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Foto de buraco negro alia duas teorias de Einstein

A cientista Lia Medeiros conta sobre sua participação no projeto que registrou a primeira imagem de um buraco negro

 
jorusp

download do áudio A fotografia de um buraco negro foi considerada uma grande vitória por parte da ciência. A imagem é tão importante porque, além ser inédita, também comprova teorias previstas por Albert Einstein há cerca de 100 anos. A realização desse feito foi resultado do esforço de diversos cientistas. Dentre eles, a única brasileira foi Lia Medeiros, pós-doutoranda pelo Instituto de Estudos Avançados em Princeton (EUA) e participante da equipe do Telescópio de Horizonte de Eventos (EHT), responsável pela foto. O Jornal da USP no Ar conversou com a jovem cientista e com o professor Rodrigo Nemmenn, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, para entender melhor a importância desse trabalho.

O projeto ETH é colaborativo: mais de 200 pesquisadores de 20 países participaram da obtenção da foto. Lia explica como isso foi possível: “Nós não construímos um novo telescópio. Nós conseguimos juntar um grupo de telescópios espalhados pelo mundo todo, que já existiam antes desse projeto. Assim, eles podem funcionar como um único aparelho praticamente do tamanho da Terra. Esse conjunto consegue fazer uma imagem de resolução incrivelmente alta, a maior que a humanidade já conseguiu fazer”.

Primeira foto de um buraco negro supermassivo no centro de Messier 87 – Foto: EHT
Essa realização é relevante porque conseguiu provar na prática a possibilidade de integração entre duas das teorias mais famosas da Física: a da Relatividade Geral (Gravidade) e a da Física Quântica. “Hoje em dia, essas teorias são a base da Física Moderna. Ambas foram testadas separadamente muitas vezes, e se comportam bem com esses experimentos isolados. Porém, existem muitos problemas quando você tenta unir essas duas teorias. O melhor jeito de entender a interação entre elas, no meio científico, é fazer um experimento, no qual é necessário um sistema de massa muito grande, para que a Teoria da Gravidade seja aplicada, e ao mesmo tempo muito pequena, para que a Teoria da Física Quântica também seja importante. Buracos negros são bons objetos de estudo para isso, então queríamos entender melhor como isso acontece, e o melhor jeito de fazer isso é pela observação por imagens”, conta a cientista.

Já existiram tentativas de registrar um buraco negro anteriormente, mas nenhuma obteve sucesso por conta da necessidade de altíssima resolução, que só podia ser conseguida como agora a partir da união de inúmeros telescópios ao redor do globo. A escala surpreende: Lia conta que “o tamanho, no céu, da foto do buraco negro seria equivalente a você pegar uma laranja, colocá-la na superfície da Lua e tentar tirar uma foto dessa laranja estando na Terra”.

O impacto da pesquisa fez com que Lia fosse homenageada em um evento comemorativo em Brasília. Num momento em que há contingenciamento de verbas para a ciência brasileira, a descoberta mostra a importância do investimento em pesquisa científica. Mesmo vivendo e estudando fora do país, Lia demonstra sua vontade de estudar em sua terra natal: “Sempre estive muito interessada na possibilidade de passar algum tempo aqui e criar um vínculo com a comunidade científica do Brasil, e creio que esses resultados me ajudarão nisso”.

No último dia 11, em rápida passagem pelo Brasil, a cientista, além de ceder uma entrevista ao Jornal da USP no Ar, também participou de um evento no Instituto de Astronomia e Geofísica (IAG).


Jornal da USP no Ar 
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