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Papa aceita renúncia de bispo americano acusado de encobrir casos de abuso sexual

Richard Malone, de Buffalo, aceitou reintegrar padre suspeito de abuso sexual e omitiu nomes de uma lista de acusados.

 
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O papa Francisco aceitou nesta quarta-feira (4) a renúncia de Richard Malone , bispo de Buffalo, nos Estados Unidos, que foi criticado pelos seus próprios subordinados e pelo público pela maneira como ele gerenciou denúncias de abuso sexual de padres.

O Vaticano emitiu um comunicado curto sobre a renúncia. O papa designou um outro bispo, Edward Scharfenberger, para a diocese, de forma permanente, até encontrar um substituto.

O Vaticano não disse por que Malone, 73, renunciou dois anos antes de chegar à idade de 75, em que a aposentadoria é compulsória.

No entanto, o Vaticano conduziu uma investigação recente na região oeste do estado de Nova York e como Malone administrou os casos de abusos.

A diocese foi nomeada em mais de 220 processos judiciais recentes de pessoas que alegam terem sido abusadas sexualmente por padres.

Muitas das alegações são referentes a denúncias antigas, que têm mais décadas. Malone chegou a Buffalo em 2012. Os críticos dizem, no entanto, que houve deslizes recentes dele.

Malone reintegrou um padre que havia sido suspenso por escrever “eu te amo” no perfil de rede social de um menino que está na oitava série.

Depois, o bispo apoiou o mesmo padre para um trabalho como chapelão em um cruzeiro, mesmo depois de ele ter feito avanços indesejados na direção de homens jovens.

Admitiu erros, mas se recusou a renunciar

O bispo admitiu que errou em casos em que havia jovens adultos vítimas, mas ele tinha se recusado a renunciar, mesmo com mais pressão para isso.

Nos últimos 12 meses, dois membros da equipe de Malone foram a público expressar suas preocupações em relação à liderança dele, incluindo seu ex-secretário, o reverendo Ryszard Biernat, que havia feito gravações secretas do bispo em que ele chamava um padre de um “cachorrinho doente”, mas sem destituí-lo.

Richard Malone durante uma entrevista coletiva em 5 de novembro de 2018 — Foto: Frank Franklin II/AP Richard Malone durante uma entrevista coletiva em 5 de novembro de 2018 — Foto: Frank Franklin II/AP

Richard Malone durante uma entrevista coletiva em 5 de novembro de 2018 — Foto: Frank Franklin II/AP

O assistente executivo, Siobhan O’Connor, vazou documentos internos da Igreja depois que Malone omitiu dúzias de nomes de uma lista de padres que enfrentavam alegações de abuso.

Em setembro, um grupo de católicos leigos que estavam cooperando com Malone pediram para que ele renunciasse.

Um padre da diocese pediu assinaturas para um abaixo-assinado em que as pessoas afirmavam que não confiavam em Malone.

O Vaticano fez um inquérito a respeito da diocese de Buffalo. O bispo Nicholas DiMarzio, que ficou responsável pela investigação, disse que entrevistou cerca de 80 pessoas e fez três viagens.

O relatório não foi tornado público.

Entre aqueles que pediram a renúncia de Malone está o ex-diretor de um seminário. Em uma carta, ele disse que a forma como a diocese gerenciou os casos de abusos é “nojenta e revoltante”, além de ter levantado dúvidas a respeito das práticas acadêmicas da instituição.

Pagamentos de R$ 75,6 milhões

Em abril, Malone suspendeu três padres depois que vários seminaristas reclamaram que os homens mais velhos os sujeitavam a discussões de teor sexual ofensivas durante uma festa.

Malone havia dito, no passado, que queria ser parte da renovação da diocese.

A Igreja fez pagamentos de mais de US$ 18 milhões (cerca de R$ 75,6 milhões) a mais de cem vítimas por um programa de compensações no ano passado.

Desde agosto, ela tem sido citada em uma onda de processos no estado de Nova York –uma lei estadual suspendeu a prescrição e abriu uma janela de um ano para que as vítimas possam pedir compensações independentemente de quando foi cometido o abuso.

 

 

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