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A identidade musical de Santarém é não ter um estilo único de música

A cidade é marcada pelos vários ritmos musicais que reuniu durante os 358 anos de existência.

 
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As belezas naturais de Santarém, no oeste do Pará, inspiram compositores a criar canções que caiam no gosto popular, mas tais composições não têm um ritmo específico que possa identificar a cidade. Quem garante são os musicistas santarenos.

As águas do rio Tapajós podem levar os moradores ao mundo e com toda sua intensidade podem trazer o mundo à cidade. Por serem movimentadas e cheia de encantos, vários ritmos e músicas chegaram até Santarém. E se o povo mocorongo não tiver ritmo, ele inventa, mescla e une.

A Pérola do Tapajós é lembrada de forma marcante pelos seus filhos por meio de canções que falam especificamente do amor à cidade, natureza e peculiaridades. O ritmo musical é o paraense, como o carimbó, a guitarrada, lambada, lundu marajoara, siriá, tecnobrega, calypso, mas nenhum desses ritmos é considerado santareno, de fato.

A ausência de uma identidade musical é perceptível. Partindo dessa percepção, o pluralismo de ritmos e gêneros faz parte do cotidiano da população, uma vez que a globalização cuidou de levar a todo território nacional e, claro, a Santarém, as tendências musicais que estão no cenário atual.

Uma cidade marcada pelo crescimento da propagação musical não foge aos grandes hits nacionais, desde sertanejo, forró e, aos finais de semana, os dançantes bailes funk. Dessa forma, Santarém é mais um exemplo da miscigenação e da influência da cultura de massa.

Músicas sobre Santarém

Nato Aguiar durante em apresentação em Santarém — Foto: Adonias Silva/G1 Nato Aguiar durante em apresentação em Santarém — Foto: Adonias Silva/G1

Nato Aguiar durante em apresentação em Santarém — Foto: Adonias Silva/G1

Canções que trazem a identidade cultural são as que o professor de música da Universidade Estadual do Pará (Uepa), Nato Aguiar, diz serem marcantes para lembrar de Santarém. Pois segundo ele, a cidade não tem um ritmo predominante, mas sim canções e compositores que exaltam a cidade.

As músicas, independente do ritmo, que expressam as belezas das paisagens santarenas: a mata, as lendas, o gostar de ser da cidade, fazem com que as canções sejam identificadas como santarenas.

“A cidade não tem ritmo específico, mas canções e letras fazem sermos identificados culturalmente e demonstrarmos através das músicas o amor que temos pela cidade e por sermos dessa cidade”, afirmou Nato Aguiar.

Um dos ritmos que identifica os paraenses é o carimbó, muito apreciado pelos artistas e povo santareno. Na cidade há muitos mestres e grupos de carimbó que fazem Santarém ser lembrada também através dessas músicas.

“O movimento de carimbó do oeste do Pará está legalizado dentro de um grande movimento. Os mestres estão fazendo difusão desse carimbó na região do Baixo Amazonas, mas o ritmo é paraense”, ressaltou Nato Aguiar.

Formação musical

Professor Cândido Araújo,e alunos do Instituto Wilson Fonseca em Santarém — Foto: Cândido Araújo/Arquivo Pessoal Professor Cândido Araújo,e alunos do Instituto Wilson Fonseca em Santarém — Foto: Cândido Araújo/Arquivo Pessoal

Professor Cândido Araújo,e alunos do Instituto Wilson Fonseca em Santarém — Foto: Cândido Araújo/Arquivo Pessoal

A identidade musical de Santarém é não ter identidade. O forte da cidade é mesclar as culturas. Com a chegada de pessoas de outros locais, outros ritmos também chegam. Assim como o forró foi trazido pelos nordestinos.

O professor de música do Instituto Wilson Fonseca, Cândido Araújo, pontua a importância da identidade musical através de grandes compositores do Tapajós. As canções e o reconhecimento internacional deles fazem com que a cidade seja identificada musicalmente.

“O compositor Wilson Fonseca, com mais de 1.600 canções, e Sebastião Tapajós, que já foi reconhecido internacionalmente, levaram nossa cidade para o mundo. Eles ajudaram a construir a musicalidade santarena”, ressaltou.

Assim, desde os séculos passados a cidade está fortalecendo as raízes musicais e isso é o que forma essa identidade, que vem mudando através do tempo.

“Hoje não temos aqueles ritmos de Santarém, porque desde as raízes indígenas e a vinda dos negros a música é formada. Isso trouxe a identidade única para Santarém”, destacou.

Mistura de ritmos

Grupo de carimbó El Puxirum — Foto: Everson Melo/Arquivo Pessoal Grupo de carimbó El Puxirum — Foto: Everson Melo/Arquivo Pessoal

Grupo de carimbó El Puxirum — Foto: Everson Melo/Arquivo Pessoal

Um grupo com formação nova, de apenas um ano e três meses e com atuação em Santarém, dá continuidade à cultura da região, representado a musicalidade de gerações antigas.

El Puxirum é o nome escolhido pelos cinco músicos que fazem apresentações em toda cidade, com músicas tradicionalmente regionais.

Everson Melo, percussionista e vocalista do grupo, destaca a paixão pela música regional e diz, que apesar de estudar em uma área diferente, vive dos eventos musicais.

“Eu não sou de Santarém. Vim de Belém para estudar e eu já tinha paixão pela música paraense. Assim como a cidade, a musicalidade me absorveu, desde o dia que cheguei. Eu vi uma apresentação da música “Um Poema de Amor” e ouvi todos cantando, me emocionou bastante”, lembrou.

“Um Poema de Amor”, de Wilson Fonseca, é a música que representa Santarém para o Everson. Mas outras músicas com diversos temas também o emocionam.

“A cidade não é feita de um ritmo e nesses seis anos que estou aqui, passei por vários grupos e eu precisava trabalhar em um grupo meu também. Nele, trabalhamos a guitarrada, o carimbó, a lambada. Então, o El Puxirum tem esse trabalho de juntar esses estilos que a cidade abrange. Santarém é essa mistura maravilhosa de ritmos”, finalizou.

 

 

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