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Toni Garrido sugere 10% da renda das lives para equipes técnicas: '''Galera está passando fome'''

Vocalista do Cidade Negra fala sobre iniciativa Show de Solidariedade, que arrecada fundos para serem repassados a músicos de apoio e técnicos de luz e som.

 

Toni Garrido, vocalista do Cidade Negra, resolveu ir atrás do que ele chama de "ideias práticas" para lidar com a crise provocada pela pandemia da Covid-19.

Na tentativa de ser mais prático, Toni criou uma iniciativa chamada Show de Solidariedade. E são basicamente dois pontos que ele defende e explicou ao G1:

  1. Ele propõe que todas os artistas repassem 10% das arrecadações com patrocínios e doações em suas lives para um fundo destinado a músicos de apoio e técnicos das equipes que acompanham artistas em turnês e estúdios;
  2. Também propõe que artistas que fazem as lives paguem os cachês dos músicos que tocam com eles nas turnês. Mesmo sem eles participarem dessas lives.

A ideia de Toni e de outros parceiros da música citados por ele (Elsa Costa, Ricardo Tenente, Rafael Pulga) veio quando notou que estava participando de lives beneficentes para outras causas, sem cobrar cachê.

Ele estava cantando em shows on-line com arrecadação para vários setores, mas percebeu que faltavam iniciativas para os profissionais da música que não estão sendo remunerados. A maioria deles ganha por trabalho, não tem carteira assinada.

"Toda nossa carga produtiva, as pessoas que trabalham para aquele show acontecer, elas estão sem função nesse momento. Automaticamente, como elas trabalham por vez, elas não estão recebendo, porque aquele trabalho não as inclui. Elas estão ao léu... A nossa galera está passando fome."

Muitos artistas estão pagando suas bandas, mesmo que as lives sejam realizadas com uma estrutura mais enxuta, com bem menos músicos (ou nenhum) e sem profissionais da parte técnica.

"A bandeira que eu levanto é: artistas, queridos colegas, essa parada é nossa. O setor é nosso, a família é nossa. A responsabilidade das pessoas que viajam com a gente pra que a gente faça os nossos shows é nossa", convoca Toni.

Só com a primeira live do Lulu Santos, foram arrecadados R$ 25 mil de um dos patrocinadores para essa iniciativa. Esse dinheiro foi convertido em tíquetes de alimentação, destinados a profissionais cadastrados.

Toni, é claro, vai seguir em sua própria carreira o que está propondo para os outros. Ele vem pagando a banda dele, mesmo nas lives só feitas com DJ: "A galera vai estar em casa, cuidando dos filhos, sem poder sair de casa, mas vai todo mundo receber como se fosse show normal."

Toni Garrido apresenta o programa 'SóTocaTop', em 2019 — Foto: Divulgação/TV Globo

Ele ainda faz uma ressalva sobre a iniciativa. "Ela não contempla os artistas nem os cantores", explica. "Contempla músicos e técnicos de todas as formas: de palcos, técnicos de som, técnicos de luz. É um fundo que está destinado aos trabalhadores da cena, aos trabalhadores da indústria de shows."

Com 35 anos de carreira, Toni diz que prepara projetos de lives com patrocínio, porque "precisa cantar pra pagar as contas".

"Eu ainda tenho aqui uma reserva, tenho uma reserva de dois meses pra todas as minhas contas, as contas da minha mãe, as contas da minha família. Tenho uma reserva de dois meses, mas a galera, eu sei que tem gente que está sem reserva de nada."

Mas além de pensar na própria carreira e na família, Toni também pensa em expandir o projeto. "A gente está tentando fazer um modelo e se esse modelo der certo que ele seja replicado."

"Não dá pra gente ajudar o Brasil inteiro agora... Deu certo, nessa segunda leva a gente já vê a possibilidade de ampliar isso pros outros estados. Nesse primeiro momento, dá para ser para 60 pessoas. A gente no momento não tem nada, está criando o negócio sem ter nada."

Toni também viu exemplos de músicos que estão se ajudando. "O Emerson Silva, um baixista bem bacana que trabalha comigo como chefe de palco, ele chegou no nosso grupo de trabalho e falou o seguinte: 'Sem querer humilhar, ninguém fica chateado, mas se alguém tem algum problema financeiro aí, compra é comigo mesmo aqui. Fala aí, que eu dou o cartão'."

Foi após ter se encantado com o jeito de Cacá Diegues trabalhar em "Orfeu" que Garrido diz que passou a ser mais ativo. "Trabalhar com ele mudou muito o meu pensamento artístico, a parte prática", resume Garrido, lembrando das filmagens com o diretor, em 1999.

 

 


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