Mundo

Mundo

Fechar
PUBLICIDADE

Mundo

Alemanha lembra os 80 anos da '''Noite dos Cristais'''

Onda de violência contra os judeus ordenada pelo regime de Adolf Hitler revelou ao mundo sua violência antissemita.

 
 -   head  meta charset 'utf-8 link rel 'preconnect' href 'https://cocoon.globo.com link rel 'dns-prefetch' href 'https://cocoon.globo.com link rel 'prec
head meta charset 'utf-8 link rel 'preconnect' href 'https://cocoon.globo.com link rel 'dns-prefetch' href 'https://cocoon.globo.com link rel 'prec

A Alemanha lembra nesta sexta-feira (9) a “Noite dos Cristais”, uma onda de violência contra os judeus ordenada pelo regime de Adolf Hitler, que revelou ao mundo sua violência antissemita. A chanceler Angela Merkel e o presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, participaram de uma cerimônia na sinagoga de Rykestrasse, em Berlim.

Alemanha relembra nesta sexta (9) Noite dos Cristais, no início da Segunda Guerra Mundial

Alemanha relembra nesta sexta (9) Noite dos Cristais, no início da Segunda Guerra Mundial

Em 9 de novembro de 1938, o ministro responsável pela propaganda do governo de Hitler, Joseph Goebels, aproveitou o assassinato do diplomata alemão Ernst von Rath, morto pelo judeu polonês Herschel Grynszpan, em Paris, dias antes, para fazer um discurso em uma cervejaria de Munique, conforme documentado em seu diário.

Depois, ele distribuiu ordens de ataque contra os judeus para as unidades paramilitares nazistas em todo o território alemão.

Chanceler Angela Merkel participa de cerimônia que lembra o 80º aniversário da ‘Noite dos Cristais’, na sinagoga Rykestrasse, em Berlim, na Alemanha, nesta sexta-feira (9)  — Foto: Markus Schreiber/ AP Chanceler Angela Merkel participa de cerimônia que lembra o 80º aniversário da ‘Noite dos Cristais’, na sinagoga Rykestrasse, em Berlim, na Alemanha, nesta sexta-feira (9)  — Foto: Markus Schreiber/ AP

Chanceler Angela Merkel participa de cerimônia que lembra o 80º aniversário da ‘Noite dos Cristais’, na sinagoga Rykestrasse, em Berlim, na Alemanha, nesta sexta-feira (9) — Foto: Markus Schreiber/ AP

Estimativas sobre o número de mortos variam entre algumas centenas e 1.300 pessoas assassinadas ou forçadas ao suicídio – muito mais do que as 91 mortes declaradas oficialmente após os ataques. Aproximadamente 1.400 sinagogas e salas de oração e 7.500 estabelecimentos judaicos foram destruídos.

Após a "Noite dos Cristais", cerca de 30 mil pessoas supostamente judias – em sua maioria homens – foram levadas para campos de concentração.

"O dia 9 de novembro, para o qual o termo Kristallnacht [“Noite dos Cristais”] foi rapidamente adotado, foi um ponto de virada: da discriminação contra os judeus na Alemanha à perseguição", disse o historiador alemão Wolfgang Benz à agência Deutsche Welle.

"Pode-se dizer que o Holocausto começou em 9 de novembro de 1938. A partir de então, a violência contra os judeus foi endossada publicamente e oficialmente."

Visitantes caminham ao lado de restos do Muro de Berlim no museu Topografia do Terror, localizado no local da antiga sede nazista da Gestapo e SS. Nesta sexta (9), a Alemanha celebra o 80º aniversário da ‘Noite dos Cristais’  — Foto: Fabrizio Bensch/ Reuters Visitantes caminham ao lado de restos do Muro de Berlim no museu Topografia do Terror, localizado no local da antiga sede nazista da Gestapo e SS. Nesta sexta (9), a Alemanha celebra o 80º aniversário da ‘Noite dos Cristais’  — Foto: Fabrizio Bensch/ Reuters

Visitantes caminham ao lado de restos do Muro de Berlim no museu Topografia do Terror, localizado no local da antiga sede nazista da Gestapo e SS. Nesta sexta (9), a Alemanha celebra o 80º aniversário da ‘Noite dos Cristais’ — Foto: Fabrizio Bensch/ Reuters

Muitos alemães homenageiam essa noite com coroas de flores nas "Stolpersteine", as milhares de placas de latão incrustadas em cubos de cimento com os dados das vítimas.

Em 2017, 16 destas placas foram roubadas, o que fez temer um ressurgimento do antissemitismo.

Contexto turbulento

As cerimônias por esta trágica data se misturam com o centenário do Armistício da Primeira Guerra Mundial e com o fim do Império Austro-Húngaro, e acontecem em um contexto turbulento.

A xenofobia vem ganhando espaço no país, especialmente em relação aos numerosos migrantes árabes-muçulmanos que chegaram à Alemanha desde 2015.

Além disso, a ascensão da extrema direita alemã também traz à tona o temor de um antissemitismo nacional.

Há exato um ano entrou para o Bundestag um partido de extrema direita, o Alternativa pela Alemanha (AfD). E, em agosto, a cidade de Chemnitz (na outrora República Democrática Alemã) foi palco de manifestações e de atos de violência de caráter xenófobo.

Militantes de direita queriam se manifestar nesta sexta-feira em Berlim, mas o movimento não foi autorizado.

Preocupação

"Neste momento, vemos novamente a violência nas ruas", afirmou à AFP Felix Klein, o comissário do governo contra o antissemitismo, preocupado com a "radicalização dos discursos na Alemanha".

"Veja como a situação mudou em cinco anos na Turquia, no Brasil, nos Estados Unidos, na Síria e até na Alemanha, com Chemnitz", declarou, por sua vez, o diretor do Memorial dos Judeus Assassinados da Europa, Uwe Newmärker.

Ele é um dos criadores de uma exposição dedicada à "Noite dos Cristais" no Museu da Topografia do Terror de Berlim, localizado na antiga sede da Gestapo e da SS.

"Em novembro de 2018, não estamos à beira de outra Noite dos Cristais, mas é nosso dever evitar que tais atrocidades aconteçam novamente", advertiu também o Congresso Mundial Judaico.

 

 

 

PUBLICIDADE

Curiosidades

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE