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Mãe supera separação para formar os filhos: ‘Arregacei as mangas e fui trabalhar’

Em vez de ficar em casa chorando, quando se viu sem o marido e com dois filhos para criar, Arlene Lima venceu os seus medos.

 
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Há 11 anos, Arlene Lima viu seu casamento acabar. Com dois filhos para criar, ela enxugou as lágrimas e decidiu reescrever sua história por meio do trabalho. Arlene só pensava em dar um futuro melhor para os filhos,e investiu na formação deles. O curso de Serviço Social, de sua filha, foi pago com o dinheiro da venda de bombons na Orla de Santarém, oeste do Pará.

“Quando precisei recomeçar a vida, a única coisa que eu tinha em mente é que tudo posso naquele que me fortalece. Não há quem pegue na mão de Deus e não seja vitorioso e feliz. Eu fiquei só com os meus filhos, mas eu queria o melhor pra eles. Então, eu arregacei as mangas e fui trabalhar”, contou Arlene.

Arlene Lima com os filhos Amanda e Ronilson — Foto: Reprodução/Facebook Arlene Lima com os filhos Amanda e Ronilson — Foto: Reprodução/Facebook

Arlene Lima com os filhos Amanda e Ronilson — Foto: Reprodução/Facebook

Ela morava em Marabá quando ocorreu a separação. Foi então que recebeu o convite de familiares para retornar em Santarém. Arlene conta que quando voltou para Santarém, podia ter ficado em casa chorando pelo fim do casamento, mas ela sabia que podia mergulhar em tristeza e depressão. “Eu tornei o meu trabalho, a força de estar em pé, de ver gente bonita lá na orla e ao mesmo tempo vendendo bombons. Quando vendi o primeiro bombom, eu disse: Meu Deus, isso vai dar certo. E fui orando e já consegui vender até 2 salários mínimos em bombom”.

Dia após dia, Arlene foi percebendo que a venda de bombons na orla estava garantindo o seu sustento e dos filhos Amanda Lima Fidelis e Ronilson Junior. Ela conseguiu pagar a faculdade de sua filha, no Centro Universitário Luterana de Santarém (Ceuls/Ulbra), que se formou em Serviço Social, e se orgulha de nunca ter atrasado as mensalidades um dia sequer. Amanda tem 25 anos, já está casada e não mora mais com a mãe. Já Ronilson, que continua morando com a mãe, tem 25 anos e está fazendo graduação na Ufopa.

“A venda de bombons na orla já me possibilitou realizar alguns sonhos. Já viajei de avião, inclusive com a minha filha, fiz a minha festa de 50 anos à borda da piscina do hotel Barrudada. É um meio de sobrevivência, mas ao mesmo tempo é uma distração e eu faço tudo para estar lá na orla”, revelou Arlene.

Arlene Lima ao centro, com o genro Allen Iago, a filha Amanada Lima e o netinho Asael — Foto: Reprodução/Facebook Arlene Lima ao centro, com o genro Allen Iago, a filha Amanada Lima e o netinho Asael — Foto: Reprodução/Facebook

Arlene Lima ao centro, com o genro Allen Iago, a filha Amanada Lima e o netinho Asael — Foto: Reprodução/Facebook

Após uma década trabalhando na venda de bombons na orla, hoje Arlene já se permite alguns dias de folga na semana ou um tempo menor dedicado ao trabalho. Às quartas-feiras, por exemplo, ela frequenta uma célula (grupo de oração) da igreja. Nesse dia, ela primeiro vai para a célula e só depois vai até à orla vender seus bombons. Quando tem algum evento, como aniversário, casamento, também se permite não ir trabalhar.

“Como sou eu mesma que pago as minhas necessidades, eu me programo. E quando não necessita ir à noite eu vou vender durante o dia, no Centro, nas feiras”, contou Arlene.

Artesanato

Nas horas vagas, em casa, Arlene descobriu uma nova paixão: o artesanato. Ela compra canetas esferográficas e decora com uma cabeça de boneca com touca de crochê e plumas. Cada canetinha é vendida por Arlene por R$ 5,00 e não faltam encomendas.

“Eu estou me aperfeiçoando como artesã, porque eu adoro o artesanato. Gosto muito de tecer crochê, porque é uma coisa que acalma os nossos nervos. Eu estou preparando peças para divulgar o meu trabalho primeiro em Santarém”, disse.

Arlene dedica o tempo livre a produção de peças de crochê — Foto: Reprodução/Facebook Arlene dedica o tempo livre a produção de peças de crochê — Foto: Reprodução/Facebook

Arlene dedica o tempo livre a produção de peças de crochê — Foto: Reprodução/Facebook

Arlene não para e quer fazer a diferença por onde ela passa. No cantinho da cozinha, uma vassoura chama a atenção de quem chega. O cabo é revestido por uma capa de crochê adornada com uma flor. Quem vê a peça fica encantado e vai logo encomendando uma igual. Segundo Arlene, turistas têm comprado muitas das suas peças de crochê.

“Se a gente quer fazer a diferença a gente tem que ter como. Então eu busco na área do artesanato a alegria, ajudar o outro a sorrir, levar um presentinho para alguém. E eu tenho um sonho de chegar lá no programa da Ana Maria Braga para mostrar o meu trabalho”, disse Arlene.

Empreendedorismo

Além dos bombons de chocolate que vende na Orla de Santarém e do artesanato, Arlene pensa em empreender ainda mais. Já está saindo do forno mais um projeto: colocar o bombom “Gostoso” – nome dado por ela – ao bombom de leite condensado que ela pretende espalhar em supermercados, mini box, salões de beleza e padarias da cidade.

“Apesar da alegria que me dá a venda de bombons na orla, mas é uma atividade cansativa e por isso eu pretendo diminuir um pouco mais o ritmo. Então, a venda do ‘Gostoso’ nos comércios é uma aposta que eu creio em Deus que vai dar certo”, destacou.

Da Orla para o teatro

Da Orla para o teatro, Arlrene Lima faz participação no espetáculo As Mocorongas — Foto: Reprodução/Facebook Da Orla para o teatro, Arlrene Lima faz participação no espetáculo As Mocorongas — Foto: Reprodução/Facebook

Da Orla para o teatro, Arlrene Lima faz participação no espetáculo As Mocorongas — Foto: Reprodução/Facebook

De tanto ver Arlene com sua cestinha repleta de trufas de chocolate na Orla de Santarém, integrantes do grupo de teatro Papa Chibé tiveram inspiração para compor o personagem “vendedora de bombons” na peça “As Mocorongas”.

“É muito engraçado. A peça está sendo apresentada normalmente, quando de repente um dos atores diz: ‘Aqui ela não está. Não, aqui ela não está’. Aí eu entro falando: ‘trufas de uva, quem vai querer?’. É um carinho tão grande, a plateia levanta aplaude e ri. Além de ser muito legal, as vendas aumentam bastante”, concluiu Arlene.

 

 

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