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Cinema francês espera mudanças após crise do prêmio César

Demissão coletiva da diretoria permitirá renovar o conselho administrativo, composto por 21 pessoas, sendo menos de um terço de mulheres e uma média de idade elevada.

 
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O cinema francês respirava aliviado após a demissão coletiva da diretoria da Academia do prêmio César - alvo de críticas por sua gestão e de uma polêmica envolvendo o cineasta Roman Polanski - e espera, agora, mais democracia, modernidade e diversidade na instituição.

"Era um modo de funcionamento obsoleto, que, a cada ano, dava à luz uma cerimônia que não era a vitrine que o cinema francês desejava, motivo pelo qual acredito que esta foi uma decisão muito boa", disse na última sexta-feira (14) à rádio Europe 1 o cineasta Michel Hazanavicius, um dos signatários de uma petição lançada na segunda-feira por 400 personalidades do cinema francês, como Omar Sy, Jacques Audiard e Céline Sciamma, para exigir uma reforma aprofundada da Academia do César.

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Acusada de falta de transparência e de estar desconectada, a direção da Academia do César, presidida desde 2003 pelo produtor Alain Terzian, demitiu-se em bloco na última quinta-feira, a duas semanas da cerimônia de premiação mais prestigiosa do cinema francês. A academia arrastava uma polêmica envolvendo o cineasta Roman Polanski, acusado de estupro e cujo filme "J'Accuse" recebeu 12 indicações.

A demissão permitirá renovar o conselho administrativo, composto atualmente por 21 pessoas - entre elas os cineastas Costa Gavras, Claude Lelouch e Toni Marshall -, com menos de um terço de mulheres e uma média de idade elevada.

"J'accuse", filme de de Roman Polanski, recebeu 12 indicações no César. Associações feministas planejam protesto no prêmio. — Foto: Martin BUREAU / AFP "J'accuse", filme de de Roman Polanski, recebeu 12 indicações no César. Associações feministas planejam protesto no prêmio. — Foto: Martin BUREAU / AFP

"J'accuse", filme de de Roman Polanski, recebeu 12 indicações no César. Associações feministas planejam protesto no prêmio. — Foto: Martin BUREAU / AFP

'Fim de uma ditadura'

O Centro Nacional de Cinema (CNC) informou na sexta-feira que havia iniciado "um trabalho de diálogo" para renovar a organização do César, a pedido do ministro da Cultura francês, Franck Riester. O objetivo é obter um projeto de novos estatutos, que "será submetido ao voto de uma assembleia geral extraordinária" até o fim de março. Riester deseja que a nova direção seja "conduzida por um funcionamento democrático e de exigências de abertura, transparência, igualdade e diversidade".

O produtor Said Ben Said, muito combativo nos últimos dias, afirmou no Twitter que "o sistema de governança do César é um escândalo terrível".

"É o fim de uma ditadura", considerou, por sua vez, o diretor geral da Sociedade de Autores e Compositores Teatrais (SACD), Pascal Rogard, que não quis criticar o "regime paraguaio" de Alain Terzian. Para ele, "este comitê de direção estava completamente desconectado do cinema de hoje. Temos que arrumar as coisas e incluir sangue novo, para que cada um possa se sentir representado."

Tomada de consciência

Para a diretora de fotografia Caroline Champetier, membro do conselho administrativo, a demissão "era o mínimo que poderíamos fazer para conscientizar sobre o que se passa, e por novos ventos de mudança no cinema".

Mas além do César, a crise também simboliza, em sua opinião, "o fim do noivado entre o cinema e a televisão, ao trazer a questão do financiamento do cinema há 30 anos pelas redes de TV. Terzian era o símbolo", através de seus laços estreitos com o Canal+, produtor e transmissor da cerimônia e grande tesoureiro do cinema francês, disse à AFP.

O grupo Canal+ confirmou que a cerimônia será transmitida em 28 de fevereiro. Associações feministas convocaram para a noite de premiação uma manifestação de protesto contra as 12 indicações de "J'Accuse".

 

 

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