Cidades

Cidades

Fechar
PUBLICIDADE

Cidades

Desembargador Vicente Malheiros ocupará cadeira que tem seu pai, Maestro Isoca, como patrono na AMB

Desembargador do TRT-8 é santareno e vai ser empossado no dia 28 de junho como primeiro titular da 27ª cadeira da Academia de Música do Brasil. Honrado , diz.

 
 -   /
/ /

As belezas da Pérola do Tapajós cantadas em doces versos e o legado de uma família levaram um santareno a ocupar uma das cadeiras da Academia de Música do Brasil (AMB), no Rio de Janeiro. O compositor, músico erudito e desembargador Vicente Malheiros da Fonseca, do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT-8), ocupará a cadeira que tem como patrono o saudoso maestro Wilson Fonseca, conhecido como Mestre Isoca – ilustre ícone da música de Santarém, no oeste do Pará.

O convite foi feito por telefone há quase um mês pelo presidente e fundador da instituição, o musicólogo, crítico, ensaísta e conferencista Dr. Luis Roberto Trench.

“Ele me contou sobre a academia e ao final disse que tinha um convite a me fazer. Falou que um dos patronos era meu pai, o maestro Isoca. Eu não existiria como compositor e músico se não fosse pelo meu pai”, contou.

Wilson Fonseca (Maestro Isoca) e seu filho Vicente Malheiros da Fonseca — Foto: Vicente Malheiros/Arquivo Pessoal Wilson Fonseca (Maestro Isoca) e seu filho Vicente Malheiros da Fonseca — Foto: Vicente Malheiros/Arquivo Pessoal

Wilson Fonseca (Maestro Isoca) e seu filho Vicente Malheiros da Fonseca — Foto: Vicente Malheiros/Arquivo Pessoal

Vicente Malheiros disse ainda que foi uma surpresa e uma honra ocupar como primeiro titular a cadeira que tem como patrono Maestro Isoca.

“O fato deles lembrarem de alguém da Amazônia, especialmente do Pará e particularmente da tradição cultural da nossa cidade, faz com que a gente chegue a imaginar se é verdade, se merecemos. O maior merecimento é do meu pai. Estou muito honrado”, ressaltou o desembargador.

Três patronos paraenses

Cada cadeira da AMB terá um patrono - nome eleito pela academia como tutor de cada uma de suas cadeiras. Do estado do Pará mais duas personalidades foram escolhidas junto com Maestro Isoca: Maestro Waldemar Henrique e a professora Rachel Peluso, de origem italiana e nascida Santarém.

Os compositores Raimundo Pinheiro, Waldemar Henrique e Wilson Fonseca  no Theatro da Paz em 1991 — Foto: Vicente Malheiros/Arquivo Pessoal Os compositores Raimundo Pinheiro, Waldemar Henrique e Wilson Fonseca  no Theatro da Paz em 1991 — Foto: Vicente Malheiros/Arquivo Pessoal

Os compositores Raimundo Pinheiro, Waldemar Henrique e Wilson Fonseca no Theatro da Paz em 1991 — Foto: Vicente Malheiros/Arquivo Pessoal

“A Rachel tocou na orquestra do meu avô e ele fez uma música para ela chamada ‘Rachelina’, e quando eu fui para São Paulo estudar música ela me mostrou a partitura original. Eu a tocava muito em Santarém”, relembrou o músico.

A trajetória das três personalidades já serviu de inspiração para Vicente Malheiros compor músicas. Essa foi uma das maneiras de prestar homenagens a estes grandes baluartes musicais.

Vicente Fonseca e Rachel Peluso em São Paulo (1963) — Foto: Vicente Malheiros/Arquivo Pessoal Vicente Fonseca e Rachel Peluso em São Paulo (1963) — Foto: Vicente Malheiros/Arquivo Pessoal

Vicente Fonseca e Rachel Peluso em São Paulo (1963) — Foto: Vicente Malheiros/Arquivo Pessoal

“Meu umbigo, meu espírito e minha inspiração são todos santarenos. Eu fecho os olhos e penso que estou em Santarém. Quase tudo que componho é sobre a nossa tradição, sou muito ligado a isso”,

A trajetória do músico erudito

Nascido e criado na música com a tradicional família Fonseca, iniciada por José Agostinho Fonseca e que já está na quinta geração de músicos, o músico e desembargador federal Vicente Malheiros é Chanceler de Honra do Brasil e integra a Academia Paraense de Música, a Academia de Letras e Artes de Santarém e outras entidades congêneres.

Wilson Fonseca e Vicente Fonseca (piano a 4 mãos), com Agostinho Neto que observa (1966) — Foto: Vicente Malheiros/Arquivo Pessoal Wilson Fonseca e Vicente Fonseca (piano a 4 mãos), com Agostinho Neto que observa (1966) — Foto: Vicente Malheiros/Arquivo Pessoal

Wilson Fonseca e Vicente Fonseca (piano a 4 mãos), com Agostinho Neto que observa (1966) — Foto: Vicente Malheiros/Arquivo Pessoal

O envolvimento da música começou com o pai e depois no Instituto Musical “Padre José Maurício”, em São Paulo, na década de 60. Desde pequeno mostrou aptidão aos instrumentos musicais sendo o piano o preferido.

A primeira composição de Vicente foi “Valsinha”, aos 10 anos de idade, quando ainda sonhava em ser maestro de orquestra sinfônica. Atualmente tem cerca de mil obras em seu catálogo.

Do sonho à fundação da academia

Os acadêmicos imortais da música brasileira e diretoria serão empossados no dia 28 de junho durante solenidade no Rio de Janeiro. Serão até 100 cadeiras ocupadas por grandes nomes da música de todos os estados brasileiros mais o Distrito Federal.

De um sonho até a fundação se passaram longos anos, mas que em 2019 se concretiza. “Foi um sonho de 22 anos atrás e deixei para que Deus mostrasse a época certa. Essa época certa é agora”, destacou o musicólogo e presidente da AMB, Luis Roberto Trench.

O musicólogo, crítico, ensaísta e conferencista Dr. Luis Roberto Trench é presidente da Academia de Música do Brasil — Foto: Divulgação O musicólogo, crítico, ensaísta e conferencista Dr. Luis Roberto Trench é presidente da Academia de Música do Brasil — Foto: Divulgação

O musicólogo, crítico, ensaísta e conferencista Dr. Luis Roberto Trench é presidente da Academia de Música do Brasil — Foto: Divulgação

“Qualquer pessoa inteligente está observando a decadência de instituições culturais do Brasil. Quando eu fundei a academia há três meses eu pensei em romper as amarras e ter um pensamento real de integração nacional, pensar no país, pensar em como podemos unir a federação através da música”, completou.

Os nomes que assumirão as cadeiras foram selecionados pelo crítico por serem expoentes na música erudita, entre compositores, maestros, músicos de maneira geral agregar a academia que, além de ser um panteão de grandes valores do Brasil, se una em torno de interesses nacionais.

“Na Europa as academias estão par-a-par com ministros, governantes e universidades. O que se vê no Brasil é uma estagnação, com todo respeito às outras academias que agregam pessoas de grande valor”, ressaltou Luís Roberto.

A escolha de Vicente a 27ª cadeira se deu pelo olhar de Luís Roberto pelo trabalho e legado na música.

“Vi no Vicente uma das personalidades mais sensacionais da música erudita brasileira. Tem feito seu trabalho com brilho, honestidade, é um compositor de grande porte que vem na linha do pai que é outro mestre da música. Exigência por exigência eu vi nele a pessoa perfeita para nossa academia”, finalizou o musicólogo.

 

 

PUBLICIDADE

Curiosidades

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE