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Símbolos do Círio se adaptam à versão da festividade que não vai às ruas

Devido a pandemia de Covid-19 festividade precisou se remoldar para garantir segurança aos devotos. Veja as mudanças.

 
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O Círio de Nazaré é acompanhado por símbolos que marcam a trajetória da tradição paraense. No ano em que a festividade precisou se remoldar para garantir segurança aos devotos, cada um desses símbolos também precisaram se adaptar. Veja abaixo como cada um será representado na edição 228 da Festa Nazarena:

Imagens

Imagem Original de Nossa Senhora de Nazaré desce do altar-mor da Basílica Santuário somente duas vezes ao ano. — Foto: Marco Santos/ Agência Pará

Um dos títulos marianos mais antigos remete ao período da infância de Jesus, em Nazaré da Galiléia, da onde surgiu a nomenclatura de Nossa Senhora de Nazaré para Maria. De acordo com a tradição, a primeira imagem criada para representar a figura de Maria foi a dela em Nazaré.

Em Belém, há a chamada de imagem “original”, uma escultura em estilo Barroco confeccionada em madeira que foi encontrada por Plácido José de Souza, no ano de 1700. Ela possui 28 cm de altura e apresenta traços de uma senhora portuguesa. Já foi reformada três vezes.

A capital também abriga a Imagem do Colégio Gentil. Não se sabe a origem exata dela, apenas que pertencia às irmãs e ainda permanece na capela. Ela é produzida em gesso e em um estilo diferente da imagem original. Foi utilizada no Círio entre os anos de 1920 até 1968, substituída depois disso pela imagem peregrina.

Foi em 1968, atendendo a pedidos dos fieis, que queriam que a imagem usada na procissão fosse semelhante a original. O então Pároco de Nazaré, Padre Luciano Brambilla, resolveu encomendar uma réplica da imagem para que fosse utilizada nas procissões e cerimônias oficiais. A imagem ficou a cargo do escultor italiano Giacomo Mussner.

Em 2020, as imagens participam de todas as cerimônias da nova programação. A imagem original desceu do Glória como em todos anos e ficará no altar da Basílica Santuário durante a quadra nazarena. Já a imagem peregrina fará um sobrevoo de helicóptero pelos hospitais da capital e depois ficará em exposição na Praça Santuário para visitação dos fieis.

Mantos

Manto do Círio de Nazaré 2019 — Foto: Divulgação

Um dos itens mais esperados pelos devotos de Nossa Senhora de Nazaré, o manto é uma tradição antiga. Pesquisadores divergem sobre a imagem original ter ou não sido encontrada com um manto. Mesmo assim, desde os primeiros registros de cartazes da Festa de Nazaré, ela sempre foi retratada com um manto em formato retangular.

Os mantos eram confeccionados com material doado por promesseiros. A irmã Alexandra da Congregação Filhas de Sant’Ana, do Colégio Gentil Bittencourt, era responsável pelo trabalho até sua morte, em 1973. Depois a missão foi assumida pela sua ajudante na tarefa de bordar as peças, Esther Paes França, que chegou a confeccionar 19 mantos. Desde então, vários católicos e estilistas famosos já receberam a importante tarefa de produzir o manto do Círio.

Normalmente, o manto é apresentado na quinta-feira que antecede as procissões oficiais da festividade. A missa de apresentação lota a Basílica Santuário de fieis que aguardam a entrada iluminada da imagem peregrina com o novo adorno.

Em 2020, a padroeira terá um novo manto para participar da festividade. Ele foi apresentado em uma missa, transmitida on-line. Este ano, o manto possui coloração que representa o céu sem sombras. Na parte de trás, há uma coroa com doze estrelas, sustentada por anjos.

Berlinda

Detalhes da ornamentação da berlinda para a procissão do Círio 2019 — Foto: Gabriel Buenaño

A berlinda começou a ser utilizada no Círio a partir de 1882. Antes dela, a imagem era conduzida no colo pelo capelão do Palácio do Governo. A imagem e o capelão iam em uma liteira, uma espécie de cadeira portátil aberta suportada por duas varas laterais, levada no ombro por quatro ou seis homens.

A partir da utilização da berlinda, puxada por cavalos, a imagem passou a ser levada sozinha. No ano de 1926, Dom João Irineu Joffily sugeriu que a berlinda fosse substituída por um andor. Ela só voltou a ser usada no Círio de 1930. A berlinda atual é a quinta da história e foi confeccionada em 1964, pelo escultor João Pinto. Ela tem estilo barroco e foi produzida em cedro vermelho.

Tradicionalmente ela é ornamentada com flores naturais e é utilizada no Círio e na Trasladação. Em 2012, a berlinda passou por uma reestruturação, quando foi inserida uma nova cobertura de folhas de ouro. A reforma também implantou um moderno sistema de iluminação em fibra ótica, com luz branca no interior para representar a paz e a pureza de Nossa Senhora; e luz amarela na parte exterior realçando os detalhes da estrutura.

Em 2020, para garantir a participação da berlinda na festividade, a Diretoria do Círio vai transmitir o momento da decoração dela com flores naturais. O momento será realizado no sábado (10) no estacionamento da Praça Santuário. Já no domingo (11), dia do Círio, a berlinda ficará na praça em exposição para depois retornar a estação dos carros, onde é guardada durante o ano.

Corda

Corda do Círio pode ser visitada na Estaão das Docas — Foto: Guarda de Nazaré e DFN

A corda passou a fazer parte do Círio em 1885, quando uma enchente da Baía do Guajará alagou a orla no momento da procissão, fazendo com que a berlinda ficasse atolada e os cavalos não conseguissem puxá-la. Os animais foram desatrelados e um comerciante local emprestou uma corda para que os fiéis puxassem a berlinda. Assim ela foi incorporada às festividades e passou a ser o elo entre Nossa Senhora de Nazaré e os fiéis.

Atualmente é um dos maiores ícones da festa, utilizada na Trasladação e no Círio. Confeccionada em cisal torcido, possui 400 metros de comprimento para cada uma das romarias e duas polegadas de diâmetro. Até 2003, o formato da corda era de “U” com as duas extremidades atreladas à berlinda. Por motivos de segurança, em 2004, a corda ganhou formato linear dividida em cinco estações de alumínio que ajudam a dar tração à corda e ritmo às romarias.

Em cada uma das estações há a presença constante dos chamados animadores da corda que têm a função de estimular os promesseiros por meio de palavras de ordem, cânticos e orações. Atualmente, o atrelamento à berlinda ocorre de forma planejada. Nota-se o esforço incansável da Diretoria do Círio e órgãos de segurança em fazer com que, especialmente no Círio, a corda chegue até seu destino final sem que seja cortada pelos próprios promesseiros. As campanhas de conscientização começaram em 2011 e são lançadas próximo ao Círio como forma de tentar fazer com que os objetos cortantes não sejam utilizados.

Em 2020, sem procissão a corda não vai pras ruas de Belém no mesmo formato. A Diretoria da Festa e a Arquidiocese de Belém resolveu manter a proximidade do símbolo com os devotos de outra forma, em uma exposição. Uma parte da corda está na Estação das Docas disponível pra visitação. A outra parte foi dividida entre as 95 paróquias da Arquidiocese de Belém.

O símbolo receberá a benção durante a missa de abertura oficial do Círio, com a apresentação do manto de Nossa Senhora, na sexta-feira (9). As paróquias receberão uma parte da corda, para que no domingo do Círio as suas celebrações sejam realizadas com entrada solene da Imagem da própria paróquia, envolto com a corta do Círio.

Carros de anjos e de promessas

Carros das promessas — Foto: Reprodução/Tv Liberal

Além da berlinda, outros carros acompanham a procissão do Círio. Eles foram incorporados à procissão ao longo da história da festividade para recolher os ex-votos - elementos de promessa - ou levando as crianças vestidas de anjos.

São 13 os carros que compõe a grande procissão Círio: o Carro de Plácido, Barca da Guarda, a Barca Nova, Carro dos Anjos 1, Cestos de promessas, Carros dos Anjos 2, Barca com Velas, Carro dos anjos 3, Barca Portuguesa, carro dos Anjos 4, Barca com Remos, Carro Dom Fuas, Carro da Sagrada Família.

Alunos das escolas públicas e privadas de Belém ajudam com a condução dos carros de promessas, enquanto voluntários do grupo dos Carros dos Anjos levam os demais, garantindo a segurança das crianças.

Em 2020, quatro carros estão em exposição: dois na Praça Santuário e dois na Estação das Docas. Os de outros nove são mais antigos e muito grandes, então para evitar maiores danos causados continuarão guardados. A exposição dos carros tem um objetivo muito parecido com o original. Os fieis vão poder depositar nos carros seus objetos de promessas ou ex-votos, que depois serão recolhidos pela Guarda de Nazaré e levados para a Basílica Santuário.

Cartaz

Cartaz do Círio de Nazaré 2020. — Foto: Divulgação

Uma das tradições mais antigas e conhecidas do Círio de Nazaré é o cartaz. Até hoje adotado por várias famílias, empresas e órgãos paraenses, que fixam os cartazes do Círio nas portas para homenagear a padroeira. Além de instrumento de evangelização, a peça divulga a festa. O primeiro cartaz foi confeccionado em Portugal no ano de 1826. Inicialmente as peças eram elaboradas à mão para impressão. Atualmente o Cartaz é produzido a partir de fotografias e tem a concepção elaborada por uma agência de publicidade voluntária.

Em 2020, o cartaz foi apresentado no mês de maio em uma transmissão virtual. A celebração não teve público presencial, devido a pandemia do novo coronavírus. O cartaz deste ano contém elementos do tema "Ave Maria, cheia de graça". De acordo com Dom Alberto Taveira, Arcebispo Metropolitano de Belém, "o cartaz do Círio de Nazaré 2020 nos remete à esplêndida luminosidade que brota daquela que é imaculada. Em torno de Maria as flores proclamam a beleza interior e exterior de Maria".

Hinos

Hinos são entoados durante homenagens a Imagem de Nossa Senhora em diversos pontos da procissão. — Foto: Andréa França / G1

O hino oficial do Círio é “Vós Sois o Lírio Mimoso” , composto em 1909, pelo poeta maranhense Euclydes Faria. A canção marcou a implantação da pedra fundamental da construção da Basílica. Entre os demais hinos está “Virgem de Nazaré”, que nasceu originalmente de um poema de autoria da poetisa paraense Ermelinda de Almeida, que por volta dos anos 60 foi musicado por Padre Vitalino Vari; a canção “Maria de Nazaré” que tem letra e música do sacerdote mineiro Padre José Fernandes de Oliveira (Zezinho) e foi composta em 1975; “Senhora da Berlinda” que tem letra e música de Padre Antônio Maria Borges e foi composta em 1987; “Dá-nos a bênção”, que faz parte do cancioneiro popular religioso do Brasil e teve sua letra adaptada citando o nome de Nossa Senhora de Nazaré; dentre outros.

Em 2020, os hinos seguirão sendo entoados durante as celebrações da festividade. Mesmo sem romaria, os hinos fazem parte das missas, pregações e lives musicais que serão celebradas no final de semana do Círio e durante toda a quadra nazarena.

Ex-votos ou objetos de promessas

Ex-votos sãos os objetos que promesseiros levam à procissão em agradecimento a graças alcançadas. — Foto: Ingrid Bico/G1

São os elementos levados pelos devotos como sinal do agradecimento pelas graças recebidas com a intercessão de Nossa Senhora. Os mais comuns são os objetos em cera, velas normais, de metro ou aquelas que reproduzem partes do corpo. Além de tijolos, miniaturas de barcos e casas, réplicas da berlinda e de imagens de Nossa Senhora de Nazaré são alguns dos exemplos das peças os fieis levam durante as procissões.

Os ex-votos são depositados nos carros dos milagres ou em um local destinados a eles na própria Basílica. Em 2020, os carros em exposição na Praça Santuário e na Estação das Docas vão receber os objetos. As peças em cera são revendidas e a renda é revertida para os projetos sociais da Paróquia de Nazaré. Brinquedos e outros elementos são encaminhados para doação e os mais inusitados são repassados ao Museu do Círio e o Espaço Memória de Nazaré.

Arraial

Parque de diversões não participa da edição 2020 do Arraial de Nazaré. — Foto: Dirceu Maués/ O Liberal

Todos os anos um espaço especial recebe visitantes para se divertir ao lado da Basílica Santuário, onde são montados brinquedos e barracas para venda de comidas típicas e artesanato. O Arraial movimenta a cidade durante toda a quadra nazarena. O Arraial de Nazaré é uma tradição que começou ainda na primeira edição do Círio de Nazaré, em 1793.

As primeiras festas de Nazaré eram realizadas no mês de setembro, época do verão amazônico, quando a intensidade de chuvas é menor. Para a realização do primeiro Círio foi organizada uma grande feira de produtos agrícolas vindos de diversos municípios.

Em 2020, o Arraial vai abrir, mas sem todas as suas tradicionais atrações. A partir de domingo (11), o arraial funcionará no estacionamento do Centro Social de Nazaré, das 17h às 22h, até 26 de outubro. São 24 estandes com vendas de produtos artesanais, alimentos, vestuário e artigos religiosos. Além disso, os visitantes poderão acompanhar as lives do Círio Musical, em um telão no centro do espaço.

O Parque ITA, que há 28 anos, participa do Arraial, pela primeira vez não poderá operar, devido às restrições dos órgãos de saúde, segurança e Vigilância Sanitária.

Manhã dos eleitos

A tradição da Manhã dos Eleitos sempre escolhe um segmento da sociedade para homenagear — Foto: Ary Sousa/O Liberal

Todos os anos, a Diretoria da Festa escolhe um segmento da sociedade para homenagear e servir. A programação é um dos trabalhos voluntários realizado pelos casais da Diretoria do Círio, que recebem os homenageados para um almoço festivo. A “Manhã dos Eleitos” começou em 1987 ainda sendo "Noite dos Eleitos" para repartir a grande sobra de alimentos no dia depois do Círio. Por uma questão de adaptação de espaço e para atender um maior número de pessoas, a Diretoria da Festa do Círio optou por uma programação diurna.

Em 2020, a programação foi realizada em setembro quando atendeu 200 pessoas em situação de rua, com doação de itens de higiene, mantas, pares de sandálias e refeição. A ação teve três pontos de atendimento: a praça Waldemar Henrique, no Reduto; o Memorial Magalhães Barata, em São Braz; e a Praça da Sereia, na Presidente Vargas.

Previamente, a Diretoria da Festa havia escolhido homenagear crianças com autismo e síndrome de down, em 2020, mas com as alterações na programação de vários eventos da festividade, essa também precisou ser alterada.

Casa de Plácido

Romeiros recebem auxílio na Casa de Plácido durante programação do Círio. — Foto: Ascom Basílica

É um local de acolhida aos romeiros que chegam na Basílica após pagar suas promessas. A Casa de Plácido foi idealizada pelo então Reitor da Basílica Santuário de Nazaré, padre José Ramos das Mercês, e inaugurada em 2009. No Círio e também ao longo do ano a Casa de Plácido acolhe peregrinos, oferecendo atendimento, alimentação e espaço para descanso e recuperação.

Localizada no térreo do Centro Social de Nazaré, possui banheiros, refeitório e praça de alimentação, ambulatório de primeiros-socorros, sala para descanso e ainda uma sala de milagres.

Nesta edição do Círio 2020, o espaço não receberá romeiros e ficará fechado. A casa foi aberta apenas para realização da Vigília de Adoração em preparação ao Círio. Ela durou 48 horas, começando na quarta-feira (7). Cerca de 200 instituições, entre paróquias, pastorais e escolas católicas, se revezam em adoração ao Santíssimo Sacramento da Eucaristia.

VÍDEOS: Círio de Nazaré 2020

20 vídeos CÍRIO 2020: Dom Alberto abençoa fieis que aguardavam próximo da Igreja da Sé CÍRIO 2020: Momento em que Imagem sai da Catedral de Belém, após missa CÍRIO 2020: Imagem Peregrina chega ao Portal da Amazônia

 

 

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