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Caravana de migrantes se divide, e centenas deixam Cidade do México rumo os EUA

Maior parte do grupo, porém, ficou na capital mexicana. Parte pretende seguir viagem de carona.

 
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A principal caravana de migrantes centro-americanos que desafia o presidente Donald Trump com sua marcha rumo aos Estados Unidos se fragmentou novamente na Cidade de México nesta sexta-feira (9). Centenas de pessoas retomaram seu caminho, enquanto a maioria permanece em um abrigo, na esperança de conseguir ônibus para levá-los.

Na noite anterior, decidiu-se pela maioria de uma assembleia que a caravana sairia da capital após o fracasso do pedido para o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) disponibilizar 150 ônibus para facilitar o percurso.

Dos mais de 5.500 migrantes, na maioria hondurenhos, alojados desde o final de semana em um abrigo instalado pela prefeitura, somente centenas retomaram nesta sexta-feira sua marcha em direção à fronteira norte do México, constatou a AFP.

"Dissemos a (as agências de) a ONU que não queremos voltar a vê-los na nossa caravana, nos enganaram", disse Noé Martínez, um hondurenho de 33 anos, que falou com a imprensa junto com outros migrantes que permaneceram no abrigo.

Migrantes em centro esportivo usado como abrigo no México — Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters Migrantes em centro esportivo usado como abrigo no México — Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Migrantes em centro esportivo usado como abrigo no México — Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Este grupo, que afirma representar migrantes de suas respectivas regiões de origem, acusou a ONU de tê-los "abandonado" e acusaram a equipe do presidente eleito, Andrés Manuel López Obrador, que em alguma oportunidade lhes prometeu trabalho no México, de não cumprir com sua palavra.

"Fizemos uma solicitação de encontro com ele ou seus funcionários, mas foi rejeitada diretamente, nos disseram que não tínhamos o direito de ter uma conversa com eles", assegurou o hondurenho Rubén García.

Os migrantes que permanecem no abrigo instalado pela prefeitura em um centro esportivo, onde recebem alimentos e atendimento médico, terão um encontro com "uma pessoa", que se negaram a identificar, que lhes prometeu tentar conseguir 70 ônibus para mulheres, crianças e pessoas feridas ou idosas.

Migrante descansa em barraca montada na rua na Cidade do México — Foto: Hannah McKay/Reuters Migrante descansa em barraca montada na rua na Cidade do México — Foto: Hannah McKay/Reuters

Migrante descansa em barraca montada na rua na Cidade do México — Foto: Hannah McKay/Reuters

'Vamos embora'

Os migrantes que partiram o fizeram ao amanhecer, a grande maioria era de homens jovens, mas também foram vistas algumas famílias. Socorro Días, uma hondurenha de 32 anos, decidiu partir com seus filhos de 4 e 7 anos.

Vamos embora porque já não podemos mais ficar aqui esperando, só nos dizem mentiras de que vão nos dar ônibus e a gente passando fome, frio. Com as crianças é impossível, não há água para tomar banho — Socorro Díaz, em entrevista à AFP

A caravana partiu em 13 de outubro de San Pedro Sula, escapando da pobreza e da violência e que percorreu mais de 1.500 km, a maior parte a pé. É seguida de dois outros grupos com 2 mil migrantes cada um.

Presidente americano Donald Trump fala com repórteres nesta sexta-feira (9) antes de embarcar para Paris — Foto: Kevin Lamarque/Reuters Presidente americano Donald Trump fala com repórteres nesta sexta-feira (9) antes de embarcar para Paris — Foto: Kevin Lamarque/Reuters

Presidente americano Donald Trump fala com repórteres nesta sexta-feira (9) antes de embarcar para Paris — Foto: Kevin Lamarque/Reuters

Estes centro-americanos estão decididos a chegar aos Estados Unidos apesar de o presidente Donald Trump, que os acusa de protagonizar uma "invasão", advertiu que não se dará asilo a quem entrar ilegalmente. Na fronteira com o México foram enviados 4,8 mil militares à espera da chegada das caravanas.

  • Como a caravana desafia Trump e o México

A prefeitura liberou-lhes composições do metrô para viajar sem paradas até os limites com o estado do México e ao meio-dia caminhavam sobre uma ampla avenida que leva até a autoestrada para o estado de Querétaro.

Obrigado México! — Grito dos migrantes, enquanto se amontoavam com crianças e idosos nas plataformas do metrô Migrantes de caravana passam por catraca no metrô da Cidade do México — Foto: Rodrigo Abd/AP Photo Migrantes de caravana passam por catraca no metrô da Cidade do México — Foto: Rodrigo Abd/AP Photo

Migrantes de caravana passam por catraca no metrô da Cidade do México — Foto: Rodrigo Abd/AP Photo

Os centro-americanos aparentavam cansaço e levavam mochilas com roupas, cobertas e objetos pessoais.

"Levo roupas, os brinquedos das crianças e a foto da minha falecida esposa. É por eles que, com Deus, vou chegar à fronteira e aos Estados Unidos. Prefiro morrer a dar-lhes uma vida ruim", disse Justin Cortez, enquanto caminhava apressado, segurando pela mão seus gêmeos de dez anos. Sua esposa foi assassinada pelas "maras" (gangues) que levaram muitos migrantes a fugir.

Os migrantes se dirigem à cabine de pedágio da rodovia, por onde transitam a plena velocidade trailers carregados com toneladas de mercadorias.

Ali pedirão carona para adiantar os vários quilômetros que faltam, como fizeram nas estradas do sul do país. Um jovem morreu ao cair de um caminhão de carga, e por isso a polícia federal, que acompanha a marcha, proíbe que os migrantes subam nos veículos.

Outro dos debates foi o caminho a seguir até a fronteira norte, de 3.200 km e onde há um deserto, considerado uma armadilha fatal, com montanhas impossíveis de atravessar.

Caravana de migrantes em vagão de metrô na Cidade do México — Foto: Rodrigo Abd/AP Photo Caravana de migrantes em vagão de metrô na Cidade do México — Foto: Rodrigo Abd/AP Photo

Caravana de migrantes em vagão de metrô na Cidade do México — Foto: Rodrigo Abd/AP Photo

"Nós, mães que levamos filhos, dissemos que o caminho mais seguro é Tijuana. Há muitos que querem ir pelo outro lado porque não têm filhos", disse uma mulher na assembleia.

Tijuana, na costa do Pacífico, está a cerca de 2.800 km da Cidade do México, é a rota mais longa e a passagem para os Estados Unidos é um dos mais vigiados.

A rota mais curta, de 1.000 km, é para Tamaulipas, na costa do Golfo de México, mas é a mais perigosa pela presença de cartéis de drogas. Em 2010 foram assassinados ali um grupo de 72 migrantes.

Mapa mostra caminho dos imigrantes rumo à fronteira do México com os EUA — Foto: Infografia: Alexandre Mauro Mapa mostra caminho dos imigrantes rumo à fronteira do México com os EUA — Foto: Infografia: Alexandre Mauro

Mapa mostra caminho dos imigrantes rumo à fronteira do México com os EUA — Foto: Infografia: Alexandre Mauro

 

 

 

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