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Programa pioneiro de monitoramento de primatas na Amazônia completa 10 anos

Programa é realizado pela MRN e contribui para a conservação de espécies de macacos na Floresta Nacional de Saracá-Taquera.

 
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Identificar, compreender e acompanhar a dinâmica comportamental de diferentes espécies diante da presença de atividades humanas em ambientes amazônicos é um grande desafio. Na Floresta Nacional Saracá-Taquera, no oeste do Pará, um programa pioneiro de monitoramento dos primatas na Amazônia está completando 10 anos.

O biólogo e pesquisador Fabiano de Melo, da Fundação de Apoio à Pesquisa da Universidade Federal de Goiás (FUNAPE) e professor da Universidade Federal de Viçosa, é o consultor que coordena há 10 anos um amplo estudo nesta linha científica, envolvendo equipes de biólogos e veterinários no monitoramento de primatas.

O programa é uma iniciativa da Mineração Rio do Norte (MRN) para monitorar e estudar estas espécies na floresta diante de alterações ambientais com a presença do empreendimento e em atendimento às condicionantes ambientais de licenciamento.

Neste sábado (5), quando é celebrado o Dia da Amazônia, o pesquisador também comemora os excelentes resultados desta iniciativa, que é desenvolvida nos platôs Bacaba, Bela Cruz, Almeidas, Aviso e Saracá, que operam em áreas desta floresta.

“Programas de monitoramento contribuem para apontar os padrões biológicos de espécies e auxiliam em estratégias e metodologias de manejo e conservação de espécies. O balanço nestes 10 anos é dos melhores tanto pela manutenção do programa com resultados concretos, inovadores e de utilidade direta, quanto pela oportunidade profissional para os mais de 30 biólogos e veterinários que já participaram das pesquisas. A seriedade, o compromisso e a qualidade do programa foram fundamentais para torná-lo reconhecido internacionalmente”, relatou Fabiano.

Entre os resultados científicos do programa, já foram defendidas três dissertações de mestrado e uma tese de doutorado está em andamento. Foram publicados sete artigos científicos, um livro (e-book), dez resumos em congressos e eventos nacionais e dois resumos em eventos internacionais.

Comportamento dos primatas frente às alterações ambientais é observado pelo programa de monitoramento — Foto: Renan César

Pioneirismo

A importância deste programa está no pioneirismo de ter encarado o desafio de pesquisar com detalhes espécies de primatas em áreas remotas no interior da floresta amazônica. Se por um lado, as distâncias, detalhes logísticos, exigências técnicas e físicas ditaram o grau de dificuldade dos trabalhos, por outro, a disposição dos pesquisadores, o suporte da MRN, a persistência e o trabalho duro permitiram superar as etapas iniciais de maior dificuldade.

O trabalho tem permitido que os primatas sejam observados e acompanhados pela floresta, revelando seus alimentos, territórios, interações sociais, nascimentos de filhotes, fugas de predadores, entre outras dinâmicas comportamentais que se transformaram em importantes dados e informações.

Várias espécies de primatas habitam a floresta Saraca-Taquera, no oeste do Pará — Foto: Renan César

Entre as nove espécies de primatas presentes na Floresta Nacional Saracá-Taquera, duas delas, Saguinus martinsi (sauim) e Chiropotes sagulatus (cuxiú), têm status de conservação observado dentro dos respectivos gêneros e há carência de estudos relacionando ambas as espécies. Por isso, foram escolhidas como foco de monitoramento.

O sauim é a menor das espécies de primatas encontradas nesta floresta, enquanto o cuxiú é uma espécie de médio porte, que chama a atenção pela dieta, especializada em frutos verdes e sementes. Utilizando métodos de censo e habituação, os pesquisadores encontram os grupos de primatas e os seguem pela floresta para coletar e avaliar diversos dados sobre estas espécies.

Ampliação

De 2017 para cá, o programa ampliou seu campo de atuação para áreas reflorestadas na mineração, sendo expandido para os platôs Almeidas, Aviso e Saracá. Esta nova frente também pioneira vem fornecendo uma perspectiva inédita sobre como os primatas retornam e reutilizam áreas influenciadas por mineração.

“Os resultados vêm sendo incorporados ao banco de dados de censos populacionais, permitindo expandir as análises e comparações sobre a riqueza, abundância e densidade dos primatas em momentos distintos: antes, durante e após as atividades de mineração”, comentou Fabiano.

Raony Alencar, analista ambiental da MRN, acompanha o programa desde 2010, quando também iniciou sua carreira com estudo de primatas. Na época, era estagiário do pesquisador Fabiano. Quando soube do programa, avançou em sua formação acadêmica com o sonho de participar da equipe de trabalho de campo.

Programa monitora comportamento de primatas na floresta Saraca-Taquera, no oeste do Pará — Foto: Renan César

Em 2017, quando concluiu seu mestrado, conquistou uma vaga como pesquisador com o objetivo de implantar o início do programa para monitoramento de primatas nas áreas de reflorestamento para saber como está ocorrendo o retorno destas espécies para as áreas recuperadas. A partir de 2019, passou a trabalhar na MRN, seguindo como gestor técnico no programa.

Para Raony, entre os méritos das pesquisas estão os resultados inéditos para a Amazônia. Um dos pontos positivos é que, hoje, são fornecidos dados científicos tanto para órgãos federais quanto para a sociedade de duas espécies de primatas em área de floresta amazônica ainda pouco alterada.

"Ter feito parte deste programa como pesquisador e hoje como apoiador técnico é muito gratificante. Espero continuar colaborando da melhor forma possível, fazendo a ponte entre a empresa, os pesquisadores parceiros e o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis)”, destacou Raony Alencar.

O programa segue alinhado com tendências de estudos e monitoramento de espécies. Entre os próximos passos está o uso de tecnologias e métodos inovadores no campo da primatologia com destaque para a utilização de drones e o armadilhamento fotográfico em dossel.

“São dois métodos recentes em pesquisas com primatas e que vem gerando resultados incríveis. Nos próximos anos, pretendemos compreender ainda melhor a dinâmica de reocupação de áreas recuperadas pelos primatas e refinar o conhecimento científico sobre as espécies pesquisadas. Para isso, nosso banco de dados tem sido constantemente trabalhado, criando possibilidades de parcerias com estudantes de mestrado e doutorado, o que permitirá agregar mais análises e gerar resultados ainda mais robustos”, concluiu Fabiano.

 

 

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