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Derrubada de helicóptero na Síria reacende tensão com Turquia

Recep Tayyip Erdogan, presidente turco, disse que regime de Bashar al-Assad vai pagar caro caso haja novas ofensivas que atinjam tropas de Ancara.

 
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Milícias rebeldes do norte da Síria abateram um helicóptero militar do regime de Bashar al-Assad nesta terça-feira (11). O governo sírio acusa o grupo armado de ter apoio da Turquia e respondeu à ofensiva com bombardeios na região de Idlib. No ataque, soldados turcos morreram, em um episódio que aumentou a tensão entre os dois países.

Helicóptero abatido em Idlib, na Síria, nesta terça-feira (11) — Foto: Ghaith Alsayed/AP Photo Helicóptero abatido em Idlib, na Síria, nesta terça-feira (11) — Foto: Ghaith Alsayed/AP Photo

Helicóptero abatido em Idlib, na Síria, nesta terça-feira (11) — Foto: Ghaith Alsayed/AP Photo

O governo de Assad tenta retomar o controle do norte da Síria, enquanto a Turquia tem apoiado a presença dos grupos rebeldes e inclusive mantém soldados na região. Recentemente, as forças pró-Assad reconquistaram o último trecho da rodovia que liga a capital, Damasco, à cidade de Aleppo — uma das mais importantes do país.

Para aumentar a tensão, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse que o regime sírio "pagaria muito caro" por qualquer ataque contra as forças turcas.

Como foi a ofensiva?

Helicóptero militar sírio pega fogo após ser atingido por míssil em Idlib, na Síria, nesta terça-feira (11) — Foto: Ghaith Alsayed/AP Photo Helicóptero militar sírio pega fogo após ser atingido por míssil em Idlib, na Síria, nesta terça-feira (11) — Foto: Ghaith Alsayed/AP Photo

Helicóptero militar sírio pega fogo após ser atingido por míssil em Idlib, na Síria, nesta terça-feira (11) — Foto: Ghaith Alsayed/AP Photo

Pela manhã, forças apoiadas pela Turquia abateram com um foguete um helicóptero do Exército da Síria perto de Qaminas, cidade a sudeste de Idlib, afirma o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH). Os dois pilotos morreram. O governo da Turquia chamou o caso de "acidente aéreo", sem reivindicar qualquer responsabilidade.

A agência de imprensa oficial síria, Sana, disse que "o avião foi atingido por um míssil hostil na região de Al Nayrab, no sul de Idlib, o que levou à queda da aeronave e à morte de sua tripulação". Depois disso, forças do regime bombardearam áreas perto de um posto de observação turco na mesma cidade.

Bombeiros tentam apagar incêndio em caminhão após ataque em Idlib, na Síria, nesta terça-feira (11) — Foto: Ghaith Alsayed/AP Photo Bombeiros tentam apagar incêndio em caminhão após ataque em Idlib, na Síria, nesta terça-feira (11) — Foto: Ghaith Alsayed/AP Photo

Bombeiros tentam apagar incêndio em caminhão após ataque em Idlib, na Síria, nesta terça-feira (11) — Foto: Ghaith Alsayed/AP Photo

Pelo menos três pessoas morreram nesses ataques, informou o Observatório, que no entanto não sabia especificar se eram soldados turcos ou combatentes rebeldes aliados.

Com o conflito, quase 700 mil pessoas fugiram da ofensiva militar lançada em dezembro pelo regime Assad e pelo governo da Rússia na na região de Idlib. Esta é a onda mais significativa de pessoas deslocadas em nove anos de guerra, informou a ONU na terça-feira.

Aumento das tensões

Soldados turcos perfilados em Qaminas, na Síria, nesta terça-feira (11) — Foto: Omar Haj Kadour/AFP Soldados turcos perfilados em Qaminas, na Síria, nesta terça-feira (11) — Foto: Omar Haj Kadour/AFP

Soldados turcos perfilados em Qaminas, na Síria, nesta terça-feira (11) — Foto: Omar Haj Kadour/AFP

A Turquia, que tem 12 postos de observação no noroeste da Síria, enviou reforços para a área nos últimos dias. Já o Exército sírio reafirmou na terça-feira sua determinação em "responder às agressões do Exército turco".

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, manifestou nesta terça-feira seu apoio à Turquia e disse, em um tuíte, que "as agressões em andamento do regime de Assad e da Rússia devem terminar". Além disso, ele anunciou que o enviado especial dos EUA para a Síria, James Jeffrey, visitaria a Turquia "para coordenar as medidas de resposta".

O governo da ainda está em contato com Moscou, o principal aliado do regime de Bashar al-Assad, com quem fechou um acordo para estabelecer uma "zona desmilitarizada" sob o controle da Rússia e da Turquia em Idlib, que, na prática, não deu em nada.

Operação humanitária

Civis fogem de zona de confronto em Idlib, no norte da Síria, nesta terça-feira (11) — Foto: Ugur Can/DHA via AP Civis fogem de zona de confronto em Idlib, no norte da Síria, nesta terça-feira (11) — Foto: Ugur Can/DHA via AP

Civis fogem de zona de confronto em Idlib, no norte da Síria, nesta terça-feira (11) — Foto: Ugur Can/DHA via AP

Metade da província de Idlib e setores vizinhos nas regiões de Aleppo, Hama e Latakia, controlados pelos jihadistas de Hayat Tahrir al-Cham (HTS, ex-Al Qaeda síria), constituem a última fortaleza rebelde que escapa ao poder do regime de Assad na Síria.

Diante do êxodo de civis, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários anunciou uma "enorme operação humanitária" com a remessa, em fevereiro, de mais de 230 caminhões com comida através de dois pontos de passagem na fronteira turca, para servir 400 mil pessoas.

A maioria dos civis fugiu para o norte de Idlib, perto da fronteira com a Turquia, que Ancara fechou com medo de uma nova onda de migrantes.

Mais de 3,5 milhões de sírios encontraram refúgio na Turquia desde 2011, quando começou o conflito sírio, que já deixou mais de 380 mil mortos.

 

 

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