez, os EUA anunciaram o encerramento da missão diplomática da Organização para a Libertação da Palestina em Washington em resposta ao seu movimento para levar Israel ao Tribunal Penal Internacional por abusos de direitos humanos em Gaza e Cisjordânia.

A solução de dois Estados já não faz mais parte do linguajar da diplomacia americana. Os EUA de Trump dizem ter um plano de paz definitivo para a região, capitaneado por Jared Kushner, genro do presidente.

Suas ações, contudo, mostram o oposto: a transferência de sua embaixada para Jerusalém, o corte da ajuda à agência da ONU para refugiados palestinos (UNRWA) e a suspensão de verbas para hospitais de Jerusalém Oriental são algumas das medidas que distanciam o governo americano do papel de mediador e o colocam claramente ao lado de Israel.

Há 25 anos, sob o olhar entusiasmado de Bill Clinton, o aperto de mãos entre Rabin e Arafat significou também o reconhecimento mútuo de Israel e palestinos e um ousado caminho para a solução do conflito, na qual Israel trocaria terra por segurança.

Desgastada por sucessivas guerras, grande parte da opinião pública israelense acolheu a iniciativa. Mas, hoje, pode-se dizer que os acordos de Oslo foram minados por ambos os lados.

Atentados terroristas em Israel, o assassinato de Rabin por um extremista judeu, a Segunda Intifada, o fracasso das negociações em Camp David e Taba, o fortalecimento do Hamas, as guerras em Gaza e a construção de assentamentos e muros em territórios palestinos cimentaram definitivamente a atmosfera de esperança daqueles dias de 1993. Nem o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, nem o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, mostram vontade política de reverter o quadro.

Ao longo deste quarto de século, os EUA insistiram na retórica do processo de paz no Oriente Médio, mas, na prática, desviaram o foco para outros conflitos. Resolver a questão Israel-Palestina deixou de ser prioridade para os sucessores de Clinton. O presidente Trump fortaleceu os laços com Israel e, particularmente com Netanyahu. Já com os palestinos, estão mais frouxos do que nunca.

Sandra Cohen (Foto: Arte/G1) Sandra Cohen (Foto: Arte/G1)

Sandra Cohen (Foto: Arte/G1)

 

 

 

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