Cidades

Cidades

Fechar
PUBLICIDADE

Cidades

Falta de orientação sobre coronavírus no Aeroporto de Belém preocupa paraenses que retornam ao Pará

Três paraenses voltaram a Belém, após viagem ao exterior e São Paulo. Eles relatam diferenças entre aeroportos por onde passaram e, mesmo sem sintomas, iniciaram auto-quarentena para evitar possível contágio a familiares.

 
 -   /
/ /

O Pará, até então, não tem transmissão comunitária do novo coronavírus, segundo os órgãos de saúde pública. O único caso já confirmado é de um morador de Belém que, possivelmente, contraiu a doença no Rio de Janeiro e está em isolamento monitorado. No entanto, passageiros que estiveram em países como Estados Unidos e Portugal, e cidades como São Paulo, relatam que ficaram preocupados ao sentir falta de informações sobre a pandemia no Aeroporto Internacional de Belém.

Não há informativos, nem álcool em gel nos guichês, por exemplo. Funcionários trabalham sem luvas e máscaras, como está mais comum em outros países, embora o uso dos itens não seja obrigatório na aviação. Segundo os relatos, a ausência de orientações no terminal para quem não apresenta sintomas também é motivo de alerta.

  • Governo restringe entrada de passageiros estrangeiros de voos internacionais

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que, seguindo orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS), não mede temperatura de forma indistinta em todos os passageiros, "pois não há base científica ou eficácia comprovada na identificação de pessoas infectadas em trânsito no aeroporto".

O foco, segundo a Anvisa, é o monitoramento dos casos com sintomas, que são relatados pelas aeronaves.

Segundo a Anvisa, orientações sobre isolamento e prevenção estão sendo largamente divulgadas em todas as mídias disponíveis. Em nota, informou ainda que pessoas sem sintomas não devem ficar retidas nos aeroportos, devem desembarcar e seguir orientações que estão sendo dadas à população.

Já governo do Estado disse que uma equipe deve atuar durante 24 horas com dois técnicos no terminal aeroportuário, orientando passageiros e distribuindo panfletos.

'Não tem controle'

O arquiteto Ugo Garcia, que decidiu ficar em 'quarentena voluntária' junto com a esposa, após retornar dos EUA, desembarcou em Belém por volta das 1h desta sexta (20), de um voo que teve escala em Campinas, em São Paulo.

No ponto de desembarque, ele relata que sentiu falta de precauções que, por exemplo, via com mais frequência em Nova York. "Chegamos em Belém, sem nenhum controle, o aeroporto não está cheio, mas a vigilância sanitária não se faz presente. Se fosse um país com certas precauções, deveríamos ter feito quarentena ainda em Campinas. Aqui, nada!", descreve.

Arquiteto relata falta de orientação sobre coronavírus no Aeroporto Internacional de Belém

Arquiteto relata falta de orientação sobre coronavírus no Aeroporto Internacional de Belém

A "auto-quarentena" foi a decisão do casal, seguindo as orientações do Ministério da Saúde, ao utilizar plano de hotel para permanecer hospedados antes de rever os familiares. "Ficaremos por precaução, pois temos familiares idosos", contou.

No retorno ao Pará, Ugo conta que muitos voos foram cancelados e os que foram mantidos saíram com lotação quase máxima. "Lá fora a gente via muita gente de máscara, mas voltamos ao país sem nenhum tipo de barreira e orientação. Acho que isso é um problema".

'Ainda falta conscientização'

Jornalista Anderson Araújo chama a atenção para a falta de conscientização sobre o Covid-19. — Foto: Arquivo Pessoal Jornalista Anderson Araújo chama a atenção para a falta de conscientização sobre o Covid-19. — Foto: Arquivo Pessoal

Jornalista Anderson Araújo chama a atenção para a falta de conscientização sobre o Covid-19. — Foto: Arquivo Pessoal

Ao voltar de Porto, em Portugal, o jornalista Anderson Araújo relata que viu muitas diferenças entre os aeroportos de Belém, São Paulo e Lisboa, de onde deixou o país europeu. Segundo ele, conforme o nível de alerta do lugar, o cenário mudava. Da Europa até a capital paraense, cada vez o nível de informação disposta aos passageiros foi diminuindo.

"O clima da viagem foi horrível. Sai de Porto logo após o decreto de estado de emergência, então as pessoas estavam meio assustadas e a cidade estava ficando vazia, com as medidas para tentar conter o contato social e evitar o contágio. No avião, até forneciam álcool em gel para quem precisava. Mas ao chegar em Belém, vi que a situação está pior. Não percebi campanha de informação, nem avisos sobre a higienização das mãos, sobre evitar contato, manter distância".

"Acho que está faltando uma campanha de conscientização, porque talvez as pessoas ainda não perceberam a gravidade", alertou.

Ao chegar em casa, o jornalista tomou uma série de estratégias para evitar o contato com os familiares - a mãe e a avó, de 77 anos, ambas diabéticas, o que as inclui no grupo de riscos. Desde a chegada, ele decidiu manter-se isolado no quarto, no período de 14 dias, recomendado pelo MS.

'Não tem conversa, é cumprir as medidas e ponto'

Advogado Paulo Squires retorna de São Paulo e relata falta de orientação, no aeroporto de Belém, para pacientes sem sintomas. — Foto: Arquivo Pessoal Advogado Paulo Squires retorna de São Paulo e relata falta de orientação, no aeroporto de Belém, para pacientes sem sintomas. — Foto: Arquivo Pessoal

Advogado Paulo Squires retorna de São Paulo e relata falta de orientação, no aeroporto de Belém, para pacientes sem sintomas. — Foto: Arquivo Pessoal

O advogado Paulo Victor Squires retornou na última quarta (18) de uma viagem a trabalho em São Paulo. Em cinco dias na capital paulista, ele acompanhou a cidade ficando cada vez mais vazia e parada, com o aumento dos números do Covid-19. Cinco mortes pela doença foram confirmada no estado de São Paulo, até então. "A cidade estava em ritmo de domingo, tinha ordem de não se cumprimentar, começaram os decretos informativos para as pessoas se recolherem de forma mais intensa, e isso era mostrado toda hora nos noticiários", contou.

"Mas quando desembarquei em Belém, o que me preocupou foi não ter orientação. Ouvimos pelo alto falante que estrangeiros não entrariam no Brasil, mas em Belém não vi nada disso", descreveu.

Na saída do aeroporto, ele entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde, onde conseguiu informações sobre o que fazer. Foi informado a permanecer em casa, mesmo sem os sintomas, por 14 dias. "Fui orientado, então, a procurar unidades de saúde somente se apresentar sintomas".

"Mesmo assim, me senti mais seguro recolhido em São Paulo, durante a viagem, porque lá as pessoas estão mais atentas. Aqui, é preciso ainda ter noção da dimensão da gravidade. Até conversei com minha família. Voltei com essas medidas mais drásticas de ficar em quarentena e não tem conversa, tem que cumprir as medidas e ponto", afirmou.

Serviço telefônico

Para esclarecimentos, foram disponibilizados os seguintes números do Departamento de Vigilância Epidemiológica: (91) 98417-3985, em regime de 24 horas; e (91) 3184-6110, 98568-3067 e 98568-6203, funcionando das 8h às 22h.

Infraero

Em nota, o õrgão informou que está em permanente contato com o Ministério da Saúde , Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e demais órgãos competentes nas esferas federal, estadual e municipal, para alinhar as práticas de prevenção à transmissão do Novo Coronavírus (Covid-19), e segue estritamente as orientações repassadas.

Ainda de acordo com a Infraero, emite avisos sonoros em todos os terminais da rede sobre os cuidados relativos à higienização das mãos e distanciamento entre pessoas, além de distribuição dos materiais encaminhados pelo Ministério da Saúde e Anvisa.

O órgão também afirmou que os profissionais que realizarem abordagem em meio de transporte com viajantes provenientes dos países com transmissão estão usando máscara cirúrgica em todos os momentos. Se houver passageiros com suspeita de contágio pelo Covid-19, passam a utilizar avental, óculos de proteção e luvas também.

Azul Linhas Aéreas

Em nota, a companhia Azul informou que está monitorando os desdobramentos a respeito do coronavírus e ressaltou que está seguindo todas as recomendações feitas pelos órgãos reguladores e pelo Ministério da Saúde.

Ainda de acordo com a companhia, tripulantes foram orientados a procurarem atendimento médico caso tenham voltado de viagens internacionais apresentando sintomas, além de disponibilizar equipamentos de proteção para os tripulantes que estão em contato direto com clientes a bordo e em solo.

CORONAVÍRUS

  • Últimas notícias sobre coronavírus

  • VÍDEOS: Coronavírus: perguntas e respostas

  • GUIA ILUSTRADO: sintomas, transmissão e letalidade

  • Veja o que é #FATO ou #FAKE sobre o coronavírus

  • Quanto tempo o novo coronavírus vive em uma superfície ou no ar?

  • Máscaras servem para proteção contra o novo coronavírus?

  • Como se prevenir do coronavírus?

 

 

PUBLICIDADE

Curiosidades

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE