Mundo

Mundo

Fechar
PUBLICIDADE

Cultura

Grupos populares resistem ao capitalismo e preservam tradições

Na Rádio USP, o etnomusicólogo Alberto Ikeda analisa a persistência da música de tradição oral na atualidade

 
download do áudio download do áudio Ao mesmo tempo em que se dobram diante de interesses exploradores, as comunidades têm, em determinados momentos, plena consciência política de quem são e resistem às pressões que poderiam levar seus saberes tradicionais à extinção. Exemplos dessa resistência são as iniciativas de grupos indígenas brasileiros, que a partir de uma consciência política estão recuperando tradições quase esquecidas, como instrumentos de preservação de sua identidade. O mesmo acontece com a música de tradição oral de comunidades periféricas.

Bumba-meu-boi: comunidades tradicionais resistem às pressões que poderiam levar à extinção de seus saberes – Foto: Guimarães Edgar Rocha / Iphangovbr
Essas análises foram feitas pelo etnomusicólogo Alberto Ikeda, professor aposentado do Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e professor-colaborador da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, no programa USP Especiais, da Rádio USP (93,7 MHz), transmitido no dia 12 de junho de 2019. O programa teve como tema Música de Tradição Oral – Fim ou Persistência?.

Ouça nos links acima a íntegra do programa.

Jongo ou caxambu era dançado pelos negros que trabalhavam nas plantações de café do Vale do Paraíba – Foto: Divulgação / Gov. do Rio de Janeiro / cc by nd 3.0 brasil
Outro exemplo de resistência das tradições populares, segundo Ikeda, são as músicas gravadas na década de 30, no Norte e Nordeste do Brasil, pela chamada Missão de Pesquisas Folclóricas, organizada pelo escritor e folclorista Mário de Andrade. Rosa Amarela – uma dessas músicas – recebeu arranjo de Heitor Villa-Lobos e hoje é cantada nos Estados Unidos, na Espanha e na Inglaterra. “Muita coisa acaba”, reconhece Ikeda, “mas muita coisa é preservada e muitas coisas são reativadas com vigor, com consciência política.”

“Muita coisa acaba, mas muita coisa é preservada e muitas coisas são reativadas com vigor, com consciência política”, reflete Ikeda – Foto: Reprodução Revista USP 111 – MPB
Ikeda lembra que a ideia de que as culturas populares “vão acabar” remonta a uma visão antiga, compartilhada tanto por intelectuais de esquerda como por pensadores de direita. “Faz pelo menos 200 anos que estamos falando que as culturas indígenas vão acabar”, diz. Para o etnomusicólogo, trata-se de um “embate eterno”, travado entre as formas capitalistas de desenvolvimento econômico e os grupos tradicionais. Estes ora sofrem com a discriminação e a exclusão, ora demonstram “grande conscientização” e promovem iniciativas nas periferias para recuperar e manter seus saberes – como ocorre atualmente com a cultura negra, por exemplo.

Esse “embate” pode pender, nos próximos anos, para o lado contrário às comunidades tradicionais, lamenta Ikeda. Para ele, a “nova política” do governo federal – baseada em crenças religiosas mais conservadoras – pode representar um revés para as comunidades tradicionais, porque ela deve acirrar os preconceitos contra esses grupos, considerando-os “primitivos”. “Na verdade, um índio xavante ou guarani é tão contemporâneo como nós”, ensina.

Além da entrevista com Ikeda, USP Especiais apresentou gêneros musicais tradicionais, como bumba-meu-boi, samba-de-roda e jongo.

O programa USP Especiais – Música de Tradição Oral – Fim ou Persistência? teve roteiro de Vitor Ramirez, aluno do Departamento de Música da ECA e estagiário da Rádio USP. A locução e a montagem foram de Vitor Ramirez e do jornalista Gustavo Xavier, da Rádio USP.

jQuery(document).ready(function($) { $.post('https://jornal.usp.br/wp-admin/admin-ajax.php', {action: 'wpt_view_count', id: '252942'}); });

 

 

PUBLICIDADE

Curiosidades

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE