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Boris Johnson pede uma resolução para o Brexit, mas oposição tenta adiar votação do acordo com a UE

Parlamentares do Reino Unido estão reunidos em sessão extraordinária para decidir se aceitam ou rejeitam o acordo do primeiro-ministro com a União Europeia.

 
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O primeiro-ministro Boris Johnson pediu ao Parlamento que apoiem o acordo do Brexit e disse esperar "que este seja o momento para finalmente alcançar essa resolução".

  • Parlamento impõe nova derrota a Johnson e adia decisão sobre o Brexit

O pedido foi feito durante seu discurso inicial na sessão extraordinária neste sábado (19), mas os parlamentares discutem a votação de uma emenda que pode adiar o pacto novamente. Já a ex-primeira-ministra Theresa May, derrotada três vezes na tentativa, disse que a sessão deste sábado é um "déjá-vu". (leia mais abaixo).

  • Veja perguntas e respostas sobre o dia que deve definir o futuro do Reino Unido

Como o prazo para o Reino Unido se retirar do bloco se aproxima – o Brexit está previsto para 31 de outubro – e há expectativa para saber se o governo britânico conseguirá, enfim, deixar a União Europeia com um bloco, a imprensa local chama este dia de "supersábado". Aliás, será a primeira sessão em um sábado desde a Guerra das Malvinas, em 3 de abril de 1982.

Boris Johnson durante sessão extraordinária do Parlamento Britânico — Foto: UK Parliament/Jessica Taylor/Reuters Boris Johnson durante sessão extraordinária do Parlamento Britânico — Foto: UK Parliament/Jessica Taylor/Reuters

Boris Johnson durante sessão extraordinária do Parlamento Britânico — Foto: UK Parliament/Jessica Taylor/Reuters

Na abertura dos trabalhos do Parlamento, Johnson disse ainda estar confiante de ter garantido o melhor acordo possível para deixar a União Europeia, alertando o parlamento de que há "pouco apetite" no bloco por mais atrasos.

De acordo com levantamento da BBC, o primeiro-ministro teria 310 votos a favor do acordo, sendo que são necessários 320 votos para a aprovação (considerando que ninguém se abstenha).

Parlamento Britânico durante sessão extraordinária para decidir o futuro do acordo do Brexit — Foto: UK Parliament/Jessica Taylor/Reuters Parlamento Britânico durante sessão extraordinária para decidir o futuro do acordo do Brexit — Foto: UK Parliament/Jessica Taylor/Reuters

Parlamento Britânico durante sessão extraordinária para decidir o futuro do acordo do Brexit — Foto: UK Parliament/Jessica Taylor/Reuters

Johnson instou os parlamentares a se unirem para começar a "curar as feridas na política britânica", dizendo que acreditava que a maioria dos parlamentares estava comprometida em entregar o resultado do referendo de 2016, que optou pela saída britânica do Reino Unido.

Ele sugeriu que novas negociações não seriam produziriam novos resultados e pediu aos oponentes do Brexit para que "abandonem a ilusão" de que qualquer atraso adicional ajudaria o Reino Unido.

"Julgo que alcançamos a melhor solução possível", afirmou.

Emenda pode adiar o acordo

Já o líder trabalhista da oposição Jeremy Corbyn afirmou que o povo deveria ter a palavra final no Brexit. "Entendo totalmente a frustração e o cansaço em todo o país e nesta Câmara. Mas simplesmente não podemos votar em um acordo ainda pior do que aquele que esta assembleia rejeitou três vezes", afirmou segundo a Reuters.

"Este acordo não é bom para empregos, é prejudicial para a nossa indústria e uma ameaça ao meio ambiente. Não é um bom acordo para o nosso país, e as gerações futuras sentirão o impacto", disse Corbyn.

O presidente da Câmara dos Comuns, John Bercow, quer colocar em votação uma emenda que, se aprovada, obrigaria o primeiro-ministro pedir à UE uma extensão de três meses ao Brexit. A oposição confirmou à BBC que vai apoiar este movimento.

A proposta escolhida por Brecow é do parlamentar independente Oliver Letwin. A emenda negaria a aprovação do acordo até que uma legislação para garantir que a implementação do divórcio fosse promulgada com segurança – medida que, por conta do pouco tempo, forçaria o primeiro-ministro a solicitar o adiamento do Brexit até 31 de janeiro.

John Brecow, presidente da Câmara dos Comuns, durante sessão extraordinária para discutir o futuro do acordo do Brexit — Foto: UK Parliament/Jessica Taylor/Reuters John Brecow, presidente da Câmara dos Comuns, durante sessão extraordinária para discutir o futuro do acordo do Brexit — Foto: UK Parliament/Jessica Taylor/Reuters

John Brecow, presidente da Câmara dos Comuns, durante sessão extraordinária para discutir o futuro do acordo do Brexit — Foto: UK Parliament/Jessica Taylor/Reuters

Letwin afirmou que é a favor do acordo de Johnson. Ele acredita que a emenda será usada apenas para impedir um Brexit sem acordo. Vale lembrar que o Parlamento já aprovou uma outra medida que também impede o primeiro-ministro de sair do bloco europeu sem acordo.

Segundo o jornal britânico The Guardian, o governo poderá atrasar a votação do acordo para terça-feira (22), se os parlamentares aprovarem esta emenda.

Se o Parlamento não aprovar o acordo, o Reino Unido pode se ver diante de mais um impasse sobre o Brexit. Boris Johnson quer que o país deixe a União Europeia em 31 de outubro com ou sem acordo, mas os parlamentares aprovaram uma proposta que impede uma retirada sem um pacto com o bloco. Além disso, os líderes europeus não parecem dispostos a aceitar um novo adiamento.

'Déjà vu' de May e apoio a Johnson

Theresa May discursa durante sessão extraordinária do Parlamento Britânico — Foto:  Parliament TV/REUTERS Theresa May discursa durante sessão extraordinária do Parlamento Britânico — Foto:  Parliament TV/REUTERS

Theresa May discursa durante sessão extraordinária do Parlamento Britânico — Foto: Parliament TV/REUTERS

Derrotada três vezes na tentativa de aprovar o acordo do Brexit com a União Europeia, a ex-primeira-ministra britânica Theresa May defendeu a proposta do atual premiê, mas disse que tem a sensação de um "déjà vu" (quando uma situação que está ocorrendo parece já ter acontecido).

Porém, May afirmou que os parlamentares deveriam "colocar o interesse nacional em primeiro lugar" e apoiar o acordo de Boris Johnson.

Ela disse que não deve haver um segundo referendo "simplesmente porque as pessoas não gostam do resultado do primeiro". Segundo May, votar em um acordo é a única maneira de evitar um Brexit sem acordo.

Novo referendo?

Neste sábado, milhares de manifestantes ocupam a porta do Parlamento Britânico para pedir que seja feito um novo refendo para definir o futuro do Brexit.

Protestos nas ruas de Londres pedem um novo referendo para o Brexit — Foto: REUTERS/Simon Dawson Protestos nas ruas de Londres pedem um novo referendo para o Brexit — Foto: REUTERS/Simon Dawson

Protestos nas ruas de Londres pedem um novo referendo para o Brexit — Foto: REUTERS/Simon Dawson

Em 2016, 17,4 milhões de eleitores, ou 52%, apoiaram o Brexit, enquanto 16,1 milhões, ou 48%, apoiaram a permanência na UE. Desde julho de 2017, existem 226 pesquisas sobre o tema. Desse total, 204 colocaram o apoio à permanência na UE à frente, sete deram a liderança para sair e algumas ficaram empatados.

No entanto, outras pesquisas sugerem que a maioria dos eleitores não mudou de ideia: 50% do público quer respeitar o resultado do referendo, 42% querem que a Grã-Bretanha permaneça na UE e 8% disseram que não sabem.

Os defensores do Brexit dizem que realizar outro referendo aprofundaria as divisões e prejudicaria a democracia.

O desafio para as forças pró-referendo é encontrar apoio suficiente no parlamento. Em abril, quando o governo realizou uma série de votos em várias opções do Brexit, um segundo referendo foi o mais popular, mas ficou aquém da maioria, perdendo 292 para 280.

Para especialistas, mesmo que outro referendo fosse acordado, levaria meses para se organizar a votação.

 

 

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