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Fechamento de fronteiras por coronavírus dificulta volta de brasileiros ao país

Ao G1, turistas relatam problemas ao serem pegos de surpresa durante viagens pela América do Sul e em cruzeiro pelo Pacífico Sul. Grupos ainda aguardam definição sobre como retornarão para casa.

 
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Adriana Barreiros, de 52 anos, e Marcelo Valentim, de 54, estavam velejando por Ushuaia, na Argentina, a caminho dos glaciares chilenos com três amigos quando foram surpreendidos pelo fechamento dos portos no Chile por causa da pandemia de coronavírus.

Eles então tentaram voltar para águas argentinas, mas foram avisados de que também a Argentina tinha fechado suas fronteiras. Confinados no barco, não sabem como fazer para retornar ao Brasil.

“No dia 15 (de março), fomos dar a saída de Ushuaia na imigração e lá, recebemos a notícia de que Chile havia fechado os portos. Voltamos para o barco e resolvemos então velejar pelos canais argentinos. Fizemos o documento de zarpar e nos preparamos para sair hoje (17) de manhã. Nos foi dado permissão para zarpar e hoje, 9 da manhã, soltamos as amarras. No meio da Baía de Ushuaia, a Marinha nos mandou voltar. Estamos confinados no barco”, relata ao G1 Adriana, que é professoram em Rio das Ostras (RJ).

Rua deserta em cidade onde barco de Adriana Barreiros e Marcelo Valentim está atracado na Argentina — Foto: Marcelo Valentim/Arquivo pessoal Rua deserta em cidade onde barco de Adriana Barreiros e Marcelo Valentim está atracado na Argentina — Foto: Marcelo Valentim/Arquivo pessoal

Rua deserta em cidade onde barco de Adriana Barreiros e Marcelo Valentim está atracado na Argentina — Foto: Marcelo Valentim/Arquivo pessoal

No momento, o casal e seus amigos estão com dinheiro e cartões de crédito e suprimentos que podem durar até um mês. Na cidade onde estão embarcados, apenas mercados e farmácias estão abertos. “O governo da terra do fogo pediu que todos os residentes fiquem em casa. Não podem sair à rua em mais de duas pessoas”, relata a professora.

Mas, segundo ela, os brasileiros viram na TV local que o prazo para deixarem o país é quarta-feira (18), mas eles não puderam confirmar a informação, já que não conseguem contato com a LATAM ou a Aerolíneas Argentinas. Na embaixada brasileira, foram orientados a procurar a companhia aérea.

“Nosso caminho seria voar daqui até Buenos Aires e de lá pro Brasil”, explica. O casal pretende ir diretamente ao aeroporto na manhã de quarta-feira, já que o local só tem tráfego e funcionários entre 6h30 e 8h30.

“Quando recebemos essa notícia, já não havia ninguém lá. Amanhã de manhã, às 6h30, vamos para o aeroporto ver se eles têm alguma solução. Queremos voltar para casa, mas não estamos vendo como”, diz Adriana.

Peru

Também no Peru brasileiros foram pegos de surpresa com a determinação do fechamento de fronteiras. Um grupo com cerca de 50 pessoas aguarda uma resposta do Itamaraty, que negocia com companhias aéreas um voo para retirá-los de Cusco.

Os turistas brasileiros relataram ao G1 que hotéis e comércio foram fechados e alguns não tinham onde ficar.

Brasileiros no Peru não conseguem voo de volta ao Brasil e estão 'presos' em aeroporto — Foto: Arquivo pessoal Brasileiros no Peru não conseguem voo de volta ao Brasil e estão 'presos' em aeroporto — Foto: Arquivo pessoal

Brasileiros no Peru não conseguem voo de volta ao Brasil e estão 'presos' em aeroporto — Foto: Arquivo pessoal

“Fomos pegos totalmente de surpresa. Avisaram pela manhã. Vamos ter que ficar até o dia 1º de abril. Mas não tem hotel. Está tudo fechado", contou a mineira Fernanda Eliopoulos, que viajou ao país com uma amiga no dia 7 de março e está no Aeroporto Internacional Alejandro Velasco Astete.

“Cheguei por volta da meia-noite no aeroporto. Nem entrei nem saí. Estou preso. Não tem voo para Lima. Ajudem a gente”, desabafou Ricardo Miranda, do Amazonas.

A gerente comercial Juliana Petinelli contou à reportagem que está em Cusco com dois irmãos e que o voo deles estava marcado para essa quarta-feira (18). No entanto, os voos estão sendo cancelados.

“A maioria [dos brasileiros] está em Lima e Cusco. Ontem decidimos vir para o Airbnb, pois não tem restaurante abertos e não teríamos como comer. Não é permitido sair às ruas. Em Lima, há vários relatos de pessoas sendo abordadas e presas”, afirmou.

Outra viajante mato-grossense que também está em quarentena no país, identificada apenas como Josiane, contou que está em Puno, cidade localizada no sul do Peru.

Ela viajou ao país sozinha no fim de semana e também está com a passagem marcada para essa quarta-feira (18).

“Vim para visitar o Lago Titicaca. Está tudo fechado, restaurantes, hotéis. Preciso voltar para o trabalho. Meu dinheiro está acabando e inflacionaram os preços de tudo”, contou.

Recusados em quatro países

Brasileiros a bordo do navio Norwegian Jewel ainda aguardam uma definição sobre como conseguirão voltar para casa. Após partir da Austrália no fim de fevereiro, a embarcação foi recusada em quatro países no Pacífico Sul por causa das medidas de contenção à pandemia.

Brasileiros que estão no navio Norwegian Jewel aguardam solução de retorno ao Brasil após embarcação ser rejeitada em quatro países da Oceania — Foto: Reprodução/Whatsapp Brasileiros que estão no navio Norwegian Jewel aguardam solução de retorno ao Brasil após embarcação ser rejeitada em quatro países da Oceania — Foto: Reprodução/Whatsapp

Brasileiros que estão no navio Norwegian Jewel aguardam solução de retorno ao Brasil após embarcação ser rejeitada em quatro países da Oceania — Foto: Reprodução/Whatsapp

A empresa responsável pelo cruzeiro definiu que a viagem seguirá para o Havaí, arquipélago pertencente aos Estados Unidos — o problema é que nem todos têm visto norte-americano, o que dificultaria a volta ao Brasil.

Ao G1, a passageira cearense Marta Soares assegurou que todos no Norwegian Jewel estão bem. "Não tem ninguém doente, e a companhia está dando o mesmo tratamento do cruzeiro: temos refeições, lazer e shows. Tudo o que um cruzeiro normal oferece", disse.

"O nosso problema é conseguir desembarcar e como voltar para casa — uma vez que todo nosso [trajeto] aéreo foi perdido e são vários os problemas de entrada em países e aeroportos", acrescentou.

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