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Fé, força e devoção: conheça a história dos fiéis que andam 56 Km na ‘Romaria das Promessas’

Peregrinação começa na comunidade Baixa da Onça até a Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Em 2019 a romaria está inserida na programação oficial do Círio.

 
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Pai, mãe e uma filha. Assim começou uma das romarias mais antigas e tradicionais da programação das Festividades de Nossa Senhora da Conceição. A Romaria das Promessas chega a 36ª edição e o G1 resgata histórias de fé para mostrar porque a peregrinação emociona e conquista cada vez mais fiéis em um percurso de mais de 56 Km.

Todos os anos os romeiros saem da comunidade Baixa da Onça, localizada da rodovia Santarém-Jabuti por volta das 16h do dia 7 de dezembro e chegam na Igreja Matriz pela manhã do dia 8 de dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição.

Como tudo começou

Maria Chagas Rodrigues, mais conhecida como “Dona Pequena” viu e testemunhou como tudo começou. A romaria foi um compromisso de fé entre o seu pai e Nossa Senhora. Seu Manuel Ferreira, conhecido como “Cícero”, foi ao médico após notar uma quantidade grande de manchas na pele e ouviu da boca do profissional que se tratava de uma doença incurável.

“Saímos do consultório com essas palavras do médico, mas o meu pai não esboçou nenhuma reação de tristeza. Voltamos para casa e ele muito calmo e sereno”, contou.

Quando a Romaria das Promessas começou, o grupo de participantes era pequeno — Foto: Divulgação Quando a Romaria das Promessas começou, o grupo de participantes era pequeno — Foto: Divulgação

Quando a Romaria das Promessas começou, o grupo de participantes era pequeno — Foto: Divulgação

Ao chegar em casa o homem resolveu pedir o auxílio de Nossa Senhora da Conceição e firmou um compromisso: se ele ficasse curado, caminharia da comunidade Baixa da Onça até a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Santarém.

Poucos dias depois, o homem ficou curado e cumpriu a promessa. Ao lado da esposa e de uma das filhas caminhou 56 Km em agradecimento pela graça alcançada. Assim começou a Romaria das Promessas.

Como a romaria foi crescendo

Conforme membros da família recebiam as graças, mais pessoas começaram a sentir o desejo de caminhar com Maria junto à família da Dona Pequena na caminhada. Na segunda edição, cinco pessoas participaram da romaria e na seguinte o número aumentou para seis.

Atualmente, a romaria continua sendo “organizada” pela família de Dona Pequena. Os filhos, genros e demais integrantes da família deram continuidade à caminhada iniciada pelo patriarca, fazendo com que o evento se tornasse uma tradição familiar, se estendendo à comunidade cristã e público em geral.

Em 2015, os caminhantes já eram mais de 60 e em 2018 o número passou de 160. Em 2019 a expectativa é que o número aumente ainda mais. Isso porque a Romaria voltou à programação oficial das Festividades de Nossa Senhora da Conceição.

Romaria das Promessas: no chão de terra batida os caminhantes são motivados a seguir em frente — Foto: Divulgação Romaria das Promessas: no chão de terra batida os caminhantes são motivados a seguir em frente — Foto: Divulgação

Romaria das Promessas: no chão de terra batida os caminhantes são motivados a seguir em frente — Foto: Divulgação

Para Gilberto Dinelly, diretor da comissão de Círio e Berlinda, a inclusão da Romaria das Promessas é uma forma de oficializar o evento e garantir apoio, principalmente por parte dos órgãos de segurança para garantir a integridade dos fiéis.

“A igreja sempre deu apoio na chegada, dando café, água mineral e acomodando os caminhantes dentro da igreja. Esse ano eles entraram na programação no sentido de dar tranquilidade, pois apesar de ter começado com uma família, já tem um número expressivo de pessoas que acompanham esta procissão e para o Padre Valter, toda manifestação de fé que tenha é bem aceita, é viável e a gente colabora. Eles ficaram muito felizes com a notícia”, contou Dinelly.

Para Adriana Chagas, filha de Dona Pequena e uma das organizadoras da Romaria, ser inserido na programação é motivo de muita felicidade.

“Pra gente é motivo de muita alegria, pois lutamos muito para que a Romaria das Promessas voltasse para a programação. Principalmente pela segurança das pessoas que caminham”, disse.

Confraternização e devoção à Mãe de Jesus

Durante todo o percurso, várias homenagens são prestadas à Nossa Senhora. Nas primeiras romarias o número era bem menor, mas com o passar dos anos as famílias se reuniam e formavam na rodovia de chão um verdadeiro encontro de fé e solidariedade aos irmãos caminhantes.

Café, mingau, sopa, massagem, orações ou uma simples mesa decorada com uma imagem de Maria. Famílias se reúnem de diversas formas para expressar seu amor à Mãe do Salvador, assim como para prestar apoio e fraternidade aos romeiros. Atualmente, mais de 20 homenagens são feitas no percurso.

Famílias se reúnem para prestar homenagens à Virgem Conceição e distribuem alimentos, sucos e água aos caminhantes — Foto: Divulgação Famílias se reúnem para prestar homenagens à Virgem Conceição e distribuem alimentos, sucos e água aos caminhantes — Foto: Divulgação

Famílias se reúnem para prestar homenagens à Virgem Conceição e distribuem alimentos, sucos e água aos caminhantes — Foto: Divulgação

“Infelizmente a gente não pode parar, nem ficar muito tempo para as famílias prestarem as homenagens, porque são muitas, mas a gente sempre tenta contemplar todos. A gente se emociona em ver como as pessoas se mobilizam para homenagear, seja oferecendo um lanche para os caminhantes, ou para direcionar uma oração”, disse Marillu Roberta, uma das voluntárias da Romaria.

Trabalho coletivo

Para que a romaria aconteça, Dona Pequena contou que os preparativos começam dois meses antes. A família se prepara encaminhando ofícios e pedindo apoio para os órgãos de segurança. Posteriormente, pouco a pouco as coisas vão se encaminhando para que a romaria aconteça.

A casa de Dona Pequena vira o principal ponto de apoio, inclusive para os romeiros que são de comunidades ainda mais distantes. Um prato de comida, uma palavra amiga e um ambiente cheio de fé. Assim pouco a pouco os romeiros se sentem em casa. Assim como Maria acolhe seus filhos em um colo de amor, Dona Pequena abre as portas de casa para receber os fiéis.

“Eu providencio tudo com meu próprio recurso e faço isso com a maior alegria. Maria nos abençoa e as portas vão se abrindo. Na minha casa ninguém fica com fome”, contou Dona Pequena.

Todo tipo de ajuda é bem-vinda. A prefeitura de Mojuí dos Campos disponibiliza uma ambulância e um empresário local cede um ônibus. A coordenação da Caminhada de Fé com Maria disponibiliza camisetas e medicamentos e é com o trabalho coletivo que a família de Dona Pequena consegue realizar a romaria por 36 anos.

Para a edição 2019, a organização da Romaria das Promessas está precisando de um carro de som, para acompanhar o percurso. Os interessados em contribuir podem fazer contato com a família através do telefone (93) 99133-7767.

 

 

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