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Reino Unido e União Europeia podem estar mais próximos de solução para a Irlanda na negociação do Brexit

Imprensa britânica diz que negociadores do acordo estão perto de resolver questão da fronteira entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda.

 
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O governo britânico e a União Europeia estão próximos de resolver divergências sobre a fronteira entre a Irlanda do Norte – que faz parte do Reino Unido – e a República da Irlanda – país independente e integrante do bloco europeu. A informação foi divulgada pelo jornal "The Guardian" e pela agência Associated Press nesta terça-feira (15).

Segundo fontes, a fronteira aduaneira ficaria sobre o Mar da Irlanda, e não haveria uma divisão física entre os dois países. Assim, a Irlanda do Norte ficaria formalmente sob regime fiscal da República da Irlanda. Na prática, porém, o país teria uma fronteira livre com a União Europeia.

Fronteira da Irlanda é impasse para o Brexit — Foto: Infografia: Karina Almeida/G1 Fronteira da Irlanda é impasse para o Brexit — Foto: Infografia: Karina Almeida/G1

Fronteira da Irlanda é impasse para o Brexit — Foto: Infografia: Karina Almeida/G1

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A fronteira entre as duas Irlandas representa um impasse nas negociações sobre o Brexit pelos seguintes motivos:

  • Com o Reino Unido dentro da União Europeia, tanto a Irlanda do Norte quanto a República da Irlanda faziam parte do mesmo regime aduaneiro, no controle de bens e serviços.
  • Após o Brexit, os dois países devem ficar em regimes diferentes. Porém, uma fronteira com controles físicos reacenderia disputas entre ambas as Irlandas e poderia minar o acordo de paz de 1998, que pôs fim a violentos conflitos.

Apesar dos avanços nas discussões sobre a fronteira, os líderes europeus preferem manter cautela. O primeiro-ministro da República da Irlanda, Leo Varadkar, afirmou que há progressos, mas que as partes ainda têm passos a seguir. "As indicações iniciais são de que estamos progredindo, que as negociações estão caminhando na direção certa", disse.

"Mas se seremos capazes de concluir um acordo de saída revisado, que afinal é um tratado internacional, a tempo da cúpula de quinta-feira, isso ainda não está claro."

Leo Varadkar, primeiro-ministro da Irlanda, durante encontro com Boris Johnson, premiê do Reino Unido, em 10 de outubro — Foto: Noel Mullen/Handout via Reuters Leo Varadkar, primeiro-ministro da Irlanda, durante encontro com Boris Johnson, premiê do Reino Unido, em 10 de outubro — Foto: Noel Mullen/Handout via Reuters

Leo Varadkar, primeiro-ministro da Irlanda, durante encontro com Boris Johnson, premiê do Reino Unido, em 10 de outubro — Foto: Noel Mullen/Handout via Reuters

Lideranças do Partido Democrático Unionista (DUP, na sigla em inglês) – agremiação pró-Reino Unido na Irlanda – insistiram que a Irlanda do Norte deve se manter no regime aduaneiro de Londres. "Temos que ver flexibilidade por parte da União Europeia da mesma forma que mostramos nossa flexibilidade com as regulações sobre o mercado comum", afirmou Arlene Foster, líder da sigla.

"As pessoas precisam cair na real e entender que nós somos parte do Reino Unido, que vamos continuar parte do Reino Unido, e deve-se respeitar isso", concluiu.

Prazo se aproxima

Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido, chega a Downing Street em Londres para encontro nesta terça-feira (15) — Foto: Henry Nicholls/Reuters Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido, chega a Downing Street em Londres para encontro nesta terça-feira (15) — Foto: Henry Nicholls/Reuters

Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido, chega a Downing Street em Londres para encontro nesta terça-feira (15) — Foto: Henry Nicholls/Reuters

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, quer que o país deixe a União Europeia no prazo de 31 de outubro, mesmo se não houver acordo. Por isso, representantes correm para chegar a um consenso e evitar o chamado "Brexit duro".

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O negociador da União Europeia para o Brexit, Michel Barnier, deixou claro em uma reunião de ministros em Luxemburgo que se um acordo não fosse alcançado nesta terça-feira, seria tarde demais para enviar qualquer coisa para os líderes do bloco aprovarem em sua reunião na quinta e sexta-feira.

Se Johnson não conseguir fechar um acordo, poderá ocorrer uma separação desordenada que afetaria o comércio e os negócios, perturbaria os mercados financeiros e potencialmente levaria à cisão do Reino Unido.

Manifestantes pró-Brexit seguram cartazes que dizem 'Brexit agora' e 'nós votamos para sair [da União Europeia]' do lado de fora do Parlamento britânico em Londres — Foto: Isabel Infantes/AFP Manifestantes pró-Brexit seguram cartazes que dizem 'Brexit agora' e 'nós votamos para sair [da União Europeia]' do lado de fora do Parlamento britânico em Londres — Foto: Isabel Infantes/AFP

Manifestantes pró-Brexit seguram cartazes que dizem 'Brexit agora' e 'nós votamos para sair [da União Europeia]' do lado de fora do Parlamento britânico em Londres — Foto: Isabel Infantes/AFP

Mesmo que consiga a aprovação das grandes potências da Europa, Johnson ainda deve vender qualquer acordo para um parlamento britânico no qual ele não tem maioria.

Johnson, uma figura de destaque no referendo de 2016 que chegou ao poder como chefe do Partido Conservador em julho, prometeu tirar o país do bloco em 31 de outubro, independentemente de um acordo de saída ter sido alcançado ou não.

Porém, o Parlamento aprovou uma lei dizendo que não pode sair sem um acordo – e Johnson não explicou como ele pode contornar isso.

 

 

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