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Jovem negro diz que foi expulso de casa nos EUA por racismo: '''Me chamaram de lixo'''

Anderson Silva Sodre atualmente mora na Califórnia e trabalhou cuidando de crianças de família em Orono, cidade próxima a Minneapolis.

 
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A partir dos 15 anos, as músicas estrangeiras e plataformas de tradução o alavancaram à fluência na língua inglesa nas horas vagas, enquanto era colaborador de um mercado em Sorocaba (SP). Aos 25, o jovem negro Anderson Silva Sodre mora e trabalha na Califórnia, nos Estados Unidos, o que planejava desde a adolescência.

Em dezembro de 2018, o brasileiro deixou a mãe e a irmã no interior de São Paulo para ter pela primeira vez a segunda família. Ele foi participar de um programa para cuidar de crianças em Orono, cidade próxima a Minneapolis, onde o ex-segurança George Floyd foi morto durante ação policial, no estado de Minnesota.

“Você mora com a família, então você não precisa pagar aluguel e em troca você tem a moradia e alimentação. Você cuida das crianças para os pais. Só que essa família me pedia para fazer muito mais do que eram as minhas obrigações. Eles pediam para eu limpar a casa, fazer comida para todos, deixar sempre a cozinha organizada e eles que bagunçavam”, lembra.

Durante os dois meses em que viveu com a família, Ander Jackson, como ficou conhecido com vídeos de humor na web, afirma que foi obrigado a manter a limpeza dentro e fora da casa. Na ocasião, o frio acumulava gelo no quintal.

“Eu não tinha ninguém para conversar, muito menos brasileiro. Eu sabia que algo estava errado e eu comecei expor a eles sobre a situação. Eles disseram que mudariam a posição, mas nada aconteceu.”

Ander afirma que tinha que limpar dentro e fora da casa — Foto: Arquivo pessoal

Nos dias seguintes, a família não o levou para encontros com amigos ou para sair com conhecidos.

“Uma dia foram para casa de um amigo para jantar. Não queriam me falar e eu entendi que foi pela cor da minha pele, porque todos eram brancos. Era uma família sem amizade com nenhum negro, nunca vi foto nem nada”, diz.

O estopim para o relacionamento entre o brasileiro e os americanos ocorreu depois de ter o horário controlado nas folgas e responder por atividades que não eram de responsabilidade da função.

Em determinada noite, ele afirma que o casal voltou para casa por volta das 22h30. Depois de duas horas, o homem a mulher, segundo Ander, entraram no quarto e o expulsaram da casa.

“Pouco antes um dos filhos estava brigando um com o outro e coloquei de castigo, como fazia. Naquela noite entraram no quarto gritando e dizendo que eu fiz bullying, depois de me chamar de lixo. Disseram que a ameaça aos filhos estava dentro de casa", conta.

Naquela noite, o casal o levou para um hotel. Sem saber o que faria, o jovem esperou para pedir ajuda ao programa no dia seguinte e para se alimentar com o café da manhã oferecido pela estadia.

“Fui à casa para pegar minhas coisas e estava tudo revirado. Meu notebook estava travado, porque eles tentaram acessar o notebook e fizeram apagar tudo que eu tinha de vídeo e foto, até o que eu tinha feito no quintal da casa.”

Sonho continua

Na semana seguinte, ele ficou na casa de uma conhecida e conseguiu outra família para cuidar de crianças. Enquanto acreditava que tudo havia sido resolvido, os antigos “patrões”, segundo ele, afirmaram ao programa que o brasileiro mostrava conteúdo inadequado aos meninos.

“Consegui encontrar outra família, me regularizar para trabalhar e vim morar na Califórnia. Hoje eu aprendi a lidar com essa situação que eu passei, mas é algo que pode acontecer em qualquer outro momento da vida”, comenta.

Vida nova, luta antiga

Depois de cuidar de crianças e deixar a região pela situação, o jovem trabalhou com a entrega de alimentos e atualmente divide o aluguel com amigos na Califórnia. A renda é mantida com o trabalho de motorista por aplicativo.

Na última semana, durante o trabalho, ele se deparou com um dos protestos por conta da morte de George. O brasileiro afirma que apoia os atos, desde que sejam de forma pacífica.

“Esse é o momento que estão nos escutando e temos que mostrar que dá para viver em paz. Moramos todos no mesmo lugar, no planeta Terra. A gente não precisa de vandalismo para pedir paz. Dá vontade de chorar ver tudo isso.”

Família do jovem mora em Sorocaba (SP) — Foto: Arquivo pessoal

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