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Vídeo de policiais mostra trechos inéditos de abordagem e morte de George Floyd

Imagens foram gravadas por câmeras presas aos uniformes de dois dos policiais que participaram da ação. Retirado de seu carro sob mira de uma arma, ele pediu que não atirassem e, chorando, avisou ser claustrofóbico e sofrer de ansiedade.

 
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Imagens de câmeras usadas por dois dos policiais envolvidos na detenção e na morte de George Floyd foram obtidas e divulgadas nesta terça-feira (4) pelo jornal britânico “Daily Mail”, e mostram a ação desde o momento em que ele foi abordado até o momento em que foi socorrido por paramédicos, já sem vida.

A morte de Floyd, em 25 de maio, em Minneapolis, provocou uma onda de protestos contra o racismo e a violência policial nos Estados Unidos, que já dura várias semanas.

As cenas mostram que Floyd estava sentado tranquilamente em seu carro, acompanhado por sua ex-mulher e um amigo, quando os dois policiais o retiraram do veículo já apontando uma arma para sua cabeça e o colocaram de forma agressiva dentro da viatura, apesar de ele dizer, chorando, que sofria de ansiedade e claustrofobia.

Em seguida, é possível ver a chegada de reforços: Tou Thao e Derek Chauvin, o policial que se ajoelhou sobre o pescoço de Floyd por quase nove minutos. Nervoso, Floyd chega a dizer que vai morrer ali e pede que avisem a seus filhos que ele os ama (leia mais abaixo).

As imagens foram gravadas pelas câmeras presas aos uniformes dos policiais Thomas Lane e Alex Kueng, os primeiros a atender ao chamado do funcionário de uma loja, que acusou Floyd de pagar uma compra com uma nota falsa de US$ 20.

Os dois policiais estavam em sua primeira semana de trabalho quando atenderam ao chamado.

O vídeo, de quase 30 minutos, foi entregue às autoridades pelo advogado de defesa de Lane, e o jornal não explica como teve acesso a ele. Em julho, um juiz permitiu que apenas algumas pessoas o assistissem dentro da corte e uma transcrição foi liberada.

Os quatro ex-policiais acusados de envolvimento na morte de George Floyd: da esquerda para a direita, Derek Chauvin, Tou Thao (acima) e J. Alexander Kueng e Thomas Lane (abaixo) — Foto: Minnesota Department of Corrections and Hennepin County Sheriff's Office/Handout via Reuters.

Os quatro policiais envolvidos foram demitidos no dia seguinte à morte de Floyd. Chauvin foi acusado de homicídio de segundo e terceiro graus, enquanto Lane e os outros dois policiais, Tou Thao e Alexander Kueng, foram acusados de cumplicidade durante assassinato. Se condenados, eles podem receber uma pena de até 40 anos de prisão.

“Já fui baleado”

No início do vídeo, Lane e Kueng conversam com o funcionário da loja de conveniência, que diz que o sujeito que usou a nota falsa está sentado em um carro azul logo em frente. Os dois policiais então se aproximam do veículo, estacionado do outro lado da rua.

Lane vai até Floyd, que está no banco do motorista, e Kueng se aproxima do banco do passageiro, onde está Maurice Hall, um amigo de Floyd. Shawanda Hill, ex-mulher de Floyd, está no banco de trás.

Lane bate na janela com uma lanterna e Floyd leva um tempo para abrir a porta. Assim que ele abre, Lane saca sua arma e a aponta para a cabeça do motorista.

“Hey, cara, desculpa”, diz Floyd, que pede desculpas novamente, mas Lane já responde agressivamente.

“Coloque a p* das mãos pra cima agora! Deixe-me ver sua outra mão”, responde o policial.

Como Floyd não coloca as mãos no volante imediatamente, Lane repete: “Coloque a p* das mãos aqui em cima. Jesus Cristo, mantenha as p* das mãos no volante”.

Floyd diz ao policial que já foi baleado antes e Lane repete novamente: “Mantenha as p* das mãos no volante” e diz para que ele coloque seu pé dentro do carro.

“Desculpe, me desculpe. Meu Deus, cara. Cara, eu já fui baleado do mesmo jeito, senhor policial, antes”, Floyd diz.

Um grafite do artista 'EME Freethinker' em apoio aos protestos pela morte de George Floyd é visto no parque público 'Mauerpark' em Berlim, na Alemanha — Foto: Michael Sohn/AP

“OK. Bem, quando eu digo 'Deixe-me ver suas mãos’, você coloca as p* das mãos para cima'', responde Lane, que manda que Floyd saia do carro: “Mãos em cima da sua cabeça. Saia do veículo e afaste-se de mim”, diz.

“Tudo bem, senhor policial, por favor, não atire em mim. Por favor, cara”, responde Floyd.

"Não vou atirar em você. Saia e se afaste”, responde Lane.

“Vou olhar nos seus olhos. Por favor, não atire em mim, cara. Acabei de perder minha mãe, cara”, diz Floyd, chorando.

A essa altura, Kueng e Lane o puxam para fora do carro e o algemam. Em seguida, os policiais conversam com Hill e Hall e perguntam porque Floyd está agindo de forma estranha e não mostra as mãos.

"Porque ele já levou um tiro antes", responde Hill.

"Bem, eu entendo", diz Lane. "Mas ainda assim, quando os policiais dizem: '' Saia do carro... ele está bêbado ou algo assim?”

"Não, ele tem esse negócio", diz Hill, apontando para a cabeça e fazendo um movimento circular com o dedo, como se sugerisse que o ex tinha problemas mentais. "Em relação à polícia", acrescenta.

Os policiais então levam Floyd até a viatura e ele se debate, se recusando a entrar, dizendo que tem claustrofobia. Ele cai no chão.

“Levante-se. Pare de cair. Fique de pé e encare a porta do carro”, grita Kueng.

“Por favor cara. Não me deixe sozinho, cara, por favor. Eu sou apenas claustrofóbico”, diz Floyd, ainda chorando.

"Bem, você vai entrar no carro mesmo assim", diz Lane.

"Gente, eu vou morrer aqui", diz Floyd. “Eu vou morrer, cara. Eu acabei de ter Covid, cara. Não quero voltar a isso”.

Lane se oferece para baixar as janelas do carro para ajudar com a claustrofobia, mas Floyd ainda luta. "Estou com medo pra c*", diz ele.

Uma pessoa que está assistindo ao episódio pede que Floyd se acalme, e diz que ele não pode vencer na situação em que se encontra. “Eu não quero vencer. Sou claustrofóbico e tenho ansiedade. Não quero fazer nada com eles”, responde Floyd.

Ainda no carro, Floyd diz pela primeira vez que não consegue respirar.

Pouco depois, Chauvin e Thao chegam ao local.

Manifestantes marcham durante protesto contra a morte de George Floyd, em Washington, nos EUA — Foto: Evan Vucci/AP

Os policiais finalmente conseguem colocá-lo na viatura e fecham a porta traseira do motorista atrás dele, mas por alguma razão que não fica clara no vídeo, Floyd sai pela porta do passageiro, ainda se debatendo.

Segundos depois, ele já aparece no chão, deitado na calçada e com o joelho de Chauvin sobre seu pescoço, enquanto Lane e Kueng ajudam a contê-lo.

Ele diz repetidamente que não consegue respirar e chama por sua “mama”, mas sua voz vai ficando lentamente mais fraca.

Em determinado momento, Floyd diz: “Diga aos meus filhos que eu os amo. Estou morto”.

George Floyd estava sub custódia policial quando foi morto por policiais — Foto: AFP/Facebook / Darnella Frazier

Kueng é visto despreocupadamente tirando uma pequena pedra do pneu da viatura com sua mão direita, enquanto usa a esquerda para apertar as pernas de Floyd.

Enquanto pressiona o pescoço de Floyd, Chauvin, o policial mais graduado a participar da ação, pergunta aos novatos Lane e Kueng se eles estão bem.

"Meu joelho pode estar um pouco arranhado, mas eu vou sobreviver", responde Lane.

Thao pergunta a seus colegas policiais se Floyd está drogado.

“Eu acredito que sim. Encontramos um cachimbo”, responde Kueng.

“Encontramos um cachimbo de maconha. Pode haver algo mais, pode haver alguma coisa como PCP ou algo assim”, acrescenta Lane.

Enquanto Floyd continua reclamando que não consegue respirar, Kueng diz: “Você está bem. Você está falando bem”.

Floyd responde: “Eu provavelmente vou morrer assim”.

“Estou acabado. Sou claustrofóbico. Meu estômago dói. Meu pescoço dói. Tudo machuca. Preciso de água ou algo assim, por favor”, pede Floyd.

“Então pare de falar. Pare de gritar. É preciso muito oxigênio para conversar”, responde Chauvin.

Quando Floyd finalmente para de se mexer, Chauvin ainda mantém o joelho em seu pescoço, apesar das reclamações de uma pequena multidão que se reuniu ao redor da cena.

"Verifique o pulso dele", diz um homem repetidamente. “Você chama o que está fazendo de ok?”, questiona.

Mas os outros oficiais nada fazem para para impedir Chauvin.

A certa altura, Lane pergunta: “Devemos virá-lo de lado?”

“Não, ele fica como nós o pegamos”, responde Chauvin.

Lane então responde: “ok. Só me preocupo com o delírio ou seja o que for”.

“Bem, é por isso que temos uma ambulância chegando", diz Chauvin.

Quando os paramédicos chegam, eles levam Floyd a um hospital, onde ele é declarado morto. Contrariando a versão oficial da policia, duas autópsias posteriores confirmaram que ele já estava morto quando o socorro chegou ao local.

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