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Soluções diferentes para problemas dramáticos

 
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Os paradigmas das três revoluções industriais que organizaram a vida moderna estão ficando no passado. Há novos modelos surgindo no cotidiano do mundo da produção e do consumo, o que tem alterado o universo do trabalho, os empregos, os salários, os direitos, a proteção trabalhista e social. As empresas estão mudando de propriedade e de função econômica, priorizando o resultado financeiro. Os estados perdem importância relativa para as empresas multinacionais e grupos econômicos e estes, gradativamente, passam a controlar as escolhas e os destinos das nações. A produção amplia a capacidade de gerar riqueza, mas, de outro lado, os institutos distributivos (organizações e regras) são enfraquecidos, o que faz com que as desigualdades cresçam. Há múltiplas e profundas transformações em curso, muitas ainda invisíveis para a maioria da população, mas que já influenciam o que somos, como decidimos e o que seremos no futuro.

 

Nesse mesmo tempo histórico, há problemas e desafios inéditos, que ultrapassam os limites das nações e que colocam em xeque todas as formas de vida. A produção econômica industrializa os limitados recursos naturais, consumidos de forma desigual por 7,5 bilhões de pessoas no mundo. Os vários tipos de lixo poluem e esgotam solo, rios, mares e ar, eliminando milhares de formas de vida. O aquecimento global modifica rapidamente o clima, o que impactará de maneira irreversível as condições de vida. Enquanto se testam as hipóteses sobre essas mudanças, a vida no planeta pode caminhar para a extinção, tragédia que, desta feita, será provocada pela ação humana. Em todas as partes, a ação do homem é a mesma, o que exige medidas globais e coordenadas, que ajudem a conter os abusos que, tudo indica, conduzem o planeta à destruição.

 

Há milênios, diferentes tipos de guerra demonstram que a inteligência faz do homem também o mais destrutivo dos animais. A guinada à extrema-direita no mundo tem aumentado incontáveis conflitos regionais, tornando incontroláveis os riscos de uma guerra nuclear. A intolerância, hoje também alimentada e articulada em tempo real nas redes sociais, é a “virtude” preponderante na mobilização de tragédias. O problema não respeita limites, nem mesmo os das nações.

 

Em outra ponta, as novas tecnologias quebram fronteiras e passam a substituir trabalho humano não só na indústria, mas também na agricultura, no comércio e nos serviços. As máquinas substituem cada vez mais a força humana e animal, com diferentes tipos de robôs e, de maneira acelerada, ampliam as possibilidades de representar a inteligência humana em várias áreas de conhecimento. Os efeitos disruptivos sobre as ocupações, os empregos e as profissões já são e serão cada vez mais devastadores.

 

Ao criar a capacidade de produzir energia de maneira infinita (especialmente energia solar) sem necessidade de enormes obras (hidroelétricas, por exemplo) e de cabeamento para distribui-la, todo o sistema produtivo pode ser alterado. Ao criar possibilidade de comunicação em tempo real (voz, imagem e dados), sem nenhum tipo de conexão física, o sentido de tempo e de deslocamento se modificam. Ao interligar energia e comunicação, com novos materiais e tecnologias produtivas, as possibilidades de transporte mudam. Essas transformações nas bases do sistema produtivo permitem saltos tecnológicos impensáveis há pouco tempo. É possível sonhar em dar saltos da primeira para a quarta ou quinta revolução tecnológica e constituir inéditas probabilidades de desenvolvimento econômico.

 

O Brasil se encontra nessa complexa encruzilhada histórica, com possibilidades de progredir ou de criar muros que impedirão o país de alçar crescimento com desenvolvimento. Interesses internacionais e nacionais jogam pesado para impedir que o país, com a potencialidade e a importância que possui, tenha soberania nas escolhas. Jogo intrincado, repleto de blefes, mentiras e ameaças.

 

O investimento em educação, pesquisa, inovação, infraestrutura econômica, produtiva e social são essenciais nessa possibilidade de salto.

 

Mas, para isso, é essencial que se tenha um Estado capaz de articular e coordenar esse esforço coletivo, de nação integrada ao mundo. Mais ainda: governos terão que ser capazes de mobilizar investimentos públicos e privados plurianuais, organizando ações e decisões das empresas e organizações. Seguindo esse rumo, existe o desafio de estabelecer um tipo especial de diálogo social, capaz de prospectar possibilidades, oportunidades e desafios para o futuro, imaginar iniciativas e soluções, pactuar compromissos para que resultados sejam alcançados e distribuídos de maneira justa.

 

Há o caminho daqueles que enaltecem a guerra, desconsideram a mudança climática, o desemprego e a desigualdade. Há o caminho daqueles que fazem da inovação tecnológica instrumento para concentrar riqueza, produzir desigualdade e ampliar a barbárie.

 

Há o caminho daqueles que acreditam no diálogo entre diferentes, para enfrentar os conflitos, favorecer a cooperação em um mundo diverso e livre. Há o caminho daqueles que apostam que o conhecimento, a ciência e a inovação devem libertar a humanidade para viver melhor e enfrentar, de maneira determinada, desde já, os desafios da mudança climática, da tecnologia disruptiva e da guerra.

 



*Clemente Ganz Lúcio é  Sociólogo, diretor técnico do DIEESE, membro do CDES – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e do Grupo Reindustrialização 

 

 

 

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