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Veja o que está em jogo nas eleições da Austrália, país com quase 30 anos de PIB em alta

Mesmo com economia estável, brigas internas nos partidos tornam o resultado do pleito pouco previsível. Imigração, China e meio ambiente estão entre os temas debatidos.

 
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Mais de 16 milhões de eleitores vão às urnas neste sábado (18) nas eleições gerais na Austrália. Em um país conhecido pela alternância de poder, a oposição liderada pelo Partido Trabalhista tem chances de derrotar o atual governo, formado por uma coalizão liberal-conservadora.

A Austrália registra crescimento econômico ininterrupto há quase 30 anos – apesar da recente desaceleração das altas consecutivas. Porém, mesmo em um cenário estável, a campanha teve momentos tensos. O atual primeiro-ministro, Scott Morrison, foi atingido por um ovo durante um dos compromissos eleitorais.

Além disso, segundo a agência France Presse, cresce na Austrália o ceticismo com os partidos políticos tradicionais. Há, inclusive, uma chance de o nacionalista Clive Palmer conquistar uma vaga no Senado com um slogan muito semelhante ao da campanha de Donald Trump nos Estados Unidos: "Make Australia great".

Cartaz com campanha do nacionalista Clive Palmer ao Senado, em Melbourne — Foto: William West/AFP Cartaz com campanha do nacionalista Clive Palmer ao Senado, em Melbourne — Foto: William West/AFP

Cartaz com campanha do nacionalista Clive Palmer ao Senado, em Melbourne — Foto: William West/AFP

Mesmo com uma campanha atribulada, o trabalhista Bill Shorten tem boas chances de se tornar o sexto primeiro-ministro australiano em uma década e bater o atual premiê. A vantagem, no entanto, é pequena.

Veja abaixo os pontos principais que norteiam a disputa nas eleições gerais da Austrália:

  • Mudanças climáticas e política energética
  • Manutenção da estabilidade econômica
  • Imigração
  • Relações com China e EUA
  • Crise na classe política

Leia mais detalhes sobre cada um desses pontos abaixo.

Mudanças climáticas e política energética

Protesto em 1º de Maio na Austrália contra construção de mina de carvão — Foto: Peter Parks/AFP Protesto em 1º de Maio na Austrália contra construção de mina de carvão — Foto: Peter Parks/AFP

Protesto em 1º de Maio na Austrália contra construção de mina de carvão — Foto: Peter Parks/AFP

A mudança climática e a política energética têm sido um calcanhar de Aquiles tanto dos governos do Partido Trabalhista como da coalizão Liberal-Nacional há mais de uma década, de acordo com a agência EFE.

De um lado, os governos trabalhistas receberam críticas por criarem um imposto sobre as emissões de dióxido de carbono, o que irritou o eleitorado.

De outro, ambientalistas criticam a coalizão conservadora por favorecer o uso do carvão para geração de energia e argumentar que as energias renováveis aumentam o preço das tarifas de eletricidade.

Além disso, as eleições deste sábado coincidem com fortalecimento dos protestos populares por medidas contra as mudanças climáticas. Os manifestantes rejeitam, ainda, o projeto de uma mina de carvão perto da Grande Barreira de Coral, um Patrimônio da Humanidade situado no nordeste da Austrália.

Manutenção da estabilidade econômica

Fogos de artifício marcam a chegada do Ano Novo em Sydney, na Austrália — Foto: Peter Parks/AFP Fogos de artifício marcam a chegada do Ano Novo em Sydney, na Austrália — Foto: Peter Parks/AFP

Fogos de artifício marcam a chegada do Ano Novo em Sydney, na Austrália — Foto: Peter Parks/AFP

A Austrália registra quase 30 anos de crescimento econômico ininterrupto e prevê leve melhora do PIB, que, no ano passado, cresceu 2,3%. Entretanto, há sinais de desaceleração que preocupam o eleitorado.

Embora o desemprego se mantenha estável em 5%, os trabalhadores enfrentam estagnação do aumento salarial e alto custo de vida. O preço da moradia, principalmente, preocupa os australianos, o que dificulta o aluguel para pessoas de baixa renda e a compra para famílias de classe média.

Scott Morrison, primeir-ministro da Austrália, discursa em encontro do Partido Liberal — Foto: William West/AFP Scott Morrison, primeir-ministro da Austrália, discursa em encontro do Partido Liberal — Foto: William West/AFP

Scott Morrison, primeir-ministro da Austrália, discursa em encontro do Partido Liberal — Foto: William West/AFP

O atual primeiro-ministro, Scott Morrison, conseguiu diminuir a desvantagem em relação aos adversários ao acusar o plano da oposição trabalhista de provocar aumento dos aluguéis e corte de milhares de empregos.

A coalizão liderada por Morrison, portanto, pretende manter o crescimento econômico e reduzir impostos, além de gerar mais empregos com projetos de mineração e desenvolvimento de estaleiros.

De acordo com a agência EFE, os trabalhistas apostam em incentivar a economia com acesso gratuito a creches, investimentos em hospitais e escolas e aumento de salários.

Imigração na Austrália

Trabalhadores voltam para suas casas após dia de trabalho em Sydney, na Austrália — Foto: Saeed Khan/AFP Trabalhadores voltam para suas casas após dia de trabalho em Sydney, na Austrália — Foto: Saeed Khan/AFP

Trabalhadores voltam para suas casas após dia de trabalho em Sydney, na Austrália — Foto: Saeed Khan/AFP

Com mais de 24 milhões de habitantes, concentrados principalmente na faixa litorânea do sudeste, a Austrália tem na imigração e no controle demográfico alguns dos principais assuntos de debate.

A chegada de estrangeiros, sobretudo nas cidades de Sydney e Melbourne, e a pressão sobre as infraestruturas levou o governo a reduzir a cota anual de imigrantes permanentes de 190 mil para 160 mil. Além disso, o país passou a adotar medidas para promover a migração a cidades do interior e de zonas rurais.

As políticas de imigração, marcadas pelo envio de solicitantes de asilo a centros de detenção em Nauru e Papua Nova Guiné, no Oceano Pacífico, tiveram um ponto de inflexão após as reivindicações de médicos, políticos e parte da população para melhorar o tratamento dos imigrantes. A pressão resultou em uma lei para facilitar as transferências por razões médicas à Austrália.

Mesmo assim, a coalizão governista defende o controle de fronteiras para evitar também a entrada de possíveis terroristas. O governo, porém, suavizou o discurso após o ataque supremacista ocorrido na Nova Zelândia em março, cometido por um australiano que matou 51 pessoas.

Relações com a China e com os EUA

Emabixada chinesa em Canberra — Foto: Reuters/Tim Wimborne Emabixada chinesa em Canberra — Foto: Reuters/Tim Wimborne

Emabixada chinesa em Canberra — Foto: Reuters/Tim Wimborne

As eleições também definirão o futuro do relacionamento com a China. Por um lado, o gigante asiático é o principal parceiro comercial da Austrália – os australianos representam a principal fonte de recursos naturais do gigante asiático.

Porém, Austrália e China têm relação tensa devido a recentes leis contra a interferência chinesa na política interna australiana. Isso depois de suspeitas sobre atividades de espionagem e ataques hacker recaírem sobre os chineses.

Também são motivos de preocupação para a Austrália os investimentos chineses no país, a militarização do mar da China Meridional e a prisão de ativistas em território chinês.

Seja qual for o resultado, a Austrália deve se manter como um aliado histórico dos Estados Unidos. Ambos os países têm longa e sólida parceria militar, de segurança e inteligência. As forças australianas, inclusive, participam de operações no Oriente Médio.

Além disso, a Austrália reconheceu Jerusalém Ocidental como capital de Israel no fim do ano passado – movimento semelhante ao adotado por Donald Trump. A diferença é que o governo australiano não pretende transferir a embaixada local, que continua em Tel Aviv.

Crise na classe política

Ex-primeiro-ministro da Austrália, Malcolm Turnbull, deposto em 2018  — Foto: Mark Graham / AFP Ex-primeiro-ministro da Austrália, Malcolm Turnbull, deposto em 2018  — Foto: Mark Graham / AFP

Ex-primeiro-ministro da Austrália, Malcolm Turnbull, deposto em 2018 — Foto: Mark Graham / AFP

Desde 2007, nenhum primeiro-ministro australiano conseguiu completar um mandato. Em 2010, Julia Gillard desbancou o então primeiro-ministro, Kevin Rudd, por conflitos internos no Partido Trabalhista que três anos depois serviram para Rudd devolver na mesma moeda e tirá-la do cargo.

Após ganhar as eleições em 2013, o liberal Tony Abbott também passou pelas turbulências das intrigas dentro da legenda. Em 2015, ele perdeu a liderança do partido para Malcolm Turnbull, que três anos depois renunciou devido a uma crise no governo e foi substituído por Scott Morrison em agosto de 2018.

Abbott, que está por trás da última revolta contra Turnbull, não descarta assumir novamente a liderança do Partido Liberal. No entanto, ele corre o risco de perder, nestas eleições, a cadeira de parlamentar que ocupa desde 1994.

Raio-X: Austrália — Foto: Igor Estrella/G1 Raio-X: Austrália — Foto: Igor Estrella/G1

Raio-X: Austrália — Foto: Igor Estrella/G1

 

 

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