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Docente da Ufopa ganha prêmio nacional de melhor tese na área de História

Há dois anos, Wania Viana dá aulas na Universidade em Santarém. O estudo premiado trata das medidas adotadas pela coroa portuguesa para a defesa da capitania do Pará durante o reinado de D. João V.

 
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Com a tese intitulada "Gente de guerra, fronteira e sertão: índios e soldados na capitania do Pará (primeira metade do século XVIII)", a professora paraense Wania Alexandrino Viana, ganhou o prêmio Capes de Tese – Edição 2020, na área de História. O estudo foi selecionado a partir da avaliação de uma comissão interna de professores.

O resultado da premiação foi divulgado na quinta-feira (1º) no Diário Oficial da União. Há dois anos, Wania é docente do curso de História do Instituto de Ciências da Educação (Iced) da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) em Santarém, no oeste paraense. Ela junto com seu orientador, professor Rafael Chambouleyron, conquistaram o Prêmio Nacional na área de História com Tese defendida em 2019 no programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal do Para (UFPA).

"O Prêmio Capes de Tese 2020 teve o número record de inscrições, foram 1. 421 teses de todo o Brasil. 49 de diferentes áreas ganharam o Prêmio, a minha tese ganhou da área de História", disse Wania.

O Prêmio Coordenação de Aperfeiçoamento Pessoal de Nível Superior (Capes) de Tese reconhece os melhores trabalhos de conclusão de doutorado defendidos em programas de pós-graduação brasileiros de acordo com os seguintes critérios: originalidade do trabalho, relevância para o desenvolvimento científico, tecnológico, cultural, social e de inovação e o valor agregado pelo sistema educacional ao candidato.

Por ter vencido na categoria, automaticamente o trabalho concorre ao “Grande Prêmio Capes de Tese Carlos Ribeiro Justiniano Chagas”, que será outorgado para a melhor tese de 2019 selecionada dentre as vencedoras do Prêmio, agrupadas em três grandes áreas: Ciências Biológicas, Ciências da Saúde e Ciências Agrárias; Engenharias, Ciências Exatas e da Terra, Ciências Ambientais e Multidisciplinar (Materiais, Biotecnologia e Ensino); Ciências Humanas, Ciências Sociais Aplicadas, Linguística, Letras, Artes e Interdisciplinar.

Devido à pandemia de covid-19, a cerimônia do prêmio ocorrerá de forma virtual. A medalha e o troféu do Grande prêmio serão enviados diretamente a cada um dos premiados.

Segundo a professora, foram duas seleções: uma interna ao programa de pós graduação em História da UFPA, que entre 14 teses defendidas em 2019 escolheu a dela para representar o programa a nível nacional, e por meio de edital a tese seguiu para a segunda etapa que foi o Prêmio Capes 2020.

Ao G1, Wania disse que se sente muito honrada, e esse é o reconhecimento do árduo trabalho de pesquisa realizado não apenas em cinco anos de doutorado, mas também construído a partir de uma trajetória acadêmica que inclui a graduação e o Mestrado.

"Sou ribeirinha, estudei sempre em escola pública, um prêmio como esse representa muito. Como mulher, mãe e pesquisadora, o prêmio significa a reafirmação do nosso espaço na produção científica do país. Mas, também, como oriunda de escola pública e da interiorização da Universidade, esse prêmio significa que devemos defender projetos de uma educação mais democrática que possibilita acesso a mulheres, negros, indígenas, ribeirinhos e tantos outros grupos excluídos historicamente", ressaltou.

Já em nome da UFPA, Wania disse que esse prêmio representa o fortalecimento da pesquisa na Amazônia, o crescimento da pós-graduação em História e, sobretudo, reafirma o impacto positivo que a Universidade enfrenta no Pará e na Amazônia.

A tese premiada

A pesquisa trata das medidas adotadas pela coroa portuguesa para a defesa da capitania do Pará durante o reinado de D. João V (1707-1750). Insere-se, sobretudo, na análise da problemática em torno da manutenção e provimento de tropas necessárias para a efetiva defesa de território.

De acordo com o estudo, “do ponto de vista das forças legais – companhias de ordenanças, regulares e auxiliares – o sistema defensivo da capitania foi frágil durante todo o período analisado”. Em decorrência disso, o principal argumento desta tese é que a atuação e a participação indígena nas atividades militares qualificaram a tropa lusa e garantiram a defesa e a expansão da fronteira colonial na capitania do Pará.

Nesse processo, complexas redes de mobilização de gente para a defesa constituíram-se. Essa gente de guerra, na fronteira e no sertão, desenhou nesta parte da conquista um sistema defensivo particular, que só se explica pelas conexões e relações estabelecidas entre militares e índios, na experiência de defesa do Pará colonial.

 

 

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