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Há '''clara semelhança''' entre acidentes com o 737 MAX na Etiópia e na Indonésia, diz CEO da Ethiopian

Piloto relatou problema no controle de voo logo após decolar de Adis Abeba. Análise das caixas pretas ainda deve demorar alguns dias.

 

O CEO da Ethiopian Airlines, Tewolde Gebremariam, disse nesta sexta-feira (15) à agência chinesa Xinhua que há semelhança entre a queda de seu Boeing 737 MAX 8 no começo desta semana, logo após decolar de Adis Abeba, e o caso da Lion Air, na Indonésia, em outubro, que deixou 189 mortos.

"Há semelhança clara entre o nosso acidente e o acidente da Lion Air", destacou. "É uma situação muito difícil. Parece o da Lion Air porque o voo durou apenas seis minutos", disse ele.

As semelhanças do acidente da Ethiopian com o de outro 737 MAX 8 ocorrido na Indonésia fizeram com que os reguladores dos Estados Unidos, da União Europeia e do Brasil, entre muitos outros países, suspendessem os voos destes aviões da Boeing até que se esclareçam as causas.

A Boeing, por sua vez, paralisou nesta quinta-feira as entregas dos modelos 737 MAX 8 que já haviam sido encomendados.

Ele disse que os resultados das investigações das caixas-pretas do avião de sua companhia "levarão alguns dias" para sair.

Agentes da polícia federal da Etiópia trabalham no local onde o avião do voo ET 302 da Ethiopian Airlines caiu, perto da cidade de Bishoftu, perto da capital Addis Abada — Foto: Tiksa Negeri/Reuters Agentes da polícia federal da Etiópia trabalham no local onde o avião do voo ET 302 da Ethiopian Airlines caiu, perto da cidade de Bishoftu, perto da capital Addis Abada — Foto: Tiksa Negeri/Reuters

Agentes da polícia federal da Etiópia trabalham no local onde o avião do voo ET 302 da Ethiopian Airlines caiu, perto da cidade de Bishoftu, perto da capital Addis Abada — Foto: Tiksa Negeri/Reuters

Na quinta, a Ethiopian Airlines informou que os dados e gravadores de voz extraídos do Boeing 737 MAX 8 foram enviados para a França.

Todas as 157 pessoas a bordo do vôo para Nairóbi morreram quando o jato caiu no domingo, poucos minutos depois de decolar do Aeroporto Internacional de Adis Abeba.

"Enviamos uma delegação de seis pessoas para a França ... e agora eles estão em Paris trabalhando nesse processo", disse Gebremariam em entrevista à Xinhua. "Levará alguns dias para ler, analisar e entender" informações dos gravadores de voz e dados, disse ele.

"Há a parte da voz e também a de dados", disse Gebremariam. "Eles precisam conectar os dois e a análise pode demorar alguns dias."

Representantes dos representantes do Conselho Nacional de Segurança no Transporte dos EUA e da Agência de Investigação de Acidentes da Etiópia estão trabalhando juntos no processo de investigação, disse ele.

"Ambos estão em Paris, acompanhados pela FAA (Autoridade de Aviação da Federação dos EUA) e especialistas da Boeing, especialistas em companhias aéreas da Etiópia. Eles estão trabalhando duro dia e noite para descobrir a causa do acidente", disse Gebremariam.

De acordo com Gebremariam, apenas três minutos após a decolagem, o piloto havia relatado dificuldade para controlar a aeronave e solicitou o retorno ao aeroporto.

Queda de avião na Etiópia — Foto: Juliane Monteiro e Igor Estrella/G1 Queda de avião na Etiópia — Foto: Juliane Monteiro e Igor Estrella/G1

Queda de avião na Etiópia — Foto: Juliane Monteiro e Igor Estrella/G1

Os controladores de tráfego aéreo do aeroporto deram autorização, mas o jato desapareceu do radar seis minutos após a decolagem. "Foi um período muito curto de tempo", disse Gebremariam.

As informações do CEO corroboram reportagem desta quinta do "New York Times" publicada nesta quinta que afirma que o piloto da Ethiopian que conduzia o voo acidentado no domingo passado na Etiópia relatou problemas de "controle de voo" após a decolagem e solicitou uma pista de aterrissagem para retornar ao aeroporto de Adis Abeba.

"Solicito volta pra casa. Solicito vetor (sistema de navegação) para aterrissar", disse o piloto em aparente pânico aos controladores, segundo disse ao jornal "The New York Times" uma pessoa que revisou as comunicações entre a aeronave e a torre de controle.

As gravações, que ainda não foram divulgadas, indicam que um minuto depois da decolagem o piloto teria reportado, ainda com voz serena, um problema de "controle de voo" com sua aeronave.

Nesse momento, os radares da torre de controle mostravam que o avião voava a uma altitude muito abaixo do mínimo considerado seguro durante uma decolagem.

Dois minutos depois, segundo a fonte do "The New York Times", o piloto, Yared Getachew, com 8.000 horas de voo de experiência, teria conseguido elevar a aeronave e se preparava para subir até 14.000 pés (4.267 metros).

Foi então que os controladores perceberam que a aeronave subia e descia bruscamente centenas de pés e voava a uma velocidade estranhamente rápida.

Conscientes de que algum problema estava ocorrendo, os funcionários da torre de controle de Adis Abeba "começaram a perguntar-se em voz alta o que o avião estava fazendo".

Em pânico

Os controladores ordenaram a outros dois voos que se aproximavam do aeroporto que permanecessem a uma altura de segurança enquanto lidavam com a emergência quando Getachew, em pânico, solicitou uma pista para voltar.

Getachew obteve a permissão para aterrissar, mas um minuto depois o avião desapareceu do radar.

 

 

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