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Fortnite, a febre mundial dos games que tem nova temporada lançada nesta quinta

Jogo, que chega a ter 3,4 milhões de competidores simultaneamente e teve sua 7ª temporada lançada nesta quinta, é um exemplo de como a indústria dos games mudou nos últimos anos.

 
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"Eu disse a mim mesmo que só jogaria um pouquinho antes de ir trabalhar. Quando me dei conta estava em uma espiral interminável que terminou às duas da manhã com a compra de uma mochila de dinossauro."

Essa revelação, do analista de videogames Steve Asarch, ajuda a dar uma ideia do poder viciante do game do momento: o Fortnite.

O game de ação e tiro gratuito, lançado em 2017, tem 125 milhões de usuários, segundo a revista americana Forbes. Nesta quinta (6), foi lançada a sétima temporada do game, com novas ferramentas, melhorias e um novo modo de jogo.

Fortnite combina a construção de edifícios, jogos em primeira pessoa e, acima de tudo, pode ser jogado mudando de um dispositivo para outro.

O jogo ficou ainda mais conhecido no Brasil durante a Copa do Mundo da Rússia, quando referências ao game feita por jogadores fizeram sua notoriedade atingir mesmo quem não é do mundo dos videogames.

Jogadores de futebol como Jesse Lingard, da Inglaterra, e Antoine Griezmann, da França, celebraram gols fazendo uma dancinha do game na qual se faz com a mão a letra "L", de loser, que em em inglês significa "perdedor". No Twitter, vários usuários postaram essas celebrações no Mundial.

A principal versão do jogo, chamada de Battle Royale, pode ser baixada de graça - mas também há uma versão paga, Save the World.

E os jogadores também podem gastar dinheiro de verdade, como aconteceu com o analista Asarch, porque é possível comprar, dentro do jogo, itens para personalizar o visual de seus personagens e dancinhas de comemoração. Apenas em fevereiro deste ano, a Epic faturou US$ 126 milhões com vendas feitas dentro do jogo.

O Fornite é um exemplo de uma mudança que aconteceu no mercado de games gradualmente nos últimos anos.

O lançamento de novas temporadas com novidades é algo constante no jogo, mas a ideia de ter muitas atualizações e muito conteúdo para download (os chamados DLCs) não é exclusiva ao Fornite. Isso significa que os jogos comprados acabam proporcionando uma experiência que está sempre evoluindo, sempre em mutação.

Cada vez mais, graças aos conteúdos baixáveis, o jogo que você compra inicialmente é muito diferente da versão que estará jogando depois de meses ou anos. Os jogos estão sendo vistos cada vez mais como um serviço do que como um produto.

Desde seu lançamento, o game chegou a ter mais de ter 3,4 milhões de pessoas jogando ao mesmo tempo.

Muitos questionavam se o fato dos jogadores passarem horas imersos na atividade não traria riscos para a saúde, mas um pesquisador da Glasgow Caledonian University disse não ter visto razões para preocupação.

"É verdade que é muito difícil para as pessoas pararem de jogar", disse à BBC o pesquisador de games Andrew Reich, agregando que a experiência com o jogo era diferente para cada jogador e mudava em cada ocasião.

"Não se deveria estigmatizar as pessoas que passam várias horas jogando Fortnite".

Mas qual é o apelo do Fortnite e quais são as razões por trás de seu impressionante sucesso?

Minecraft e zumbis

Após seis anos de desenvolvimento, a Epic Games lançou o Fortnite em julho de 2017.

É um jogo de sobrevivência em cooperação com outros jogadores, que também permite construir estruturas com materiais que estão no seu universo virtual.

Em sua versão mais popular, a gratuita Battle Royale, 100 jogadores se enfrentam para ver quem é o último sobrevivente.

"É como jogar Minecraft, só que aqui você pode matar zumbis ou outros jogadores", disse Aja Romano, especialista em videogames do portal de notícias Vox.

O jogo é gratuito e foi lançado para os consoles Xbox e Playstation e as plataformas de software Windows e Mac. Ele também está nas lojas de aplicativos da Apple e seus criadores prometeram disponibilizar uma versão em Android até setembro.

"O jogo é bastante popular porque foi cuidadosamente criado para proporcionar uma experiência que te prenda nela", diz Andrews.

No entanto, seu sucesso entre o público de videogames gerou preocupação também entre os especialistas em segurança, pois o fato de poder ser jogado em plataformas e aparelhos diferentes poderia ser explorada por hackers para a coleta de dados de usuários.

Multiplataforma

O design do jogo é uma de suas principais atrações, segundo especialistas. Mas há outros fatores que contribuem para o seu sucesso, dizem.

Um deles é que não se trata de um game linear tradicional, pois sua história vai sendo criada à medida que o jogo avança.

"Não só é gratuito, como está disponível em várias plataformas", diz à BBC Raul Fernandez, jornalista do portal de videogames Akihabara Blues. "As partidas são rápidas e viciantes, e ganhar gera uma satisfação imensa."

"Além disso, toda semana há novas atualizações, que permitem aos jogadores experimentarem novos objetos ou mecânicas."

Além disso, foram derrubadas barreiras entre boa parte das plataformas; jogadores em um iPhone podem jogar com ou contra alguém em um Mac, um PC ou um Playstation, o que não era possível antes.

E isso expôs um novo desafio para a indústria: a necessidade de responder à demanda por jogos entre consoles diferentes - o que, apesar dos avanços do Fortnite, ainda não é possível. Ou seja, não é viável para um jogador do Playstation 4 se medir com alguém que usa um Xbox.

"A solução para esse problema não é apenas iminente, mas inevitável", disse o diretor de programação do jogo, Tim Sweeney.

Enquanto isso, o pesquisador Andrew Reich faz uma sugestão para os pais preocupados com o longo tempo que seus filhos passam ligados ao universo do Fortnite.

"Encorajo os pais a jogarem Fortnite para que eles entendam o interesse de seus filhos e, a partir daí, possam saber como indicar que eles joguem com moderação."

 

 

 

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