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PF de SC investiga saques irregulares de precatórios; prejuízo é de quase R$ 2 milhões aos cofres públicos

Cartórios e funcionários da Caixa estariam envolvidos no esquema criminoso. Ação cumpre mandados no Maranhão, Piauí, São Paulo e Pará.

 
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Uma investigação da Polícia Federal de Santa Catarina identificou saques irregulares de precatórios em diferentes cidades catarinenses e também em outros estados, e calcula um prejuízo de quase R$ 2 milhões aos cofres públicos. Uma operação, nomeada de Eleazar, foi deflagrada na manhã desta quarta-feira (12) para cumprir uma prisão preventiva no Maranhão e 19 mandados de busca e apreensão em Piauí, São Paulo, Pará, além do Maranhão para desarticular a organização criminosa que seria responsável pelos saques provenientes de ações judiciais em agências da Caixa Econômica Federal.

Em nota, a Caixa informou que "iniciou os procedimentos internos de apuração dos fatos e reforça que atua em colaboração com as investigações da Polícia Federal, mantendo colaboração integral com os trabalhos das autoridades".

A PF de Criciúma começou a apurar o caso há quase um ano, quando houve uma tentativa de saque de precatório com documentos falsos em uma agência da Caixa Econômica Federal em Capivari de Baixo, no Sul catarinense. “Não há mandados em Santa Catarina por enquanto porque o núcleo do grupo criminoso funcionava nesses outros estados. Mas a investigação continua”, explicou o delegado da PF de Criciúma, Rafael Broietti, que auxiliou na investigação.

O banco identificou a fraude nos documentos apresentados por uma advogada e acionou a Polícia Federal. “Os criminosos identificavam onde teriam saques disponíveis de ações judiciais, falsificavam as procurações que eram apresentadas pelos advogados para o saque”, detalhou Broietti.

Operação Eleazar foi deflagrada pela Polícia Federal de SC — Foto: PF/Divulgação Operação Eleazar foi deflagrada pela Polícia Federal de SC — Foto: PF/Divulgação

Operação Eleazar foi deflagrada pela Polícia Federal de SC — Foto: PF/Divulgação

A suspeita é que os criminosos se aproximavam dos advogados por aplicativos de mensagens. Cartórios no Maranhão e no Piauí seriam os responsáveis por falsificar os documentos e dois funcionários da Caixa do Maranhão são suspeitos de fornecer as informações. A Justiça determinou que os dois sejam afastados do cargos e o bloqueio e sequestro de bens deles.

A Polícia Federal ainda está verificando quantos advogados estão envolvidos e quais estariam cientes ou não da fraude, pois muitos podem sacar sem conhecer os clientes. “O advogado [do cliente] faz contato com outro advogado no local do saque. É comum no meio jurídico, dependendo o local onde é o saque do precatório”, disse Broietti.

Ainda conforme o delegado, as pessoas com direito ao precatório e que tinham seus documentos falsificados não sabiam do que ocorria. Por fim, o banco precisava ressarcir o saque e eles recebiam os precatórios, mas com atraso.

Parte da equipe catarinense da PF estava na manhã desta quarta no Maranhão. O homem com mandado de prisão preventiva não tinha sido localizada pela polícia até as 10h30. Todos os mandados de busca e apreensão tinham sido cumpridos em diversos locais, entre eles em dois cartórios suspeitos e na casa dos serventuários. Documentos foram apreendidos.

Os investigados podem ser indiciados pelos crimes de organização criminosa, estelionato majorado, violação de sigilo funcional e lavagem de dinheiro.

Um esquema criminosos semelhante já havia sido investigado em 2016 na Operação Lázaro e o nome da operação Eleazar faz alusão à operação anterior. "Eleazar é o nome em hebraico de Lázaro, o qual, de acordo com o Evangelho, teria sido ressuscitado por Jesus Cristo", informou a PF em nota.

Presos foram encaminhados inicialmente para a sede da Polícia Federal, em São Luís — Foto: Flora Dolores/O Estado/Arquivo Presos foram encaminhados inicialmente para a sede da Polícia Federal, em São Luís — Foto: Flora Dolores/O Estado/Arquivo

Presos foram encaminhados inicialmente para a sede da Polícia Federal, em São Luís — Foto: Flora Dolores/O Estado/Arquivo

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