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Pesquisas de boca de urna apontam partidos de Netanyahu e Gantz muito próximos em eleições de Israel

Nenhum dos dois rivais na disputa quis declarar vitória diante de números muito próximos e da dependência de formar coalizão, no segundo pleito no país neste ano. Taxa de comparecimento às urnas superou a observada em abril.

 
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Pesquisas divulgadas nesta terça-feira (17), logo após o fechamento das urnas na eleição geral de Israel, indicam que o Likud, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, e o Azul e Branco, de Benny Gantz, devem conquistar quase o mesmo número de assentos no Knesset, o Parlamento israelense. Veja as projeções abaixo:

  • Channel 12 – Azul e Branco (34) x Likud (33)
  • Channel 13 – Azul e Branco (33) x Likud (31)
  • Emissora estatal Kan – Azul e Branco (32) x Likud (32)

Em discursos após a votação, tanto Gantz quanto Netanyahu celebraram os resultados e agradeceram apoiadores. Nenhum deles, porém, declarou vitória (leia mais adiante o que eles disseram).

Segunda eleição em Israel em 5 meses mostra eleitorado dividido

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Isso porque nenhum partido obteve, sozinho, os 61 assentos que representam a maioria do Parlamento de Israel. Portanto, qualquer sigla dependerá de uma coalizão com aliados para indicar o primeiro-ministro e iniciar o novo governo.

De acordo com projeção da emissora estatal Kan, a situação no momento é a seguinte:

  • Bloco liderado pelo Likud, com políticos de direita e religiosos: 56 cadeiras
  • Bloco liderado pelo Azul e Branco, com parlamentares de centro e esquerda: 54 cadeiras

Assim, o apoio do ex-ministro da Defesa do governo Netanyahu, Avigdor Lieberman, será crucial para determinar quem vai obter a maioria. O político – que lidera o Israel Nossa Casa, partido nacionalista que deve obter de oito a 10 cadeiras no Parlamento – rompeu com o primeiro-ministro dias depois da eleição de abril, o que levou à convocação destas novas eleições.

Lieberman, então, defendeu que a única saída para o fim do impasse será um governo de "união nacional" entre o Israel Nossa Casa e os partidos de Netanyahu ou Gantz.

"Há apenas uma opção para nós, que é a formação de um amplo governo de união nacional e liberal com o Israel Nossa Casa [seu partido]", afirmou.

Reações após a votação

Benjamin Netanyahu, líder do Likud e atual primeiro-ministro de Israel, discursa a apoiadores após boca de urna — Foto: Ammar Awad/Reuters Benjamin Netanyahu, líder do Likud e atual primeiro-ministro de Israel, discursa a apoiadores após boca de urna — Foto: Ammar Awad/Reuters

Benjamin Netanyahu, líder do Likud e atual primeiro-ministro de Israel, discursa a apoiadores após boca de urna — Foto: Ammar Awad/Reuters

Gantz e Netanyahu adotaram cautela nos discursos a apoiadores nesta noite, horas depois do fechamento das urnas e da divulgação das projeções.

O atual premiê voltou a mencionar o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trumptrunfo utilizado ainda na campanha eleitoral – e advertiu sobre a tensão com o Irã, acirrada após o recente ataque com drones na Arábia Saudita.

"Nós lutamos sem medo contra ameaça do Irã e de seus aliados", disse Netanyahu.

O líder do Likud também afirmou que Israel precisa de um governo "forte, sionista e estável" para conter as ameças externas e para "não depender dos partidos árabes".

"Esperem pelos resultados finais, mas uma coisa está clara: o estado de Israel está diante de uma oportunidade e um desafio históricos."

Benny Gantz, do partido Azul e Branco, durante discurso a correligionários após eleições em Israel — Foto: Amir Cohen/Reuters Benny Gantz, do partido Azul e Branco, durante discurso a correligionários após eleições em Israel — Foto: Amir Cohen/Reuters

Benny Gantz, do partido Azul e Branco, durante discurso a correligionários após eleições em Israel — Foto: Amir Cohen/Reuters

Momentos antes, Benny Gantz disse a aliados que vai trabalhar para construir um governo de unidade nacional.

"Vamos aguardar os resultados finais. Mesmo assim, do jeito que as coisas estão, nós cumprimos nossa missão", declarou Gantz.

O líder do partido Azul e Branco agradeceu o apoio de parlamentares que se engajaram na campanha nos últimos três meses e na corrida eleitoral anterior, em abril.

"Os israelenses votaram pela unidade, não pela corrupção", disse Gantz.

Segunda eleição do ano

Eleitor vota na eleição geral de Israel nesta terça-feira (17) — Foto: Corinna Kern/Reuters Eleitor vota na eleição geral de Israel nesta terça-feira (17) — Foto: Corinna Kern/Reuters

Eleitor vota na eleição geral de Israel nesta terça-feira (17) — Foto: Corinna Kern/Reuters

O país organizou nesta terça suas segundas eleições gerais em menos de um ano. Elas podem definir não apenas o futuro do governo, mas também o de Benjamin Netanyahu, o homem a ocupar por mais tempo o cargo de primeiro-ministro do país desde sua fundação.

Novamente o líder do Likud enfrentou o ex-comandante do exército Benny Gantz, do partido Azul e Branco, a exemplo do que aconteceu em abril.

De acordo com o Comitê Central de Eleições, 69,4% eleitores compareceram às urnas nesta terça-feira, na segunda eleição do ano. É uma taxa de participação superior à de 68,5% observada em abril.

Durante o dia de voto, Netanyahu alertou para um possível "desastre" na tentativa de animar seu eleitorado. "Alto comparecimento em redutos de esquerda. Percentagens de voto baixas nas fortalezas da direita. Desastre!", escreveu no Twitter.

Sem o apoio deles, "teremos um governo de esquerda com partidos árabes", disse.

Gantz, por sua vez, postou um vídeo de si mesmo debruçado na janela de um carro no trânsito durante um encontro com um apoiador. O co-líder de Gantz, Yair Lapid, instou os eleitores de esquerda a votar e disse:

"Bibi está mentindo", usando o apelido de Netanyahu.

Benny Gantz, líder do partido Azul e Branco, vota em Israel — Foto: Ronen Zvulun/Reuters Benny Gantz, líder do partido Azul e Branco, vota em Israel — Foto: Ronen Zvulun/Reuters

Benny Gantz, líder do partido Azul e Branco, vota em Israel — Foto: Ronen Zvulun/Reuters

Netanyahu tem ao seu lado partidos religiosos e o eleitorado ultraortodoxo. Caso consiga formar uma coalizão vitoriosa, Bibi, como também é chamado o atual premiê, obterá seu quinto mandato consecutivo e sexto no geral, incluindo um período em que esteve no poder nos anos 90.

Benjamin Netanyahu e sua mulher Sara votam em Jerusalem, em setembro de 2019 — Foto:  Heidi Levine/Pool/Reuters Benjamin Netanyahu e sua mulher Sara votam em Jerusalem, em setembro de 2019 — Foto:  Heidi Levine/Pool/Reuters

Benjamin Netanyahu e sua mulher Sara votam em Jerusalem, em setembro de 2019 — Foto: Heidi Levine/Pool/Reuters

Já Gantz tem a simpatia dos eleitores seculares (que defendem um estado laico, sem interferência da religião) e pode ser favorecido por uma aliança com partidos de esquerda. Ele também cortejou, pela primeira vez, o eleitor árabe-israelense, apesar de suas visões discordantes sobre a questão palestina. Acima de tudo, porém, Gantz aparece como a chance de tirar Netanyahu e seus aliados ultraortodoxos do poder.

O fator Lieberman

O fator decisivo da composição do novo governo pode ser um ex-amigo de Benjamin Netanyahu, que se desentendeu com o primeiro-ministro em abril e desencadeou a dissolução do Knesset e a convocação de novas eleições.

O apoio de Avigdor Lieberman pode ser o fator decisivo na eleição de Israel — Foto: Ammar Awad/ Reuters O apoio de Avigdor Lieberman pode ser o fator decisivo na eleição de Israel — Foto: Ammar Awad/ Reuters

O apoio de Avigdor Lieberman pode ser o fator decisivo na eleição de Israel — Foto: Ammar Awad/ Reuters

Avigdor Lieberman, um político de direita de origem russa, sempre apoiou o atual premiê e chegou a ser ministro da Defesa, mas é secular e se opõe a privilégios concedidos aos ultraortodoxos. Ele não concorda com a ideia de manter os religiosos isentos do serviço militar obrigatório e seu partido, o Israel Nossa Casa, rompeu a coalizão que dava maioria a Netanyahu no Parlamento.

Conforme explica o colunista Helio Gurovitz, a base eleitoral de Lieberman é o eleitor russo e de países da antiga Cortina de Ferro, que imigrou para Israel com o colapso da União Soviética. Tem repulsa pela esquerda e não difere em nada das posições de Bibi contra o estado palestino ou em favor da anexação de territórios ocupados. Mas tem relação tênue com a religião e prefere a manutenção do poder em instituições laicas a ver a expansão de leis e regras ditadas pelos ultraortodoxos.

Acusações de corrupção

Uma vitória pode significar para Netanyahu a chance de se livrar das acusações de corrupção que enfrenta. Ele pode virar réu em três processos diferentes, em possíveis casos de suborno, fraude e quebra de contrato e deve comparecer perante a Justiça exatamente um mês após as eleições desta terça.

Uma vitória eleitoral poderia permitir que seus aliados votem sua imunidade.

Anexação da Cisjordânia

Uma semana antes das eleições, em 10 de setembro, Netanyahu disse que, se for reeleito, irá anexar partes da Cisjordâniao Vale do Jordão e a porção norte do Mar Morto.

Ambos os territórios estão atualmente sob controle palestino e formam a fronteira com a Jordânia, país independente no Oriente Médio. Na região, vivem cerca de 65 mil palestinos e 11 mil israelenses.

Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, mostra áreas da Cisjordânia que pretende incorporar ao controle israelense — Foto: Amir Cohen/Reuters Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, mostra áreas da Cisjordânia que pretende incorporar ao controle israelense — Foto: Amir Cohen/Reuters

Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, mostra áreas da Cisjordânia que pretende incorporar ao controle israelense — Foto: Amir Cohen/Reuters

A promessa, anunciada na televisão, foi condenada por diversos envolvidos, como a Organização das Nações Unidas (ONU), países árabes, palestinos e adversários políticos em Israel.

Segundo a BBC, um porta-voz da ONU disse que a anexação "não teria efeito legal em nível internacional".

A Liga Árabe, uma organização que inclui 22 Estados, descreveu os planos de Netanyahu como "perigosos" e considerou que eles "torpedeariam" os fundamentos da paz.

Por outro lado, o ministro das Relações Exteriores da Jordânia, Ayman Safadi, alertou que a anexação poderia "levar toda a área à violência" e seu colega na Turquia, Meylut Cayusoglu, disse que a intenção era "racista" e "agressiva" no contexto pré-eleitoral.

O primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina, Mohammad Shtayyeh, havia declarado em um comunicado antes do anúncio sobre o vale do Jordão que o presidente de Israel era um "destruidor do processo de paz".

 

 

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