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Barcelona tenta se recuperar de mais uma noite de violência

Impacto da violência de sexta-feira deixou mais de 180 feridos em toda a Catalunha.

 
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A cidade de Barcelona amanheceu neste sábado (19) sob o impacto da violência da véspera, que deixou mais de 180 feridos em toda a Catalunha, e com uma nova manifestação separatista convocada para a tarde.

Após cinco noites de distúrbios na região motivadas pela condenação à prisão de líderes independentistas, a violência explodiu durante a noite em Barcelona e outras cidades, como Girona, Tarragona e Lleida.

Em toda a região, os serviços de emergência atenderam 182 pessoas e as forças de segurança anunciaram 83 detenções.

Os confrontos mais graves aconteceram em Barcelona, onde 152 pessoas foram levadas para centros médicos após horas de batalha entre manifestantes e policiais, que usaram balas de borracha, gás lacrimogêneo e jatos de água para abrir passagem pelas barricadas.

Depois de denunciar a ação policial, o grupo independentista de extrema-esquerda Arran convocou uma nova manifestação para este sábado na praça Urquinaona de Barcelona, epicentro dos distúrbios de sexta-feira.

O ministro espanhol do Interior, Fernando Grande-Marlaska, viajou a Barcelona para reuniões com os comandantes da operação policial.

Ao mesmo tempo, o presidente regional, o independentista Quim Torra, se reuniu com os prefeitos das principais cidades para analisar os incidentes.

Nascida da frustração de parte da base independentista, dois anos depois da tentativa de secessão da Catalunha de 2017, a violência representa um ponto de inflexão para o movimento separatista que celebrava sua natureza pacífica.

Os distúrbios começaram na segunda-feira, quando o Tribunal Supremo condenou nove líderes independentistas a penas de até 13 anos de prisão por seu papel na tentativa frustrada de secessão.

No mesmo dia foram registrados incidentes no aeroporto del Prat, parcialmente bloqueado pelos separatistas, e nas noites seguintes os distúrbios aconteceram no centro de Barcelona.

Na sexta-feira, após um dia pacífico de greve geral e de uma grande passeata em Barcelona, com 525.000 manifestantes segundo a polícia municipal, a violência atingiu o ponto máximo durante a noite.

"Isto não pode continuar assim. Barcelona não merece", afirmou neste sábado a prefeita da cidade, Ada Colau, partidária da celebração de um referendo sobre a independência na região.

Durante horas, milhares de manifestantes cercaram um cordão policial impotente que protegia o acesso à delegacia central da Polícia Nacional.

Centenas deles construíram barricadas em chamas e jogaram paralelepípedos, objetos de metal e fogos de artifício na direção dos policiais. Os agentes responderam com gás lacrimogêneo.

Na manhã de sábado, entre jornalistas e moradores, funcionários do serviço de limpeza tentavam retirar os escombros deixados pela confusão de sexta-feira.

No chão era possível observar pedaços de vidro, pedras e latas, além dos projéteis utilizados pela polícia. Pontos de ônibus quebrados, semáforos e lojas danificadas completavam a paisagem.

Depois de 10 anos avanço da campanha independentista, a região de 7,5 milhões de habitantes permanece dividida sobre a questão.

Confrontos em Barcelona, em foto de 18 de outubro — Foto: Pau Barrena/AFP Confrontos em Barcelona, em foto de 18 de outubro — Foto: Pau Barrena/AFP

Confrontos em Barcelona, em foto de 18 de outubro — Foto: Pau Barrena/AFP

Manifestantes pró-independência chegam nesta sexta-feira (18) a Barcelona depois de caminhar das cidades de Vic e Berga  — Foto: Josep Lago / AFP Manifestantes pró-independência chegam nesta sexta-feira (18) a Barcelona depois de caminhar das cidades de Vic e Berga  — Foto: Josep Lago / AFP

Manifestantes pró-independência chegam nesta sexta-feira (18) a Barcelona depois de caminhar das cidades de Vic e Berga — Foto: Josep Lago / AFP

 

 

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