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‘Tá todo mundo com medo, descrente na Justiça’, diz parente de vítima da Chacina do Guamá sobre ordem de soltura de acusados

Soltura dos cinco acusados foi determinada pela Justiça na segunda-feira 1 . Crime, que completou um ano em maio, deixou 11 mortos e uma pessoa ferida em Belém.

 
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Familiares das vítimas da “Chacina da Guamá”, que deixou 11 pessoas mortas dentro de um bar em Belém no ano de 2019, relatam sentimento de revolta e medo com a decisão da Justiça que mandou soltar cinco acusados de envolvimento no crime. A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) informou que analisa o pedido e tem até as 18h desta quinta-feira (4) para cumprir a ordem judicial.

“Tá todo mundo muito abalado, com muito medo, estamos descrentes na Justiça”, afirma familiar de uma das vítimas, que preferiu não ser identificado. “A gente acha que podem fazer mal se a gente ficar aparecendo, falando, pedindo justiça. Vão pensar que estamos fazendo algum tipo de ameaça”, relata.

Um ano depois do crime, a dor ainda é grande pela perda. “Eu sei que ele não volta mais. Até hoje acordo chorando pensando nele. A gente esperava que pelo menos a justiça fosse feita. A família dele está passando necessidade”, conta ainda o parente.

O prazo dado pela Justiça do Pará para soltura dos acusados encerra às 18h desta quinta-feira (4).

O promotor de Justiça do Tribunal do Júri, José Rui Barboza, informou que o Ministério Público do Estado vai recorrer.

O governador do Estado, Helder Barbalho, informou em sua rede social a discordância sobre a decisão judicial de soltura de alguns dos envolvidos na Chacina do Guamá. "Sabemos a necessidade de se cumprir a lei, mas precisamos destacar que o combate à milícia tem sido essencial para reduzir os índices de violência no Estado", pontuou o governador.

"Já orientei o governo, a Procuradoria do Estado, a Secretaria de Administração Penitenciária e também a Secretaria de Segurança para manifestar ao Ministério Público o desejo de que haja recurso para que, em tempo hábil não seja cumprida essa decisão e, claro, haja uma revisão por parte da Justiça no sentido de não soltar estes que cometeram um dos crimes mais bárbaros da história recente do Estado do Pará", afirmou Helder.

Alvará de soltura

A soltura dos cinco acusados foi determinada na segunda-feira (1). Os réus tiveram a prisão preventiva substituída por medidas cautelares, pois a Justiça entendeu que não haveria mais motivo para a prisão, já que a instauração processual havia sido concluída. Entre as medidas estão o comparecimento trimestral à Justiça para comprovar as atividades; a proibição de saída da cidade; e o monitoramento eletrônico, por meio de tornozeleira.

Além disso, o juiz Edmar Pereira considerou que os réus estão presos há mais de um ano e possuem profissão declarada e residência fixa.

Os beneficiados com a decisão são:

  • Pedro Josimar Nogueira da Silva, o cabo Nogueira, acusado de ser um dos executores
  • Leonardo Fernandes de Lima, o cabo Leo, acusado de ser um dos executes
  • Ian Novic Correa Rodrigues, o Japa, acusado de dar cobertura para a ação
  • Edivaldo dos Santos Santana, o motorista que levou e deu fuga aos executores
  • Jonatan Albuquerque Marinho, o Diel, acusado de planejar o crime e elaborar a logística

Em fevereiro desse ano, a Justiça havia negado um pedido de habeas corpus aos acusados. Na ocasião, o TJPA alegou que o julgamento dos réus estava previsto para o mês abril, mas por conta da pandemia do novo coronavírus, o processo precisou ser adiado.

Direitos humanos critica soltura

Nesta terça, a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH) emitiu uma nota criticando a decisão da Justiça pela soltura. A nota afirma que "entidades e o próprio Conselho Nacional de Justiça tem defendido o relaxamento de medidas segregadoras para garantir o direito à vida e à saúde", mas o Poder Judiciário do Pará tem sido praticamente indiferente a estes apelos".

A SDDH disse, ainda, que não houve decisão determinando o afastamento da corporação dos policiais investigados; de eventual prisão domiciliar; de proibição de porte de armas, de comunicação entre os presos ou com outros possíveis envolvidos

O crime

A chacina do Guamá ocorreu no dia 19 de maio de 2019, por volta das 15h50, quando homens encapuzados invadiram o Wanda’s Bar, na Passagem Jambu, e executaram 11 pessoas e feriram mais uma. A maioria das vítimas foi morta com tiros na cabeça. O crime é considerado a maior chacina em um único lugar registrada em Belém.

Segundo denúncia do Ministério Público, os alvos da missão criminosa seriam apenas duas pessoas. Pedro Josimar, Leonardo e José Maria Noronha foram apontados pelo MP como os autores dos disparos no interior do bar, enquanto Wellington teria atuado como “olheiro”, dando informações de quem estava no bar. Os quatro são cabos da Polícia Militar.

As vítimas foram Alex Rubens Roque Silva; Flávia Telles Farias da Silva; Leandro Breno Tavares da Silva; Maria Ivanilza Pinheiro Monteiro; Márcio Rogerio Silveira Assunção; Meire Helen Sousa Fonseca; Paulo Henrique Passos Ferreira; Samara Santana da Silva Maciel; Samira Tavares Cavalcante; Sergio dos Santos Oliveira e Tereza Raquel Silva Franco.

 

 

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