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Brasil, aberto para negócios

 

Não é segredo a aproximação ideológica e política entre o presidente eleito Jair Bolsonaro e o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O encontro inédito entre os presidentes acontecerá nesta terça-feira (19). A expectativa é que a inter-relação resulte em medidas concretas de aproximação entre os países e reflita principalmente a área econômica e comercial.

A ida aos Estados Unidos será a primeira visita bilateral do presidente brasileiro. Escolher os EUA como primeiro destino pode ser considerado um passo emblemático. A prioridade na agenda de Bolsonaro reforça o interesse de o governo brasileiro estreitar as relações com o país norte-americano.

Estamos vivendo um dos momentos mais auspiciosos para a relação entre Brasil e Estados Unidos, em especial na área da economia. Pela primeira vez na década encaramos dois países com discernimento sobre o potencial do livre comércio, se houver o devido alinhamento entre os dois governos.

A relação comercial com os EUA já chegou a representar 26% do comércio entre os dois países, ao final do governo do Fernando Henrique Cardoso. Atualmente o número está muito menos interessante, representando menos de 10%. Isto foi fruto de um trabalho muito bem feito, embora destrutivo, por parte dos gestores do Brasil ao longo desses 16 anos, procurando tirar a capacidade exportadora brasileira.

O conjunto de medidas dos últimos anos fez com que este comércio, que era muito rico, principalmente por ser então representado em mais de 70% por produtos semielaborados e industrializados, caísse, em sua grande maioria, no presente momento ao comercio de commodities.

De um lado, temos um Brasil que priorizará relações de comércio, tirando do primeiro plano as relações ideológicas hipervalorizadas no governo anterior. E com esta visão macroeconômica e política, seguramente vamos ter assim um novo fluxo não apenas de abertura comercial, mas principalmente de investimentos.

Por outro lado encontramos os Estados Unidos ávidos em fazer bons investimentos. É o momento de enxergarmos que o Brasil tem uma mão de obra extremamente capacitada, um parque industrial referência e que pode desenvolver ou complementar produtos originários da América. Temos ainda, os Estados Unidos que, ao longo de muitos anos, sempre viram no Brasil um grande parceiro e tiveram por anos cerceada essa abertura de negócios, mas que já buscam fazer investimentos neste país, que está ao final de uma crise enorme, em uma situação extremamente favorável para novos investimentos.

Atualmente, não há país melhor para estabelecer base internacional do que o próprio EUA, seja em função de sua nova regra tributária, em função do mercado interno de mais de 20 trilhões de dólares ou seja em função de um povo que consome 72% do seu PIB apenas em produtos de consumo.

A expectativa é que iniciemos um novo ciclo de desenvolvimento, onde, finalmente, o Brasil pode colocar melhores produtos, com maior valor agregado e de maneira a que nossa mão de obra, os nossos colaboradores das indústrias, gerem um produto de maior valor agregado e possam receber mais por isso.

Por fim, o Brasil tem muito a ganhar, bem como outros países que fizeram acordos bilaterais com os EUA em termos comerciais, como foi o caso do Chile, que está sendo extremamente beneficiado por esta nova formatação. Visualizem as possibilidades de negócio entre os dois países, pois este será o futuro.

 

*Com mais de 30 anos de experiência nos Estados Unidos, Carlo Barbieri é Presidente do Grupo Oxford, a maior empresa de consultoria brasileira nos EUA. Consultor, jornalista, analista político, palestrante e educador. Membro fundador e primeiro presidente do Brazilian Business Group, membro fundador e presidente do Brazil Club e membro do conselho da Deerfield Chamber of Commerce. Formado em Economia e Direito com mais de 60 cursos de especialização no Brasil e no exterior.

 

 

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