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Crise da Nicarágua: mais de 60 mil pessoas deixaram o país desde o início dos conflitos, há um ano

Maioria dos migrantes pediram refúgio na Costa Rica, país vizinho. ONU teme que protestos para relembrar o primeiro aniversário da crise na Nicarágua terminem em mais violência.

 
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Cerca de 62 mil pessoas deixaram a Nicarágua no último ano por causa da crise política e social que atinge o país. Desse total, 55 mil pediram refúgio na Costa Rica. As informações foram divulgadas nesta terça-feira (16) pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), quase um ano depois do início do colapso político nicaraguense.

Em abril de 2018, a polícia e milicianos leais ao regime de Daniel Ortega reprimiram com violência manifestantes contrários a um projeto de reforma da previdência, o estopim para uma série de protestos que terminaram em repressão violenta ao longo do ano.

Imagem de um dos primeiros protestos na Nicarágua, em abril de 2018 — Foto: AP Photo/Alfredo Zuniga Imagem de um dos primeiros protestos na Nicarágua, em abril de 2018 — Foto: AP Photo/Alfredo Zuniga

Imagem de um dos primeiros protestos na Nicarágua, em abril de 2018 — Foto: AP Photo/Alfredo Zuniga

De acordo com a porta-voz da agência, Liz Throssell, famílias inteiras tem fugido da Nicarágua em crise – no início das tensões, apenas adultos tomavam o rumo dos países vizinhos.

"Neste fluxo de refugiados, muitos deles decidiram atravessar irregularmente a fronteira para evitar serem detectados, frequentemente caminhando durante horas através de caminhos complicados", disse a porta-voz.

O organismo elogiou os esforços da Costa Rica na recepção destes refugiados e em facilitar os pedidos de asilo. Além disso, informou que vai apoiar os trabalhos para reduzir os tempos de processamento destas solicitações.

Segundo as autoridades migratórias da Costa Rica, 29,5 mil nicaraguenses abriram solicitações de asilo. Outros 26 mil aguardam a formalização dos pedidos.

Refugiados de diversas classes sociais

Estudantes de universidade na Nicarágua protestam contra regime de Daniel Ortega — Foto: Inti Ocon/AFP Estudantes de universidade na Nicarágua protestam contra regime de Daniel Ortega — Foto: Inti Ocon/AFP

Estudantes de universidade na Nicarágua protestam contra regime de Daniel Ortega — Foto: Inti Ocon/AFP

Entre os refugiados, destacou o Acnur, há estudantes, ex-funcionários públicos, políticos opositores, jornalistas, médicos, ativistas de direitos humanos e camponeses, muitos deles necessitados de assistência médica, apoio psicológico e auxílio alimentar e de moradia.

"Sem uma solução política da crise na Nicarágua, as pessoas continuarão indo embora", afirmou a porta-voz.

Segundo ela, o Acnur e outras agências das Nações Unidas estão traçando um plano de resposta humanitária para apoiar o governo da Costa Rica no atendimento das necessidades imediatas dos solicitantes de asilo, assim como das comunidades que os acolhem.

De acordo com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), a crise na Nicarágua provocou 325 mortes, mas ONGs locais apontam que 568 pessoas morreram, enquanto o Executivo reconhece 199 vítimas mortais.

ONU pede que não haja repressão

Manifestantes protestam contra governo de Daniel Ortega na Nicarágua — Foto: Maynor Valenzuela/AFP Manifestantes protestam contra governo de Daniel Ortega na Nicarágua — Foto: Maynor Valenzuela/AFP

Manifestantes protestam contra governo de Daniel Ortega na Nicarágua — Foto: Maynor Valenzuela/AFP

A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, pediu nesta terça-feira ao regime de Ortega da Nicarágua que não utilize a violência para reprimir as manifestações convocadas no aniversário dos protestos que abalam o país há quase um ano, lembrados em 18 de abril.

"Preocupa que os protestos convocados para os próximos dias possam desencadear em outra reação violenta", destacou Bachelet, que reiterou as críticas à criminalização das manifestações e aos ataques contra líderes estudantis, aos defensores de direitos humanos, a jornalistas e opositores do governo.

Fieis pedem paz na Nicarágua durante missa de Domingo de Ramos — Foto: Oswaldo Rivas/Reuters Fieis pedem paz na Nicarágua durante missa de Domingo de Ramos — Foto: Oswaldo Rivas/Reuters

Fieis pedem paz na Nicarágua durante missa de Domingo de Ramos — Foto: Oswaldo Rivas/Reuters

A representante da ONU ainda ressaltou que o governo de Daniel Ortega deve garantir que as forças de segurança "estabeleçam os espaços necessários para que as pessoas se reúnam pacificamente e possam expressar suas opiniões conforme os direitos internacionalmente reconhecidos".

Bachelet, que é ex-presidente do Chile, afirmou que pelo menos 300 pessoas morreram nos protestos no ano passado, 2 mil ficaram feridas e que a crise política e social forçou 62 mil pessoas a deixar o país, a maioria se refugiando na vizinha Costa Rica.

Censura na Nicarágua

Edição do jornal ‘La Prensa’ com capa em branco é vista em banca de Manágua, na Nicarágua — Foto: Inti Ocon/AFP Edição do jornal ‘La Prensa’ com capa em branco é vista em banca de Manágua, na Nicarágua — Foto: Inti Ocon/AFP

Edição do jornal ‘La Prensa’ com capa em branco é vista em banca de Manágua, na Nicarágua — Foto: Inti Ocon/AFP

A alta comissária manifestou preocupação com o aumento da censura na Nicarágua e pelas duras condições dos detidos durante os protestos nas prisões e centros de detenção, onde há relatos de tortura e maus tratos.

Bachelet também lamentou que as negociações entre o governo e parte da oposição (Aliança Cívica) estejam estagnadas. Ela ressaltou, aindam que os acordos firmados em março sobre a libertação de detidos e o fortalecimento de direitos e garantias parecem não ter sido implementados.

"É de suma importância que seja estabelecido um processo de responsabilidade exaustiva e transparente para garantir a justiça e a verdade, assim como garantias claras de não repetição e de conformidade com as normas e padrões internacionais", concluiu.

 

 

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