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Como a bossa nova e a Disney impulsionaram H.E.R., revelação que esconde rosto e nome

Ganhadora de dois prêmios no Grammy canta no dia pop do Rock in Rio. Ela fala ao G1 sobre evitar falar o nome e mostrar olhos: Queria que tudo isso fosse só sobre a música mesmo .

 
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Quando a assessora de Gabriella Wilson ligou para o G1, veio o aviso: "Gostaria de lembrar para chamá-la apenas de H.E.R., por favor. Pode ser?"

Pode, é claro. Mas a impressão era a de que a californiana de 22 anos, atração do dia pop do Rock in Rio, seria uma dessas entrevistadas malas e pouco dispostas a conversar.

Mas não, não dá para falar mal "dela". Essa coisa de não usar o nome e quase nunca tirar os óculos escuros pouco tem a ver com marra.

H.E.R. é uma sigla para "Having Everything Revealed" (ou "Tendo tudo revelado"). É também uma forma de Gabriella poder andar na rua sem ser incomodada.

"Quando eu prendo o cabelo para trás e estou sem óculos quase ninguém me reconhece", explica ao G1, por telefone.

"É engraçado, porque quando arrumo mais o cabelo e boto óculos escuros é quando me reconhecem mais. Na maioria das vezes, é só parar de usar óculos que não sabem quem eu sou."

H.E.R.: Como será o show no Rock in Rio 2019?

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Mas a decisão de usar o pseudônimo e evitar mostrar os olhos vai além de querer tomar um café sem ter que fazer selfies com fãs, é claro:

"Tem a ver com a minha personalidade e o fato de eu ser sempre discreta. Estou aqui pelo amor que tenho pela música, e queria que tudo isso fosse só sobre a música mesmo."

Ok, vamos falar de música...

H.E.R. olha para suas estatuetas do Grammy de Performance R&B e álbum de R&B — Foto: France Presse H.E.R. olha para suas estatuetas do Grammy de Performance R&B e álbum de R&B — Foto: France Presse

H.E.R. olha para suas estatuetas do Grammy de Performance R&B e álbum de R&B — Foto: France Presse

Para o Grammy, a maior premiação da música, H.E.R. é o nome mais importante do R&B hoje. Venceu em duas categorias deste estilo, Performance e Álbum, neste ano.

Ao lado de outros nomes como Bazzi e Jorja Smith, ela representa a renovação do rhythm & blues americano, gênero surgido nos anos 40 com influências como jazz e corais de igreja.

Mas a formação dela vai além:

"Eu cresci ouvindo gêneros bem diferentes e a bossa nova foi um desses estilos que meu pai vivia tocando para mim. Fui ficando mais velha e comecei a perceber a influência em mim."

Ela diz que o som de artistas como João Gilberto abriu a perspectiva como cantora e instrumentista. "A bossa nova também me fez prestar mais atenção na música das outras partes do mundo."

O primeiro contrato foi assinado quando tinha 14 anos, após participar do reality show "The Next Big Thing", da Rádio Disney. A estreia veio três anos depois, em 2014, com o nome de Gabi Wilson, antes de adotar a sigla H.E.R., em 2016.

"Eu não era a mesma pessoa de antes. Eu precisei amadurecer, aprender comigo mesma o que é ser uma jovem mulher e decidi que estava pronta para lançar esse projeto."

E ela não parou mais. "Estar em premiações, turnês, programas de TV é uma forma de amplificar o que você faz. É levar para um outro nível de exposição. É assim que consigo trazer mais pessoas para os meus shows e isso é surreal. São coisas necessárias."

Mas a indústria musical da qual ela faz parte também tem outro lado. É comum, por exemplo, uma busca pela nova Amy Winehouse, nova Beyoncé, nova Rihanna, nova Cardi B.

"Às vezes as mulheres são envolvidas em uma competição. Sempre são feitas comparações, no geral, entre elas", lamenta.

"Não acho que a melhor forma de promover alguém seja transformando tudo em competição entre mulheres. Os homens não precisam lidar tanto com esse tipo de comentário. As mulheres têm que dar apoio uma às outras."

"Estão surgindo mais mulheres assumindo papéis que parte do mercado ainda não acha natural ter uma mulher ali. Já aconteceu de eu entrar em um estúdio ou durante um ensaio e pegar uma guitarra e algumas pessoas me subestimarem só por eu ser mulher."

Quem vê-la tocando guitarra e cantando, no próximo dia 5 de outubro, vai entender: além de boa de discurso, ela é boa de palco.

A cantora H.E.R., atração do Rock in Rio — Foto: Divulgação A cantora H.E.R., atração do Rock in Rio — Foto: Divulgação

A cantora H.E.R., atração do Rock in Rio — Foto: Divulgação

 

 

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