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Quem é o Novo IRA, grupo extremista que assumiu a morte de jornalista na Irlanda do Norte

Organização foi criada há menos de uma década com a fusão de grupos que rejeitam acordo de paz de 1998 entre irlandeses e britânicos.

 
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O Novo IRA (IRA é sigla em inglês para Exército Republicano Irlandês) ganhou destaque no noticiário britânico após o assassinato da jornalista Lyra McKee, na última quinta-feira.

McKee, de 29 anos, levou um tiro na cabeça enquanto acompanhava um protesto no conjunto habitacional Creggan, em Londonderry, segunda maior cidade da Irlanda do Norte.

Segundo o jornal Irish News, o Novo IRA assumiu a autoria do ataque. Em comunicado ao jornal, o grupo pediu desculpas a parentes e amigos da jornalista.

McKee estava perto de um carro da polícia quando um homem mascarado atirou contra o carro e pessoas que observavam, atingindo a jornalista.

Acredita-se que o Novo IRA tenha surgido entre 2011 e 2012.

Lyra McKee, em Belfast, em foto de maio de 2017 — Foto: Jess Lowe Photography/Handout via REUTERS Lyra McKee, em Belfast, em foto de maio de 2017 — Foto: Jess Lowe Photography/Handout via REUTERS

Lyra McKee, em Belfast, em foto de maio de 2017 — Foto: Jess Lowe Photography/Handout via REUTERS

O grupo foi formado a partir da fusão de organizações menores, como o IRA Real. Este, por sua vez, surgiu de uma cisão no IRA Provisório (Pira) em outubro de 1997, quando o partido Sinn Féin - historicamente associado ao IRA - encampou o processo de paz entre nacionalistas norte-irlandeses (nesse caso, são majoritariamente os católicos que queriam a unificação com a Irlanda) e a Grã-Bretanha.

A morte de McKee ocorreu 21 anos após a assinatura do Acordo de Belfast (conhecido como Good Friday Agreement), que pôs fim a décadas de turbulência na Irlanda do Norte. Estima-se que 3,6 mil pessoas tenham morrido no conflito.

O pacto foi resultado de intensas negociações entre o Reino Unido, a Irlanda e partidos políticos da Irlanda do Norte.

Os conflitos no território se intensificaram nos anos 1960, opondo nacionalistas e unionistas (protestantes que queriam a permanência no Reino Unido).

Novo IRA

Mulher para e reza junto a flores deixadas no local onde Lyra McKee foi morta a tiros, em Londonderry, Irlanda do Norte. — Foto: Clodagh Kilcoyne/Reuters Mulher para e reza junto a flores deixadas no local onde Lyra McKee foi morta a tiros, em Londonderry, Irlanda do Norte. — Foto: Clodagh Kilcoyne/Reuters

Mulher para e reza junto a flores deixadas no local onde Lyra McKee foi morta a tiros, em Londonderry, Irlanda do Norte. — Foto: Clodagh Kilcoyne/Reuters

Desde sua criação, o Novo IRA já foi associado a quatro assassinatos.

Na terça-feira, a polícia confirmou a prisão de uma mulher de 57 anos que estaria envolvida com a morte da jornalista. Ela foi presa com base na legislação antiterrorismo.

A polícia tem pedido que pessoas compartilhem informações sobre o ataque.

O comunicado do Novo IRA foi divulgado após o partido político esquerdista Saoragh - apoiado pela organização extremista - tentar justificar a violência ocorrida na quinta-feira, o que fez amigos de McKee protestarem em frente à sede do partido.

Mulheres espalharam tinta vermelha sobre slogans do partido do lado de fora de sua sede.

Karen Bradley, secretária do governo do Reino Unido para a Irlanda do Norte, fará um pronunciamento no Parlamento britânico sobre o assassinato. Ela participará do funeral de McKee na quarta-feira.

O presidente e o primeiro-ministro da Irlanda, Michael D. Higgins e Leo Varadkar, também comparecerão.

 

 

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