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Professores do Some constroem parques infantis e salas de aula em comunidades de Mojuí dos Campos

O projeto que já atendeu as comunidades Piranhas e Vista Alegre do Moju tem transformado cenários na zona rural.

 
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A partir da visão de que é preciso garantir estrutura física para que os alunos tenham um ambiente propício à aprendizagem, professores do Sistema de Organização Modular de Ensino (Some) do polo Mojuí dos Campos, no oeste do Pará, arregaçaram as mangas por meio do projeto Shaylon e com a ajuda da comunidade já construíram salas de aula e parques infantis em localidades rurais do município.

Há alguns dias, quem chega às comunidades Piranhas e Vista Alegre do Moju se depara com um cenário diferente, que além de garantir conforto aos alunos do Some, proporciona lazer para todas as crianças que moram por lá.

"Algumas pessoas dizem que não é o papel do professor, que é dever do Estado e do Município, mas diante de tanta necessidade dos nossos alunos sem sala de aula, e dos comunitários sem área de lazer, feiras pra ganhar seu dinheiro, trapiches para pegar o barco, bibliotecas para fazer suas pesquisas, brinquedotecas, etc, o Leon e nós professores Eder Clay, Eliana Cardoso, Daniela Lobato e Shayla Farias tentamos contribuir com essas comunidades onde trabalhamos e que nos recebem com muito carinho", justificou professora Shayla Farias.

Em Piranhas, havia a necessidade de se construir um barracão porque no local não havia salas de aula para receber os alunos do Some, que é realizado por meio de parceria entre o estado e o município.

“O Estado entra com professores, livros e merenda, e o município com a parte de estrutura que seriam as salas de aula para os alunos estudarem. Os alunos estudavam em um barracão velho, emprestado, sem ter nenhum estrutura. Faltam outras coisas, como carteiras, quadro, o transporte escolar é péssimo, os ramais não oferecem trafegabilidade, então são grandes desafios”, contou o professor Silas Reis, da equipe de apoio do projeto Shaylon.

Em Piranhas, além do barracão com três salas de aula, os professores, com ajuda da comunidade e dos servidores da escola, construíram um parquinho infantil com balanços, escorrega, gangorra e casinhas, todo em madeira, e também fizeram a sinalização dos ramais de acesso à comunidade. De lá, o projeto foi estendido para Vista Alegre do Moju. Como lá tem barracão para os alunos estudarem, foi construído apenas o parquinho.

Barracão construído pela equipe do Some na comunidade Piranhas, em Mojuí dos Campos, para atender alunos do ensino médio — Foto: Projeto Shaylon/Divulgação Barracão construído pela equipe do Some na comunidade Piranhas, em Mojuí dos Campos, para atender alunos do ensino médio — Foto: Projeto Shaylon/Divulgação

Barracão construído pela equipe do Some na comunidade Piranhas, em Mojuí dos Campos, para atender alunos do ensino médio — Foto: Projeto Shaylon/Divulgação

Para a diretora da escola São Raimundo, em Vista Alegre do Moju, Maria Teixeira, a iniciativa das professoras do Some é digna de aplausos, deve ser incentivada e abraçada pelas comunidades, e servir de exemplo para os políticos. Ela acompanhou a construção do parquinho infantil e ficou muito feliz com o resultado.

"Nós estamos muito felizes com essa visão maravilhosa ao lado da escola. Quando as professoras apresentaram o projeto, não acreditava que fosse dar certo. Mas aí, vimos que já tinha sido feito em outra comunidade e abraçamos a ideia. Algumas pessoas doaram madeira, os moradores se envolveram na construção e as professoras fizeram bingos e rifas para conseguir o dinheiro para o que estava faltando. Deu tudo certo. Vista Alegre do Moju está de parabéns!", disse Maria Teixeira.

A intenção da equipe do Some agora é levar o projeto para Corpus Christi, no km 135 da BR-163, no município de Mojuí. Lá não existe barracão escolar. Os alunos se reúnem no corredor da escola para as aulas.

Segundo a professora Shayla, a repercussão do projeto Shaylon tem sido tão grande, que outras comunidades já manifestaram interesse na construção do projeto do parque infantil, como a escola Flor da Selva na comunidade Rainha da Floresta e na comunidade do 130, em Mojuí dos Campos.

"A nossa intenção é expandir para as comunidades ou escolas que solicitarem e fecharem parceria conosco", disse Shayla Farias.

A união que faz a diferença

Parque infantil de Vista Alegre do Moju atende toda a comunidade — Foto: Projeto Shaylon/Divulgação Parque infantil de Vista Alegre do Moju atende toda a comunidade — Foto: Projeto Shaylon/Divulgação

Parque infantil de Vista Alegre do Moju atende toda a comunidade — Foto: Projeto Shaylon/Divulgação

As ações desenvolvidas para atendimento de mais de 150 alunos e mais de 80 famílias de Piranhas e Vista Alegre do Moju proporcionam um espaço digno para o estudo dos alunos e um local de lazer que atende a todos os comunitários. Mas se engana quem acha que o projeto Shaylon iniciou suas ações agora.

O projeto foi idealizado pelo professor Leon Guedes, em 2006, quando ele ainda era professor do Some. Leon percebeu que nas comunidades as crianças e adolescentes eram carentes de áreas de lazer, então trabalhando com a professora Shayla Farias na comunidade de Anã, naquele ano, resolveram reunir com a comunidade e os alunos do Some e propor o projeto, que foi bem aceito.

Com a participação de pais, alunos e comunitários em geral, realizaram a construção de um parque, área para ginástica, demarcaram quadra de vôlei de areia, uma biblioteca e também a construção de um trapiche que ajudaria na atracação dos barcos. Para dar comodidade aos passageiros na espera dos barcos, foi construída uma maloca no trapiche para que eles não ficassem no sol. Hoje, o trapiche é ponto turístico na comunidade Anã. Já o parque infantil e a biblioteca, com o tempo, sem manutenção, foram deixando de existir.

No Arapiuns, também foram atendidas as comunidades: Urucureá (parque infantil), Vila Gorete (parque infantil), São José (parque infantil) e Cachoeira do Aruã (praça com o parque infantil e canteiro medicinal).

Na região do Lago Grande, o projeto já atendeu as comunidades Vila Socorro (parque infantil), Ajamori (início da casa de professores e a biblioteca na escola), Aracuri (construção de galpões para uma feira comunitária a margem da Translago) e Piraquara (parque infantil).

Na região do Tapajós: Surucuá e Boim (realizações de brinquedotecas). Na região de Várzea, Costa do Tapará (parque infantil).

O projeto também chegou à Aldeia Mapuera, no município de Oriximiná, oeste do Pará, na fronteira com a Guiana e Suriname (construção do parque infantil), quando professor Leon trabalhava no Some – indígena.

Metodologia de trabalho

Parque infantil na comunidade Piranhas, em Mojuí dos Campos — Foto: Projeto Shaylon/Divulgação Parque infantil na comunidade Piranhas, em Mojuí dos Campos — Foto: Projeto Shaylon/Divulgação

Parque infantil na comunidade Piranhas, em Mojuí dos Campos — Foto: Projeto Shaylon/Divulgação

Cada ação tem a duração de desenvolvimento e planejamento de 50 dias. Com exceção das salas de aula que estão sendo construídas à medida que as equipes se revezam na comunidade, já com mais de 70% concluídas.

"Ainda não terminamos. A cada módulo avançamos mais uma etapa. Atualmente estou aqui no Piranha novamente para continuar com o projeto, fechar mais uma sala de aula com ajuda dos nossos alunos, pais e comunitários em geral que queiram ajudar. Queremos fazer a iluminação do parque infantil e o que pudermos ajudar com cooperação da comunidade", disse Shayla.

A professora destaca que as ações do projeto Shaylon têm o objetivo de proporcionar aos alunos, condições mínimas para o desenvolvimento pedagógico, desenvolvendo ações integradas e interdisciplinares entre as várias disciplinas disponibilizadas e comunidade em geral.

Para as comunidades hoje atendidas pelos professores do Some - Polo Mojuí - Umbizal, Vista Alegre do Rio Mojú, Piranha e Corpus Christi - em menos de um ano de atuação da nova equipe já é possível verificar os avanços e diferenças educacionais na região, com professores presentes, integrados e compromissados com o ato de educar.

Paralelo às ações, estão sendo desenvolvidos projetos integrados de provas e simulados preparatórios para o Enem, possibilitando aos alunos maiores chances de ingressar em um curso superior.

Atualmente, o professor Leon Guedes não está no quadro de professores do Some, mais continua ajudando, indo até as comunidades e participando diretamente na construção do projeto, idealizado por ele.

O nome do projeto Shaylon é a soma das iniciais dos nomes de Shayla e Leon, pelo fato dos dois terem trabalhado por mais der 10 anos juntos, com o mesmo objetivo.

 

 

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