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Debate entre presidenciáveis marca diferenças entre moderados e radicais

Pré-candidatos do Partido Democrata fizeram primeiro confronto em uma única noite; Joe Biden foi o que mais participou do encontro.

 
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O pré-candidato à presidência dos Estados Unidos Joe Biden foi quem mais participou por ser questionado por rivais no debate entre os postulantes à candidatura pelo Partido Democrata na quinta-feira (12).

No encontro, foram discutidos temas como o sistema de saúde e imigração. As divisões ideológicas dentro do partido ficaram marcadas entre as alas mais moderadas e mais radicais.

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O debate também deu uma chance aos candidatos que não têm muita projeção –eles puderam se apresentar a milhões de eleitores que começam a acompanhar a disputa.

Biden dominou uma parte significativa das discussões, respondendo fortemente quando senadores liberais que são seus maiores rivais, Bernie Sanders e Elizabeth Warren, o criticaram.

Diferentemente de debates anteriores, nos quais Biden ficou sem palavras e parecia surpreso pelas críticas que recebia, ele deu respostas agressivas.

Ele chamou Sanders de socialista, uma classificação que pode lembrar aos eleitores da afiliação do senador ao socialismo democrático. E Biden também atacou a proposta de Elizabeth Warren para aumentar os impostos em fortunas.

Vice-presidente de Barack Obama por duas vezes, Biden defendeu seu antigo chefe, que foi criticado por alguns pré-candidatos por deportar imigrantes e não fazer uma reforma maior do sistema de saúde.

Bernie Sanders, Joe Biden e Elizabeth Warren durante debate do Partido Democrata, em setembro de 2019 — Foto: David J. Phillip/AP Bernie Sanders, Joe Biden e Elizabeth Warren durante debate do Partido Democrata, em setembro de 2019 — Foto: David J. Phillip/AP

Bernie Sanders, Joe Biden e Elizabeth Warren durante debate do Partido Democrata, em setembro de 2019 — Foto: David J. Phillip/AP

“Eu estive ao lado de Barack Obama durante todos os oito anos, bons, maus e indiferentes”, disse Biden.

Suas vulnerabilidades apareceram, no entanto, nos minutos finais, quando ele foi perguntado sobre declarações antigas a respeito de integração nas escolas.

Ele falou sobre dar apoio aos professores, à falta de recursos para educadores e em um momento parecia incentivar pais a tocar discos para seus filhos para expandir seu vocabulário antes de discorrer sobre a América Latina.

“É o bastante”, disse Julian Castro, o ex-secretário de habitação da Casa Branca, que, durante o debate, polarizou com Biden.

Trump foi tema

Os candidatos debateram em um momento em que as pesquisas mostram que a maioria dos americanos acredita que o país caminha na direção errada no primeiro mandato do presidente Donald Trump.

No entanto, com nove meses de disputa pela nominação, os democratas, divididos, ainda precisam responder questões fundamentais sobre o próprio partido antes de enfrentar Donald Trump.

Público na universidade do Texas que recebeu o debate do Partido Democrata, em setembro de 2019 — Foto: Nick Wagner/Austin American-Statesman via AP Público na universidade do Texas que recebeu o debate do Partido Democrata, em setembro de 2019 — Foto: Nick Wagner/Austin American-Statesman via AP

Público na universidade do Texas que recebeu o debate do Partido Democrata, em setembro de 2019 — Foto: Nick Wagner/Austin American-Statesman via AP

A turma de 2020 do partido, que já teve duas dúzias de candidatos, caiu para quase a metade com as regras do partido que exigem mais intenções de voto e arrecadação.

Dez candidatos se qualificaram para o evento de quinta.

Os que estão no segundo pelotão, atrás de Biden, Warren e Sanders, estão sob pressão maior para se destacar. Eles todos atacaram Trump.

O senador de Nova Jersey Cory Booker chamou Trump de racista.

O ex-deputado pelo Texas Beto O'Rourke o chamou de supremacista branco. Kamala Harris, uma senadora da Califórnia, disse que as mensagens de Trump nas redes sociais deram “a munição” para ataques em massa recentes.

“Presidente Trump, você passou os últimos dois anos e meio tentando semear ódio, e por isso que não conseguimos fazer nada”, ela disse.

Legado de Obama

Além de Trump, os rivais de Biden também se colocaram contra o legado de Obama em momentos em que eles tentaram torpedear a experiência do ex-vice-presidente.

Sanders insistiu que Biden carrega a responsabilidade por milhões de americanos que foram à falência por causa do sistema de saúde conhecido como “Obamacare”.

Castro também questionou Obama e Biden sobre imigração, particularmente, pelo número de deportações que aconteceram.

Castro, um homem do Texas, de 44 anos, fez menções indiretas sobre a saúde de Biden, ao acusar o vice-presidente de se esquecer de um detalhe de seu próprio plano de saúde.

Se Biden, 76, for eleito, se tornará o presidente mais velho em um primeiro mandato.

“Você se esqueceu do que disse há dois minutos”, perguntou Castro, ao desafiá-lo no tema do sistema de saúde. “Não acredito que você disse há dois minutos que é preciso pagar pela participação e agora você se esqueceu. Eu estou honrando o legado de Barack Obama, e você, não.”

Uma noite só

O debate da ABC News foi o primeiro a ser limitado a apenas uma noite, depois que vários outros pré-candidatos largaram e outros não atingiram os novos critérios de qualificação.

Haverá um debate em outubro com mais pré-candidatos, que será dividido em duas noites.

Assim como as diferentes preferências políticas de cada político, os debates têm sido marcados por questões mais amplas de diversidade.

Em um aceno a uma coalizão diversa para derrotar Trump, os democratas tiveram o debate em um campus de uma universidade que tem tradição na comunidade negra dos EUA, a Texas Southern University.

O Texas, tradicionalmente republicano, é um estado que os democratas esperam conseguir converter.

Quatro homens brancos

O partido comemorou quando os EUA elegeram o Congresso mais diverso da história, nas eleições de metade de mandato em outubro do ano passado.

Alguns democratas, no entanto, ainda temem que alguém que não seja um homem branco pode enfrentar dificuldades em um confronto contra Trump. Além de Biden, havia outros três homens brancos no palco.

Armas de fogo

Junto com o sistema de saúde, a violência com armas de fogo foi um foco de discussões.

No mês passado, um ataque em massa deixou 22 mortos e duas dúzias feridos.

Beto O’Rourke notou que não havia ambulâncias, em alguns momentos, para levar todos os feridos ao hospital.

“Vamos, sim, tirar seus (rifles) AR-15, seus AK-47”, ele disse, enquanto o público incentivava.

A senadora Amy Klobuchar notou que todos os candidatos no palco são favoráveis a banir armas portáteis com carregadores com alta capacidade.

Ela dá preferência a um programa de recompra, no entanto.

Economia fora do debate

A economia não foi muito mencionada, apesar de vários pré-candidatos terem criticado Trump por suas medidas de comércio exterior e pela sua guerra tarifária com a China.

Pete Buttigieg, prefeito de uma cidade no estado da Indiana, disse que Trump tirou sarro de sua pré-candidatura, ao dizer que “gostaria de vê-lo fazendo um acordo com Xi Jinping”, o presidente da China.

Buttigieg respondeu que gostaria de ver Trump fazer um acordo com Xi Jinping.

Trump não comentou nada nas redes sociais. Mas Kayleigh McEnany, o secretário da campanha nacional, publicou um comunicado: “Obrigado à ABC e ao Partido Democrático por mais um comercial para o presidente Trump!”.

Mais cedo, Trump havia dito que gostaria de ver uma reprise, porque ele estaria viajando durante o debate. Ele previu que o candidato republicano será Biden, Warren ou Sanders.

 

 

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